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A primeira Visita de Estado do premiê japonês Shinzo Abe aos Estados Unidos discutirá as principais premissas que norteiam a aliança entre os dois países. Na visita que ocorrerá na próxima semana, Abe e Obama conversarão sobre os rumos da Parceria Trans-Pacífico (TPP, na sigla em inglês) e as novas diretrizes de defesa EUAJapão.

Sobre as novas diretrizes de defesa e segurança que serão abordadas no encontro, as tensões regionais que permeiam o sudeste asiático, em especial o contencioso que envolve o Mar do Sul da China será o tema relevante. Segundo o Embaixador Japonês em Washington, Kenichiro Sasae, a classificação dada para a situação de segurança na região é uma “zona cinzenta”, ou seja, não está isenta de problemas e conflitos armados.

A preocupação de Tóquio está intimamente ligada ao possível desequilíbrio militar promovido pela ascensão chinesa que, através de um programa de modernização de suas forças militares, tem colocado pressão na região, zona de influência norte-americana desde o fim da Segunda Guerra Mundial e, hoje, parte integrante do novo plano de política externa para a Ásia conhecido como “Pivot para Ásia”, que foi promulgado na segunda gestão do presidente Barack Obama.

Para o Primeiro-Ministro Shinzo Abe, a aliança de mais de meio século com os Estados Unidos no que tange questões de Defesa será de fundamental importância para o novo ambiente que se configura na Ásia. Abe, nesse sentido, deseja que Washington mantenha essa cooperação como salvaguarda da soberania de seu país. Por outro lado, a Casa Branca anseia para que o Japão tome mais a iniciativa em programas regionais de Defesa e Segurança e, para tanto, as alterações na legislação pacifista pode ser uma forma de devolver o status de beligerância nipônica mais aguda em casos extremos de embates com vizinhos ao norte.

Outra questão a considerar no encontro entre os dois Chefes de Estado está relacionada à Parceria Trans-Pacífico (TPP, Trans-Pacific Partnership) reformulada para agrupar 12 países que englobam a região do Oceano Pacífico, sendo composta por: Brunei, Chile, Nova Zelândia, Cingapura, Austrália, Canadá, Japão, Malásia, México, Peru, EUA e Vietnã. Tal acordo colocará Estados Unidos e Japão como protagonistas do Bloco por serem as maiores economias dentre os membros, possibilitando movimentações estratégicas e diplomáticas, assim como o fortalecimento do poderio econômico em uma região onde Pequim almeja também impor suas políticas e interesses. Na visão da chancelaria japonesa, o Acordo Comercial, para tanto, fortalecerá não apenas a cooperação bilateral com os norte-americanos, mas auxiliará na expansão do Japão na região.

Para a Casa Branca, a TPP é uma oportunidade que Obama classificou no discurso do Estado de União desse ano como uma forma de impedir tentativas chinesas de ditar as regras do comércio global. Segundo especialistas em Relações Internacionais, a composição do Bloco gerará competição direta com a China, argumento este que poderia angariar apoio interno na Câmara dos Representantes e no Senado para aprovação do texto que libera a formação da integração econômica.

Uma vez que essas negociações que se arrastam há dez anos sejam permissivas a integração da economia asiática com Europa e América do Norte, ela criará condições favoráveis principalmente para estes dois principais protagonistas do bloco, Estados Unidos e Japão.

Além dos cortes tarifários e de cotas, a definição de regras de propriedade intelectual, serviços e concorrência tendem a beneficiar os norte-americanos que acreditam que a economia será impulsionada com uma injeção de US$ 77 bilhões por ano, a partir de 2025, assim como trará benefícios na liberalização do comércio de serviços que atualmente é o forte da economia estadunidense.

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Imagem (Fonte):

https://www.scmp.com/sites/default/files/styles/980w/public/2013/02/24/6250207887ceaf00fddcda32222eff8d.jpg?itok=ePCxT0W4

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://www.cfr.org/asia-and-pacific/future-us-alliance-system/p36445

Ver:

http://carnegieendowment.org/2015/04/13/what-new-u.s.-south-korea-civil-nuclear-cooperation-agreement-means/i6p1

Ver:

http://thediplomat.com/2015/04/what-to-expect-from-abes-us-visit/

Ver:

http://thediplomat.com/2015/04/us-japan-australia-security-cooperation-beyond-containment/

Ver:

http://br.wsj.com/articles/SB11613683466619763327504580591143610503512?tesla=y

Ver:

http://br.wsj.com/articles/SB10884764161162954107804580520720536271724?tesla=y

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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