LOADING

Type to search

Setores público e privado são essenciais para aumentar a oferta de energia elétrica na África

Share

Nas últimas décadas, a África Subsaariana pouco evoluiu em termos de acesso à energia elétrica: se 22% da população, em média, tinha acesso à eletricidade em 1990, em 2010, este índice aumentou pouco, indo para a marca de 31%[1]. Os indicadores são ainda piores à população rural: 8% da população tinha acesso ininterrupto à energia elétrica em 1990; em 2010, este índice não passava dos 14%[1].

Os entraves à consolidação da oferta deste serviço na África Subsaariana são enormes. Uma das principais barreiras são as inúmeras guerras civis existentes no continente, que impedem a execução de políticas públicas voltadas a este setor. Países que recentemente saíram de guerras civis, como Angola, Moçambique e Ruanda, apresentam ainda baixos níveis de acesso à eletricidade. A recente estabilidade social nestas nações serve como conjuntura favorável à condução de políticas de expansão de acesso a este serviço.

Tendo em vista este objetivo, o Governo angolano anunciou na semana passada a criação de um Fundo Nacional para expandir o acesso à energia elétrica nas zonas rurais[2]. Províncias interioranas como Bié e Huambo tiveram sua infraestrutura terrivelmente danificada com a guerra civil no país, finalizada somente em 2002, e sofrem hoje com baixas taxas de acesso à energia elétrica.

Pela dimensão das zonas rurais do país, justifica-se a criação de um fundo que  financie um programa estratégico de eletrificação rural a  ser aprovado pelo Executivo[2], afirmou o Ministro de Águas e Energia de Angola, João Baptista Borges. Entretanto, quando as ações governamentais não avançam em proporções semelhantes à necessidade diária da população local por energia, a sociedade civil, em parcerias com as empresas privadas e as fundações internacionais, tentam fazer a diferença.

É o que acontece, por exemplo, no caso da oferta de energia elétrica a partir do uso de smartphones. A empresa queniana SteamCo, ganhadora do Ashden International Gold Award de inovação tecnológica, conecta proprietários de microredes solares com a população rural do Quênia. Em linhas gerais, o sistema criado pela companhia funciona da seguinte maneira: através de um monitoramento em tempo real das micro-redes solares, proprietários podem obter resultados momentâneos de produção de energia e identificar qualquer problema operacional; aos consumidores, permite a compra online de energia elétrica através do próprio smartphone. Dessa maneira, este aplicativo visa suprir uma demanda restringida a partir de uma maior capacitação operacional dos ofertantes.

Ambos os casos acima demonstram que tanto os atores privados quanto públicos são essenciais para a consolidação de um serviço básico para a promoção do desenvolvimento econômico e social. Porém, tendo em vista os altos custos de implementação e distribuição, iniciativas públicoprivadas podem ser também uma importante estratégia para superar os problemas de oferta de energia elétrica na África Subsaariana.

——————————————————————————————

Imagem (FontePractical Action):

http://practicalaction.org/blog/2011/02/

——————————————————————————————

Fontes Consultadas:

[1] VerBanco Mundial Estatísticas”:

http://data.worldbank.org/

[2] Ver Jornal de Angola”:

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/arrendamento_ja_tem_lei_1

[3] Ver The Guardian”:

http://www.theguardian.com/sustainable-business/2015/jun/19/phones4power-using-mobile-phones-to-run-micro-grids-in-africa

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!