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São Paulo Fashion Week – Moda e Relações Internacionais

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Sábado passado, dia 21, São Paulo iniciou sua semana de Moda, a São Paulo Fashion Week (SPFW), entre os dias 21 e, hoje, 26 de abril, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera, localizado na capital paulista. O evento chega em sua edição de número 45, repleto de amantes do mundo fashion, porém, muitos desconhecem o quanto há de relações internacionais em todas as Fashion Weeks que ocorrem pelo mundo.

Não se precisa discutir sobre a Moda para ver de forma simples a relação entre ela e as relações internacionais. Nesse sentido, acontecimentos como a SPFW e o Minas Trend são recheados de marcas e figuras internacionais e tornam tais ambientes uma vitrine de negócios a nível mundial.

Desenho de mulheres na Segunda Guerra Mundial com peça militar

Mesmo em todas as guerras registradas na história do homem, em seus campos de combate, a moda esteve presente com os exércitos usando cortes e cores diferentes em seus uniformes e armaduras para facilitar na identificação durante as batalhas.

Observando-se apenas a era moderna, pode-se ter a Segunda Guerra Mundial como ponto de referência, quando ela teve um importante impacto para o cenário do estilismo, numa época de simplicidade no vestuário de homens e mulheres, com escassez de recursos, influenciando na preocupação de militares com os uniformes de seus soldados, sabendo-se que uma cor e um corte diferenciado faziam muita diferença no front de batalha.

No ano de 2015, o Imperial War Museum de Londres promoveu uma exposição com o tema da Moda nos anos 40, focado exatamente no conflito daquele momento e sua duradoura influência nesse setor, tal qual falou a historiadora Laura Clouting, uma das organizadoras da exposição, quando declarou que “Durante a guerra, assistimos a uma nova tendência determinada pela própria guerra. As roupas simples, com um lado arrumadinho são privilegiadas. Esse visual dos anos 40 perdurou até os nossos dias”.

Nas guerras mais modernas do século XX percebemos as relações internacionais e a Moda ligadas não apenas pelos conflitos, mas também pelos negócios, pois nem todos os países fabricavam seus próprios uniformes e alguns contavam com fabricação oriunda da indústria de países aliados.

Na atualidade, a moda militar deixou de ser objeto dos militares e suas tendências e tecnologia ganharam força para outros seguimentos, sendo muito vistas para a criação de vestimentas e acessórios para caçadores, pescadores, praticantes de esportes radicais, sobrevivência e virou mais um elemento que compõe a cultura pop fashion comum, vista em muitos civis que gostam de acessórios camuflados.

Ainda nesta questão da moda militar, sua evolução não foi importante apenas para o desenvolvimento de novas tecnologias de tecidos e itens de utilidade comum, mas também para o fortalecimento da indústria. Fabricantes de itens militares na era globalizada não tem apenas as Forças Armadas como clientes, mas sim bilhões de consumidores a nível mundial, tal qual se pode exemplificar no caso da empresa Oakley, muito famosa entre surfistas e praticantes de esportes de aventura, apesar de ser uma das principais fabricantes de itens para o Exército estadunidense.

A Moda e a sua ligação com as relações internacionais são muito amplas, principalmente por poder ser abordada por diversas linhas de pesquisa, pensamentos e por momentos históricos diferentes. A moda trabalha com o termo Tendências, que está ligado diretamente a um tempo histórico da humanidade, seja num período de transformação cultural, crises políticas ou financeiras, ou temas ligados ao meio ambiente.

Uma linha de estudo foi apresentada por alunos do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), em trabalho de conclusão de curso, no final do ano letivo de 2017. A Monografia “MODA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS: UM ESTUDO DE CASO DO PROJETO ‘INICIATIVA PARA UMA MODA ÉTICA’” trabalhou com o uso da moda para se compreender a inserção da mulher no mercado de trabalho mundial.

Ao longo da história, a mulher ganhou mais notoriedade fora do trabalho doméstico através de profissões ligados à moda, e foi ganhando seu espaço em outros setores econômicos, indo além do ambiente no mercado de trabalho convencional e também passou a compor forças de segurança. Sua importância além dos afazeres domésticos, da indústria têxtil e enfermaria foi bem perceptível na atuação da mulher como soldado, quando houve uma mudança nos uniformes militares, que começaram a ganhar um formato mais feminino para se adequar aos soldados femininos.

Atualmente, a moda sofre com os altos e baixos das últimas crises econômicas e em alguns países sofre muito com a instabilidade política neles. Nesse sentido, as Fashion Weeks buscam tratar as tendências ligadas a temas contemporâneos e elementos que compõem o cotidiano e a cultura de sua região.

Momento de desfile na São Paulo Fashion Week. Foto: Fabricio Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER

A São Paulo Fashion Week (SPFW) vem nesta edição com a temática da energia criativa, buscando explorar a criatividade das empresas e dos estilistas que participam do evento, mas não apenas isso, pois também visa mostrar que quaisquer pessoas podem ter seu momento de explosão criativa e, dessa forma, ganhar espaço no mercado mundial, explorando bem o nicho que cada um quer atingir. A explosão criativa é um tema que reflete no próprio evento que se enfraqueceu muito nos últimos três anos, com a perda de apoiadores e na redução constante de grandes grifes nacionais e internacionais.

Equipe tailandesa na São Paulo Fashion Week (SPFW). Foto: Fabricio Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER

Esse tipo de evento sempre foi considerado como uma das principais vitrines para o mercado da moda, senão a principal, porém não apenas para as marcas, mas também para outras empresas. Neste ano (2018), o Governo da Tailândia marcou presença na SPFW com o foco na promoção cultural e turística, utilizando a moda oriental como base.

Em edições anteriores, grandes empresas globais de seguimentos não diretamente ligados a este setor estiveram presentes na semana de moda paulistana, como foi o caso da Mercedes Benz. A gigante empresa do ramo automobilístico sempre apresentou suas mais poderosas e luxuosas máquinas no evento, focando na riqueza de seu acabamento interno, com tecidos nobres que realçam o glamour da marca.

Especialistas de moda dizem que esses eventos estão perdendo força, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. A crise financeira que atingiu os mercados os enfraqueceu e muitas marcas não têm como comparecer ou patrociná-los, por isso, adotaram medidas mais simples e baratas, como criar suas próprias mostras.

Além disso, o que está em discussão é a atual postura dos estilistas, que agora apresentam suas grifes de forma mais simplificada, seguindo uma linha baseada na expressão “veja e compre agora”. A ideia de criar tendências voltadas para público mais popular e para que as grandes empresas já possam tê-las na semana seguinte para produção em massa tem fragilizado as semanas de moda, pondo em xeque sua real necessidade, afinal, os próprios eventos ainda são fechados, destinados a um pequeno e seleto grupo de convidados e não se tornou algo popular, o que, no entanto, bate de frente com o que está sendo produzido e apresentado nas fashion weeks pelo mundo.

Na atualidade, o trabalho de marketing, visando negócios nacionais e internacionais, o pensamento cultural e o período histórico de cada região, está muito enfraquecido nas vitrines e nas passarelas da moda, cabendo uma atualização de conceitos, com o estudo e a reavaliação do que está sendo feito, pois, hoje, a moda precisa cada vez mais das Relações Internacionais, já que necessita que os profissionais desta área montem o quebra cabeça com as peças dos gestores e criadores de conteúdo. Nesse sentido, a tendência não é apenas criar, mas revisar e adaptar todo um universo ao atual momento global, que tem economia fraca, escassez de recursos e, ainda, a desigualdade desenfreada.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Desfile da São Paulo Fashion Week (SPFW)” (Fonte – Fabrício Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER):

Imagens – Foto do autor

Imagem 2 Desenho de mulheres na Segunda Guerra Mundial com peça militar” (Fonte):

https://conscienciajeans.com.br/moda-militar-descubra-como-surgiu-essa-tendencia

Imagem 3 Momento de desfile na São Paulo Fashion Week” (Fonte – Fabrício Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER):

Imagens – Foto do autor

Imagem 4 Equipe tailandesa na São Paulo Fashion Week (SPFW)” (Fonte – Fabrício Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER):

Imagens – Foto do autor

Imagem 5 da equipe tailandesa na São Paulo Fashion Week (SPFW)” (Fonte – Fabrício Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER):

Imagens – Foto do autor

Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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