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[:pt]Segurança alimentar em Moçambique sob estado de alerta[:]

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Situações de vulnerabilidade social arquitetadas em combinação da ação do homem e das condições naturais – quando, em última instância, não são essas também consequências da própria ação humana sobre o meio ambiente – representam as situações mais delicadas à existência humana e à reprodução social. E a região sul de Moçambique representa, atualmente, local de elevados índices de vulnerabilidade social, à medida que condições climáticas e sociais põem em risco a segurança alimentar de seus habitantes.

Como já foi relatado neste jornal em outras ocasiões, um dos principais aspectos da atual crise econômica a qual Moçambique é exposto consiste na aceleração da inflação. Se em setembro do ano passado (2015) a inflação acumulada dos doze meses anteriores era de 2,73%, os dados oficiais de julho deste ano (2016) indicam uma inflação acumulada nos últimos doze meses de 20,68%. Às populações mais pobres, o aumento da inflação representa uma maior dificuldade na aquisição de alimentos e maior propensão à ingestão insuficiente de calorias e nutrientes necessários ao corpo humano, ao longo de um dia.

Mais do que reflexo meramente da escassez de divisas e da desvalorização do Metical (moeda moçambicana) – fato que encarece as importações –, a pressão inflacionária em Moçambique é produto das raras chuvas nas principais regiões produtoras de alimentos do país. De outubro de 2015 a abril de 2016, tipicamente o período mais chuvoso no país, registraram-se precipitações abaixo da média em todo o território nacional, mas principalmente na região sul.

Com a seca, diminuiu expressivamente a produção de alimentos, como o milho e o arroz. Em Beira, região central, registrou-se um aumento médio de 24% no preço do milho de junho para e julho, enquanto que em Pemba, no extremo norte do país, o preço do arroz para o mesmo período subiu em média 11%. Os aumentos expressivos refletem uma quebra na produção geral de alimentos, fato que impulsiona os agricultores a atividades paralelas, como a exploração de carvão e a comercialização de plantas, atividades que aumentam a degradação do meio ambiente local.

Agosto e setembro são os meses quando, usualmente, os agricultores colhem uma série de vegetais nas províncias ao sul de Moçambique. No entanto, a reduzida umidade nos campos, já desde o início ano, comprometeram a colheita, tornando a população desta região dependente de auxílios governamentais e de organizações não governamentais para garantir a subsistência. Estima-se que, na região sul, cerca de um milhão e meio de pessoas estejam em uma situação de insegurança alimentar.

Na sexta-feira da semana passada, dia 2 de setembro, o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) afirmou que dispõe das condições necessárias para apoiar esta parcela da população que se encontra em delicada situação de risco. Segundo Paulo Tomas, porta voz do instituto, “será monitorada como a situação se desenvolve no local, em termos do número de pessoas afetadas pela seca, e serão avaliadas as previsões meteorológicas para a estação chuvosa que está por vir”.

Casos como este se tornarão mais comuns nos próximos anos, à medida que se tornam mais sensíveis os efeitos das mudanças climáticas. No entanto, países em desenvolvimento, mais suscetíveis a restrições no orçamento público e palco de conflitos internos, serão aqueles cuja população local mais sofrerá o impacto de anomalias naturais sobre o seu estilo de vida.

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Imagem (FonteClub of Mozambique):

http://clubofmozambique.com/news/1-5-million-face-food-insecurity-in-mozambique/

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Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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