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Sanções Internacionais e queda do preço do petróleo agravam a Crise Econômica Iraniana

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A Economia iraniana está sendo afetada por uma crise que tende a se agravar em 2015. A atual situação econômica do Irã é atribuída, também, às administrações anteriores, principalmente durante os mandatos do presidente Mahmoud Ahmadinejad. O conjunto de políticas erradas, a nível interno e externo, está levando ao estrangulamento econômico do país, agravado pelas sanções econômicas dos EUA e da União Europeia (em decorrência do Programa Nuclear Iraniano) e pela queda do preço do petróleo no mercado internacional. A inexistência de um acordo sobre a questão nuclear, para pôr fim ao embargo econômico, provocou a queda acentuada no mercado de ações iranianas, o qual se desvalorizou em torno de 20%, em 2014. O Rial, a moeda nacional, sofreu uma desvalorização acentuada em relação ao Dólar. O setor privado reduziu os investimentos em virtude dos riscos que se acentuam ante a permanência das sanções, tendo o mercado do petróleo perdido espaço para a Arábia Saudita, o Kuwait e o Iraque[1].

Segundo Sarie Khalid, um analista econômico, o Governo iraniano previu o preço do petróleo a USD$ 120,00, tendo revisto para USD$ 100,00 o preço base, mas isto não se concretizou, na medida em que a commodity sofreu uma redução brusca de preço. Este fato implica a necessidade de diminuição drástica nos gastos governamentais, que enfrentam uma inflação galopante de 25% e a deterioração do setor privado que conta, hoje, com inúmeras falências e empresas deficitárias devido à falta de peças de reposição para a indústria[2].  A administração de Hassan Rouhani insiste em resistir às sanções que têm afetado não somente a Economia do país, mas têm gerado problemas humanitários. Muitos iranianos com doenças graves sofrem com a falta de medicamentos. De acordo com informações, em 2013, 85 mil pacientes com câncer estavam sem condições de prosseguir os tratamentos de quimioterapia e de radioterapia por escassez dos produtos utilizados nestas terapêuticas[3].

A redução dos subsídios, a inflação alta e o desemprego em ascensão poderão agravar ainda mais a situação dos iranianos que já enfrentam dificuldades para suprirem as necessidades básicas de saúde e de alimentação. Com uma população de 78 milhões de pessoas, sendo que 60% tem menos de 20 anos[4], o Irã necessita urgentemente de criar empregos, mas a perspectiva a curto prazo não é animadora. De acordo com analistas, a taxa de desemprego poderá chegar a 25%, o que significa uma bomba-relógio para um país que não tem conseguido controlar a inflação, nem colocar em funcionamento os setores mais produtivos da Economia como, por exemplo, o Turismo. Os investimentos externos estão paralisados enquanto perdura uma Economia dependente da venda de petróleo[5] e de aliados como a Rússia que, no momento, também passa por dificuldades econômicas e a China, que se encontra em fase de desaceleração do crescimento.

O Irã terá que resolver os seus problemas internos a partir da redução de gastos, opção que terá consequências diretas sobre a população. Uma de suas demandas externas, que consome uma parcela significativa do orçamento de Estado, pode tornar mais complexa a questão, pois o financiamento de grupos insurgentes, como o Hezbollah, no Líbano e na Síria, as milícias no Iraque e os Houthis, no Iêmen[6], envolvem despesas enormes. Neste momento, o Irã necessita de definir uma estratégia para sair da estagnação econômica, devendo repensar a própria estrutura do Governo, considerada corrupta e ineficaz. As cedências para colocar um fim às sanções econômicas e reestabelecer a confiança internacional são um fator decisivo para tentar reerguer a Economia do país e oferecer condições de vida satisfatórias em ordem a evitar uma possível revolta da população.

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Imagem Mona, uma criança iraniana, vende papéis da fortuna no metrô em Teerã” (Fonte):

https://blogs.ft.com/photo-diary/files/2014/01/iran.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.khaleejtimes.com/biz/inside.asp?xfile=/data/opinionanalysis/2015/January/opinionanalysis_January29.xml&section=opinionanalysis

[2] Ver:

http://www.khaleejtimes.com/biz/inside.asp?xfile=/data/opinionanalysis/2015/January/opinionanalysis_January29.xml&section=opinionanalysis

[3] Ver:

http://cointelegraph.com/news/113493/bitcoin-irans-savior-in-the-economic-crisis-op-ed

[4] Ver:

http://www.khaleejtimes.com/biz/inside.asp?xfile=/data/opinionanalysis/2015/January/opinionanalysis_January29.xml&section=opinionanalysis

[5] Ver:

http://www.khaleejtimes.com/biz/inside.asp?xfile=/data/opinionanalysis/2015/January/opinionanalysis_January29.xml&section=opinionanalysis

[6] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/commentary/564817-the-mahdi-is-not-coming-to-hezbollahs-state

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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