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Sob o discurso da “Guerra ao Terror”, “Estados Unidos” intensificam ação na África

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A famosa frase “Guerra ao Terror” de George W. Bush, ex-presidente  dosEstados Unidos da América (EUA) marca um período de respostas aos atentados de “Onze de Setembro de 2001”. A partir desse evento, o tema terrorismo tem ocupado papel central na agenda da política externa dos governos norte-americanos.

Com a retirada das tropas que ocupavam o Afeganistão desde 2001 e do Iraque desde a invasão em 2003, o Pentágono adotou uma nova política estratégica, mas, agora, com foco no continente africano. Essa política tem por finalidade treinar e aconselhar as forças africanas “para enfrentar novas ameaças terroristas e outros riscos de segurança[1].

Para isso, o Pentágono viabilizou uma espécie de programa que abriga 3.500 soldados da “Primeira Divisão de Infantaria do Exército”, mais conhecido como “Big Red One”, que tem como propósito “conduzir mais de 100 missões na África ao longo do próximo ano[2]. Cabe destacar que, ainda em junho de 2012, Barack Obama, atual Presidente dosEstados Unidos”, afirmou que a nova estratégia política do Estado norte-americano para a África visa reforçar a segurança e a democracia naquele continente[3]. Essa nova estratégia respalda-se em quatro princípios: “reforço das instituições democráticas, estímulo ao investimento, prioridade na segurança e na paz e promoção do desenvolvimento[4].

As notificações, na última semana, de que o Pentágono pretende ampliar e intensificar as missões militares (e humanitárias) no continente africano ratificam o posicionamento de “Bronwyn Bruton”, “Vice-Diretora do Centro de Investigação Atlantic Council”, de que existe a “percepção geral, entre os analistas de segurança, de que a África será a próxima frente na guerra mundial contra o terrorismo. As pessoas têm a ideia de que a Al-Qaeda quando for expulsa do Iémen vai atravessar o Golfo. Já está na Somália e agora há o medo de que comece a interagir com o grupo Boko Haram[5], grupo militante islâmico, que atua na Nigéria. Nesse sentido, os “Estados Unidos” tem intensificado ações junto ao “Comando dos Estados Unidos para África” (AFRICOM) para capacitar soldados africanos, entretanto afirmam que haverá “uma presença limitada de pessoal americano no continente[6], como reforça o tenente-coronel do exército, Robert E. Lee Magee, o objetivo é ajudar os africanos a resolver os problemas africanos[7].

Desse modo, os “Estados Unidos” vem destinando soldados e instalado bases militares em países politicamente instáveis e constituídos por grupos e tribos extremamente conflituosas, como na Somália, Uganda, Quênia e outros.  Compete, contudo, ressalvar que a presença norte-americana no continente africano é antiga, mas, desde 2007, tem gradualmente se intensificado. Entre os países africanos, Djibuti é o que abriga a maior quantidade de soldados norte-americanos, cerca de 2 mil soldados, em razão da base militar permanente instalada no país, e receberá mais 150 homens no próximo ano. Esse enfoque do Pentágono prevê a alocação de soldados também na “África do Sul”, que receberá aproximadamente 350 homens destinados a promover exercícios aéreos e ajuda humanitária. Para general de exército Ray Odierno, a intenção dos “Estados Unidos” é criar um Exército com capacidade de mobilização e especialista na região, portanto, engajado em um comando militar regional, capaz de moldar e definir cenários a fim de assegurar a estratégia de segurança nacional[8].

Segundo Bruton, “a prioridade da administração Obama para [..] AFRICOM é […], sempre que possível, ajudar os militares locais. Acho que não há vontade de militarizar a política africana ou de ter uma grande presença militar no continente. Penso que deve ser entendido como uma ação de defesa dos Estados Unidos[9].  Em contrapartida, questiona-se se “os EUA não cometeram um grave erro implantando mais de mil bases militares ao redor do mundo. Essa rede tentacular, concebida para garantir a segurança nacional americana, na verdade parece ter atiçado conflitos e agravado a insegurança[10].

Tal questionamento pode ser exemplificado pelo caso do Afeganistão, pois neste país os reflexos da intervenção norte-americana são incertos após a saída das tropas estadunidenses e a “escalada da violência levanta dúvidas sobre a capacidade das forças locais para garantir a segurança do país[11]. Assim, igual raciocínio parece cabível para os países africanos, mesmo que nesse caso o quadro seja diferente. O envolvimento norte-americano pode desestabilizar e rivalizar ainda mais o continente que já está etnicamente fragmentado.

Como bem observa David Shinn, “ex-embaixador norte-americano na Etiópia e atual professor de Estudos Internacionais na Universidade George Washington”, é preciso “distinguir entre a forma como o governo vê estas atividades e como a população as encara. Talvez haja uma divergência, não sei. Mas penso que há uma grande desconfiança e hostilidade[12].

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Imagem (Fonte):

http://www.dw.de/mais-bases-norte-americanas-em-%C3%A1frica-para-combater-o-terrorismo/a-16030323 

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.nytimes.com/2013/10/19/world/africa/us-prepares-to-train-african-forces-to-fight-terror.html?_r=0

[2] Ver também:

Idem.

[3] Ver também:

http://www.dw.de/mais-bases-norte-americanas-em-%C3%A1frica-para-combater-o-terrorismo/a-16030323 

[4] Ver também:

Idem.

[5] Ver também:

Idem.

[6] Ver também:

http://angodenuncias.com/denuncias/?p=4806 

[7] Ver também:

http://www.nytimes.com/2013/10/19/world/africa/us-prepares-to-train-african-forces-to-fight-terror.html?_r=0 

[8] Ver também:

Idem.

[9] Ver também:

http://www.dw.de/mais-bases-norte-americanas-em-%C3%A1frica-para-combater-o-terrorismo/a-16030323 

[10] Ver também:

http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=876

[11] Ver também:

http://www.dw.de/futuro-do-afeganistão-é-incerto-após-saída-das-tropas-da-otan/a-17168792 

[12] Ver também:

http://www.dw.de/mais-bases-norte-americanas-em-%C3%A1frica-para-combater-o-terrorismo/a-16030323 

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Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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