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Segurança Nacional do século XXI e os mísseis supersônicos

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Na última quinzena de junho deste ano (2015), as Forças Armadas da Rússia realizaram o teste de um míssil supersônico, que, segundo as autoridades russas, já poderá estar operando em meados de 2020[1]. A mídia tem destacado a vantagem estratégica desse tipo de míssil, como um certo tipo de invisibilidade para os sistemas de escudo antimísseis, quando, na verdade, ele é apenas capaz de superar a velocidade dos projéteis utilizados nos sistemas de defesa da atualidade, que foram projetados para atingir mísseis balísticos com rotas em parábola.

Devido a capacidade furtiva desse sistema e sua capacidade de carga para ogivas, analistas internacionais levantam questionamento a respeito da necessidade de revisão dos tratados de 2010, assinados pelos países do Conselho de Segurança, que não incluem mísseis desse porte, pois, até então, a única categoria de mísseis que faz uma rota semelhante é aquele da classe similar ao “Tomahawk”, o qual, apesar de curta distância e rota rente ao solo, não possuí capacidade para carga de ogivas.

É preciso observar que, caso a revisão dos Tratados de 2010 não seja realizada, analistas indicam que será possível identificar no panorama internacional um cenário semelhante aos meados da segunda metade do século XX, pois, além da Rússia possuir tal tecnologia, a China e os próprios Estados Unidos também a desenvolvem, gerando incertezas sobre as reais vontades de cooperação político-estratégica desses atores na sociedade internacional.

Outros analistas consideram arriscado caracterizar a possível volta da Guerra Fria aos moldes do século XX, uma vez que as estruturas políticas são diferentes e não existe por parte desses atores – EUA, China e Rússia – conflitos políticos diretos, mas interesses expansionistas econômicos, em que são admissíveis debates em âmbitos legais no atual sistema internacional, dado que todos os atores são respeitadores e demonstram interesse de participação nas esferas de representação internacional.

Mesmo que a Rússia não busque um embate direto aos moldes do século XX, é possível identificar sua vontade em demonstrar sua capacidade de desenvolvimento tecnológico e interesse em estar presente na vanguarda da tecnologia bélica, pois não é novidade que o Estados Unidos aprimoram a tecnologia civil na medida que desenvolvem novas tecnologias militares. Idem a China, que cada vez mais tem buscado se tornar um “think tank” em tecnologias de ponta.

Tanto a China como a Rússia têm apostado nas feiras de tecnologia bélica pelo mundo. A Rússia jogando no desenvolvimento de lançamento de satélites e em sua indústria de helicópteros e aviões[2], tanto civis como militares, e a China, promovendo, em igualdade, sua possibilidade de lançamento de satélites e indústria automotiva, com veículos de transporte de tropas e blindados[3].

Russos e chineses também tem obtido resultados satisfatórios de escoamento tecnológico em mercados emergentes, mas, com o retorno da escalada de possíveis guerras convencionais, fazendo com que a demanda por materiais bélicos de guerra convencional aumente, pode ocorrer uma expansão de mercados, tanto para a Rússia e China, como para os tradicionais mercadores desse segmento: Estados Unidos e Europa. Vide o próprio desenvolvimento de mísseis supersônicos.

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Imagem (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Perseus

Link direto da foto:

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/d/d5/MBDA%27s_Perseus.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver Secret Russian Hypersonic Nuke Glider Can Pierce Any Missile Defense” (Publicado em 28 de junho de 2015):

http://sputniknews.com/military/20150628/1023954331.html

[2] VerSerguei Ladiguin Entrevista do ViceDiretorGeral da Rosoboronexport” (Publicado em 13 de abril de 2015):

http://www.defesanet.com.br/russialaad2015/noticia/18752/Serguei-Ladiguin—Entrevista-do-Vice-Diretor-Geral-da-Rosoboronexport/

[3] Ver SHACMAN Caminhões Militares” (Publicado em 14 de abril de 2015):

http://www.defesanet.com.br/laad2015/noticia/18758/SHACMAN—Caminhoes-Militares-/

Daniel Costa Sampaio - Colaborador Voluntário Júnior

Pósgraduado em Ciência Política (IUPERJ) e Bacharel em Relações Internacionais (UCAM). Experiência profissional em Representação Comercial e atualmente Gerente de Projetos e Novos Negócios na Prefeitura do Rio de Janeiro. No CEIRI Newspaper escreve no grupo Europa desde março de 2013, em que desenvolve publicações com ênfase na Política Externa Russa.

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