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Secretário da ONU pede embargo de armas à Síria

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O Secretário Geral da ONU, Ban Ki Moon, pediu na última sexta-feira, 20 de junho, que a comunidade internacional impusesse um embargo de armas à Síria.Segundo Ban, “é irresponsável que governos estrangeiros e grupos continuem a dar apoio militar à facções sírias que estão comprometidas a cometer atrocidades[1].

O Secretário se mostrou aborrecido pela incapacidade de ação dos países ocidentais frente a um conflito que em pouco mais de três anos conta com índices preocupantes: 160.000 mortos[2], mais de 2,5 milhões de refugiados e 6,5 milhões de Pessoas Deslocadas Internamente (PDI)[3]. “Eu urjo o Conselho de Segurança a impor um embargo de armas. Se as divisões do conselho continuarem a prevenir tal passo, eu urjo os países a fazerem-no individualmente[1] – afirmou Ban durante discurso em Nova York.

Até o momento, quatro Resoluções relacionadas ao conflito foram vetadas pela Rússia na ONU (um dos maiores parceiros da Síria nos últimos anos, tendo efetivado suas estreitas relações bem antes da crise, razão pela qual é um dos principais fornecedores de armas juntamente com o Iran) acabando por bloquear tentativas de prover ajuda humanitária aos refugiados e PDIs. Isso por questionarem a veracidade desta ajuda, bem como os riscos de estarem sendo enviados subsídios para os rebeldes ao invés da ajuda humanitária, além do que, os russos exigem a participação do Governo sírio no caso de quaisquer auxílios do gênero, pois afirmam que ajudas humanitárias devem ser dadas a todo o povo.

Ademais, a Rússia também tem impedido de levar o conflito à Corte Criminal Internacional, pois suspeita sobre a isenção que será adotada para que realmente ambos os lados sejam igualmente considerados na Corte, já que as acusações de crimes contra a humanidade podem ser aplicadas de forma idêntica para todos os grupos envolvidos no Conflito.

Por essa razão, acredita-se que se o Conselho propuser um embargo de armas, como pede Ban, há grandes chances de a Rússia, aliada ao recentemente reeleito presidente sírio Bashar Al-Asad, além da China, que tem evitado se posicionar, vetarem a proposta[4].

Enquanto Rússia, China e Iran apoiam o Governo, o Ocidente não fica para trás em em seu posicionamento, apoiando diversas facções “rebeldes” que são compostas por vários grupos distintos, alguns deles questionados internacionalmente, uma vez que tem sido identificados vínculos com grupos terroristas monitorados mundialmente.

A Conselheira de Segurança Nacional Norte-Americana e embaixadora do país na ONU, Susan Rice, admitiu há duas semanas que os Estados Unidos forneciam armas letais e não-letais à grupos rebeldes sírios civis e militares ditos moderados. Muitos veículos midiáticos afirmam ainda que os país teria oferecido treinamento militar à tais grupos. Isso depois de afirmar durante muito tempo que a ajuda americana era apenas humanitária ou não-letal sob o medo de que possíveis armas fornecidas pudessem cair nas mãos de terroristas[5].

A União Europeia também não pode ser excluída da observação. Tendo acordado um embargo completo de armas à Síria em maio de 2011 em resposta à violência da opressão governamental à revolução, discórdias internas quanto ao fornecimento de armas à grupos rebeldes moderados levaram grandes partes do embargo a serem retiradas em junho de 2013[6].

O problema de armar diversos grupos rebeldes, como o Ocidente vêm fazendo, é a possibilidade de criar o que o ex-enviado da ONU na Síria, Lakhdar Brahimi, chamou de “Somalização do país”, quer dizer, a divisão do território em diversas áreas controladas por Caudilhos ou, em inglês, Warlords(“Senhores da Guerra”)[7].

Para impedir tal situação, Ban Ki Moon sugeriu um plano de seis pontos para a Síria: “acabar com a violência, proteger civis, começar um processo político sério*, assegurar a responsabilidade dos culpados, terminar a destruição das armas químicas sírias e abordar a dimensão regional do conflito, inclusive a ameaça extremista[8].

No último ano (2013), a preocupação com a expansão de grupos islâmicos extremistas e até terroristas vindos de um conflito cada dia mais sectário e regional, cresceu exponencialmente entre os governos ocidentais, especialmente quando jihadistasde países como França, Reino Unido, Líbia, Tunísia, Jordânia e muitos outros se juntaram à guerra[9]. Além disso, a fronteira porosa já permitiu o transbordamento da violência para o Iraque e o Líbano, trazendo o questionamento sobre quem será a próxima vítima de um conflito que, segundo Ban Ki Moon, já transformou a Síria em um Estado Falido[10].

Apesar de estar frustrado com o andamento da Crise, o Secretário da ONU prometeu que a organização não vai abandonar o povo sírio à própria sorte e pediu que o mundo também não o faça[11].

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* Ban afirmou que as eleições que consagraram Bashar no poder em junho “não atenderam nem mesmo um padrão mínimo de credibilidade de votos[12].

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ImagemBan Ki Moon pede que Conselho de Segurança da ONU faça embargo de armas à Síria” (FonteReuters):

http://english.alarabiya.net/en/News/middle-east/2014/06/20/Ban-Ki-moon-calls-for-arms-embargo-on-Syria.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://news.yahoo.com/uns-ban-calls-arms-embargo-syria-153507821.html

[2] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/2014/05/19/syria-war-death-toll_n_5353021.html

[3] Ver:

http://www.unhcr.org/5321cda59.html

[4] Ver:

http://www.gulf-times.com/region/216/details/397244/un-chief-calls-for-embargo-on-syria-arms

[5] Ver:

http://rt.com/news/164536-syria-rebels-supplied-lethal/

[6] Ver:

http://www.sipri.org/databases/embargoes/eu_arms_embargoes/syria_LAS/eu-embargo-on-Syria

[7] Ver:

http://rt.com/news/165200-syria-arms-warlords-rebels/

[8] Ver:

http://in.reuters.com/article/2014/06/20/syria-crisis-un-idINL2N0P10QY20140620

[9] Ver:

http://www.washingtonpost.com/world/middle_east/foreign-extremists-dominate-syria-fight/2013/10/01/5871685e-2ae7-11e3-b141-298f46539716_story.html

[10] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/06/un-chief-seeks-arms-embargo-syria-conflict-201462015511749875.html

[11] Ver:

http://www.gulf-times.com/region/216/details/397244/un-chief-calls-for-embargo-on-syria-arms

[12] Ver:

http://english.alarabiya.net/en/News/middle-east/2014/06/20/Ban-Ki-moon-calls-for-arms-embargo-on-Syria.html

Taise Moreira - Colaboradora Voluntária

Mestranda em Segurança Internacional com especialização no Oriente Médio e em Inteligência pela Sciences Po Paris. Graduada em Jornalismo pela PUC-Rio. Foi bolsista CNPQ para estudo do uso da mídia nas eleições municipais de 2012 no Rio de Janeiro.

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