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Com a intenção de inaugurar uma nova era no ramo de geração de energia, em 28 de abril de 2018, a Rússia lançou ao mar, no porto de São Petersburgo, a primeira Unidade de Energia Nuclear Flutuante do mundo, ultrapassando os Estados Unidos, que, desde a década de 1970, vinha tentando implantar tal tecnologia e foram suplantados pela enorme resistência de autoridades governamentais.

Símbolo da Rosatom

Batizada com o nome de um cientista russo do século 18, Akademik Lomonosov, o FNPP (do inglês Floating Nuclear Power Plant) tem como proposta ser uma unidade de geração de energia móvel que diminuirá custos de construção de usinas nucleares em localidades de difícil acesso terrestre dentro do país, como vai ser o caso do Distrito Autônomo de Chukotka, localizado no extremo nordeste da Rússia, que será o destino desta unidade, sendo que, futuramente, poderá ser transferida para qualquer local que se faça necessário.

O custo total do projeto, desde o início da construção da unidade em 2009, à fase de transporte e, finalmente, o assentamento no local pré-determinado no Oceano Ártico, ficará em torno de 30 bilhões de rublos (cerca de 1,7 bilhão de reais) e terá a participação de várias agências estatais russas, como é o caso da Agência Federal para Transporte Marítimo e Fluvial da Rússia (Rosmorrechflot), a Empresa Estatal Rosenergoatom Concern (responsável pelo ciclo de vida de todas as usinas nucleares russas) e a Corporação Estatal de Energia Nuclear Russa (Rosatom – responsável pela construção da usina).

Num primeiro momento da “viagem” da plataforma ela percorrerá uma rota marítima junto às costas da Escandinávia, Estônia, Finlândia, Suécia, Dinamarca e Noruega, e não carregará nenhum tipo de combustível nuclear, segundo acordos internacionais entre os países, sendo que terá somente seus dois reatores KLT-40S de 35 megawatts cada, abastecidos no local de destino, em 2019, evitando, assim, algum tipo de problema de segurança que possa ocorrer e, quando em funcionamento, poderão gerar energia elétrica e térmica suficiente para abastecer uma cidade com aproximadamente 100 mil habitantes.

Usina nuclear flutuante da Rússia II

Com essa nova modalidade de usina nuclear surgem também as manifestações contrárias ao seu desenvolvimento, especialmente por parte de Organizações Não Governamentais que têm forte apelo à proteção do meio ambiente e veem uma grande possibilidade de que esta nova tecnologia não apresente mecanismos de segurança o suficiente para se manter intacta aos efeitos de ciclones ou tsunamis, ocasionando acidentes nucleares de grandes proporções, como o ocorrido em Chernobyl no ano de 1986.

O Kremlin garantiu que os processos de segurança, tanto no transporte como na operação da usina flutuante, respeitam as mais rígidas normas internacionais de segurança e se utilizará desta nova tecnologia para dar suporte aos meios de exploração de reservas de hidrocarbonetos na Sibéria.

Segundo especialistas em Direito Internacional, a utilização de novas tecnologias em usinas nucleares é garantida no tocante de que as economias dos países estão alicerçadas sob a base da segurança energética, cabendo a cada um deles a escolha da futura matriz energética substitutiva da atual, cujas fontes primordiais são o petróleo e o gás natural, e que a construção de usinas flutuantes nucleares pela Federação Russa, a princípio, tem viés de autodeterminação desta nação, cabendo apenas a submissão às normas internacionais referentes à energia nuclear e, vale lembrar, que o argumento usado para o desenvolvimento de tal tecnologia é puramente pacífico, pois intenciona levar energia elétrica à regiões inóspitas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Usina nuclear flutuante da Rússia” (Fonte):

https://russian.lifeboat.com/blog.images/russia-has-launched-a-floating-nuclear-power-plant-critics-are-calling-nuclear-titanic.jpg

Imagem 2 Símbolo da Rosatom” (Fonte):

https://www.petronoticias.com.br/wp-content/uploads/2015/03/rosatom.jpg

Imagem 3 Usina nuclear flutuante da Rússia II” (Fonte):

http://docplayer.ru/docs -images/67/57337718/images/426-0.jpg

Edson José de Araujo - Colaborador Voluntário

Bacharel em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA) e pós-graduado em Economia de Empresas pela FEA-USP. Especialista em finanças (FP&A) com mais de 20 anos de experiência em empresas multinacionais na área de Planejamento Financeiro e Controladoria com certificação 6Sigma Green Belt. Atuou durante 7 anos como educador no Projeto Formare da Fundação Iochpe ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Atualmente é pós-graduando em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tem grande interesse nas áreas de Geopolítica, Relações Internacionais e Economia Política Internacional.

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