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No dia 15 de julho de 2017, sábado retrasado, a polícia israelense fechou a Mesquita de al-Aqsa, cancelando as tradicionais rezas de sexta-feira. A ação ocorreu depois que três palestinos e dois policiais israelenses morreram em um confronto armado na área, dentro da cidade velha de Jerusalém. Após o ocorrido, as tensões entre Israel e Palestina tem se intensificado, reacendendo a disputas entre praticantes da religião judaica e muçulmanos que frequentam o local.

Barreira de proteção Israelense no território da Cisjordânia

Desde 1969, essa foi a primeira vez que Israel interveio sobre o funcionamento da Mesquita, o que acarretou na reação de palestinos e muçulmanos, pois é normal que milhares de pessoas se aglomerem no local para as rezas de sexta-feira. Dois dias após seu fechamento, al-Aqsa foi reaberta, porém, haviam sido instalados detectores de metal em suas entradas. Esse fato despertou ainda mais descontentamento entre os palestinos que reprovam a expansão do controle israelense sobre o espaço sagrado. Em protesto, líderes religiosos têm conduzido rezas nos portões da Mesquita, entretanto, forças de segurança de Israel estão agindo para mitigar as manifestações diárias.

Durante os conflitos entre os dois lados, dezenas de cidadãos foram feridos. Na noite do dia 18 (terça-feira) foram reportados pelos menos 50 palestinos nessa situação. O aumento da violência é preocupante para todos, uma vez que o espaço ocupado pela Mesquita de al-Aqsa é reverenciado tanto pelo Judaísmo quanto pelo Islã. Após Meca e Medina, o local é o mais sagrado para os muçulmanos, acrescente-se ainda que o Muro das Lamentações, local sagrado para os judeus, está localizado na parede oeste do complexo da mesquita, situado na cidade velha de Jerusalém.

Líderes regionais expressaram sua preocupação e pediram à Israel e à Jordânia que seja estabelecido um acordo com a maior celeridade possível, de modo a por um fim aos conflitos. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vem tentando abrandar o medo dos muçulmanos, afirmando que o status quo* da Mesquita será preservado. Em contrapartida, o Fatah, Partido do Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, aclamou e incentivou protestos contra as novas medidas de segurança israelenses. Isso ocorreu mesmo após Abbas ter demonstrado apreensão com a escalada da situação, em conversa direta com o Primeiro-Ministro de Israel.

As disputas entre palestinos e israelense sobre al-Aqsa acionou a atenção da comunidade internacional. Os países pediram calma e a restauração do status quo no complexo. Na terça-feira passada, dia 25 de julho, os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniram para discutir o futuro dos confrontos e a redução da escalada da violência na área. Durante o encontro, o enviado das Nações Unidas para paz no Oriente Médio, coordenador especial Nickolay Mladenov, alertou para o “grande risco” que os desdobramentos trazem para relação entre Israel e Palestina, de modo que o conflito pode se expandir para outros países da região.

Apesar das novas medidas de segurança terem sido o estopim para retomada das tensões entre a população de Jerusalém, os conflitos representam mais do que a possibilidade de mudança na condição da Mesquita. A contínua construção de assentamentos para população judaica na Cisjordânia faz com que, para os palestinos, a situação diga respeito também à sua percepção sobre a ocupação de Israel sobre seu território. Por esse motivo, a onda de protestos e de violência está se expandindo para regiões além de Jerusalém.

Buscando definir um equilíbrio entre a escalada da violência e a segurança na região da cidade velha de Jerusalém, Governo de Israel retirou, na madrugada do dia 26 de julho de 2017 (horário local), os detectores de metais da entrada da Mesquita al-Aqsa. Optou-se por consolidar suas medidas de segurança através de câmeras de circuito fechado.

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Notas:

* Desde que Israel ocupou a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, em junho de 1967, o mandato sobre o santuário em que se situa a Mesquita al-Aqsa tem sido realizado por confidentes islâmicos, com suporte do Governo da Jordânia, também conhecido como Waqf. Israel ainda mantém o direito de soberania sobre o território, conquistado junto com a parcela leste de Jerusalém. Sob o status quo, os muçulmanos têm o controle religioso sobre o complexo e os judeus podem visitar o local, porém aos últimos não é permitido orar dentro da Mesquita.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mesquita de alAqsa” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mesquita_de_Al-Aqsa#/media/File:Al-Aqsa_Mosque_by_David_Shankbone.jpg

Imagem 2 Barreira de proteção Israelense no território da Cisjordânia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Israel#/media/File:West_Bank_Fence_South_Hebron.JPG

Gabriel Mota - Colaborador Voluntário

Gabriel Mota Silveira é formado em Relações Internacionais. É mestrando do programa de pós-graduação em Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PPGRI/PUC-MG), com linha de pesquisa em Insituições, Conflitos e Negociações Internacionais. É pós-graduado em Relações Governamentais e Políticas Públicas pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), e discente associado ao Centro Brasileiro de Estudos Constitucionais do Instituto CEUB de Pesquisa e Desenvolvimento (CBEC-ICPD). Entusiasta do estudo do Terrorismo Transnacional e Insituições Internacionais. Já prestou serviço ao Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, trabalhou na Embaixada do Reino Unido em Brasília e no Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Atua hoje junto à Assessoria de Relações Internacionais da Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais.

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