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Rússia repudia novas sanções européias contra a Síria

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Na segunda-feira, dia 12 de setembro, o governo russo repudiou a decisão tomada no dia 9, sexta-feira, pelos principais líderes da União Européia de embargar as importações de petróleo sírio. A idéia é criar dificuldades econômicas ao país, paralelamente às pressões para que o governo encerre a repressão e o uso da violência contra as manifestações populares que assolam a Síria desde o dia 15 de março deste ano, 2011.

 

Os europeus estão afirmando que o embargo pode ir além do petróleo, já que, apesar de 95% do óleo explorado no território seja importado pela Europa, esta perda poderá ser contornada por meio da captação de recursos por outras fontes e, principalmente, devido a discordância entre as potências mundiais acerca da forma como se deve agir na Síria, o que pode gerar auxílios extras. Ressaltando-se que também há divergências sobre as considerações acerca do presidente e seu regime, que já foi visto como ponto de equilíbrio na região, mesmo com a aliança que ele tem com o Irã.

Observadores estão apontando que o discurso das potências estão avançando para uma interferência direta na política síria, já que muitos líderes estão declarando haver intenção de que Assad seja afastado do poder neste apoio que vem sendo dado aos manifestantes.

Isto tem trazido críticas aos europeus e norte-americanos, bem como respaldo ao comportamento russo e chinês que são antagonistas em relação as sanções impostas ao país, tal qual afirmou a Interfax o ministro dos “Negócios Estrangeiros” da Rússia, Sergueï Lavrov: “Já dissemos que sanções unilaterais não são boas. Isso destruirá uma abordagem comum da crise. Além disso, as sanções raramente são a solução”*.

A questão está ficando mais complexa, à medida que não estão claras as etapas de uma possível substituição do regime atual pela ascensão ao poder dos opositores, os quais não configuram de imediato uma aliança com o Ocidente, ou a busca do equilíbrio regional.

O governo turco, por exemplo, tem apontado o elevado risco de ser gerada uma guerra civil com resultados imprevisíveis, pois dificilmente ela ficaria restrita às fronteiras da Síria. A grande maioria dos observadores tem apontado que no caso sírio, a ocorrência da guerra civil tenderia a se alastrar pelo envolvimento dos vizinhos, em especial, com o risco de Israel ser arrastado por ações de terceiros.

A Rússia tem sido o ponto central da resistência às grandes potências, pois vem trabalhando para não permitir que ocorra o mesmo que se deu na Líbia, onde ela perdeu influência, negócios e viu interrompidas as exportações de armamentos que fazia para o governo Kadhaffi.

Por isso, não quer que haja mais sanções e embargos, uma vez que não está admitindo renunciar as suas exportações de armamentos para Assad. De qualquer forma, o argumento que apresentam é que o comportamento das grandes potências tem sido parcial, pois não estão dando oportunidades para que ambos os lados sejam ouvidos e se busque o equilíbrio das propostas, dentro das exigências manifestadas.

Tal percepção acabou sendo reforçada pelas declarações na semana passada do ministro francês dos “Negócios Estrangeiros”, Alain Juppé, o qual afirmou que “Se Bachar al-Assad não sair, se não houver mudança de regime, será necessário aumentar a pressão sobre a Síria”*, e do primeiro-ministro britânico, David Cameron, que tem insistido em novas sanções contra a Síria, bem como na saída de Assad, declarando que “Não vemos futuro para o presidente Assad e para seu regime”**.

Ou seja, ambos deixaram claro que não há pretensão de negociar uma transição com o atual presidente e se está deixando também explícita, sem máscaras, a interferência internacional direta no problema interno sírio.

Os analistas não arriscam sobre o desfecho da crise, mas apostam que a tendência é de que o conflito e a violência evoluam, não descartando a alta probabilidade de uma guerra civil, diante da divergência de posicionamentos entre as potências mundiais e pelo fato de russos e chineses estarem agindo prematuramente garantindo mais tempo a Bashar Al Assad para evitar que se reproduza o que ocorreu na Líbia, onde com o titubeio de ambos acabaram perdendo espaços que dificilmente recuperarão em curto e médio prazos.

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* Fonte:

http://www.opais.net/pt/opais/?det=23193&id=1551&mid=293

** Fonte:

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5gJfahL0T8aPmadv-KS9hxexuJnQQ?docId=CNG.5e39c3080016d48198571ee0f7691bfd.751

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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