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Srebrenica, uma das zonas de segurança, “Safe Areas”, estabelecidas pelas Nações Unidas durante a Guerra de independência da Bósnia (1992-1995), presenciou o enterro de mais 127 vítimas, no último dia 11 de julho, daquele que foi o maior massacre em território europeu desde a Segunda Guerra mundial. Em julho de 1995, em torno de 8 mil homens de origem muçulmana foram executados pelas forças sérvio-bósnias durante a guerra de dissolução da antiga Iugoslávia, em um local que estava protegido por forças internacionais.

Koffi Annan, Secretário-Geral da ONU (entre 1997 e 2007), escreveu, em 1999: “dentre erros, interpretações errôneas e inabilidade de reconhecer o escopo do mal nos confrontando, falhamos em fazer nossa parte para salvar as pessoas de Srebrenica da campanha sérvia de assassinatos em série”. Annan se referia a falha das forças de paz da ONU, à época compostas por tropas holandesas – que, posteriormente, foram condenadas pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (ICTY, em inglês).

Em 2015, a representação britânica dentro do Conselho das Nações Unidas (CSNU) levantou a proposta de votação para que o massacre passe a ser denominado como “genocídio”. A ação, que foi baseada nos Acórdãos do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia, acabou provocando descontentamento por parte da República Sérvia da Bósnia (República Srpska), terminando por acionar seu aliado dentro do CSNU, a Federação Russa, para vetar a nova Resolução.

Em um total, 38 pessoas foram sentenciadas pelos crimes cometidos em Srebrenica – somando casos nas cortes da Bósnia-Herzegovina e o ICTY. O veredito mais aguardado foi o do então Presidente da República Srpska, Radovan Karadzic, o qual acabou por ser sentenciado em 40 anos de reclusão (ainda em primeira instância), em março de 2016, pela participação nos massacres, além de crimes como perseguição, extermínio, assassinato, deportação forçada, terrorismo, ataques ilegais à população civil e de manter militares e civis como reféns. O antigo Chefe das Forças Armadas da República Srpska, Ratko Mladic, continua aguardando o julgamento (pelo ICTY) por genocídio, o que deverá acontecer ainda no ano de 2016.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a4/Srebrenica-Poto%C4%8Dari_Memorial_Center_2008.jpg

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Matheus Felten Fröhlich - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Sociais pela PUC-RS. Bacharel em Relações Internacionais (2014), pelo Centro Universitário Univates de Lajeado - RS, realizou estudos em Segurança Internacional na Högskolan i Halmstad em Halmstad, Suécia (2013). Áreas de interesse em pesquisa são em Política Internacional, Segurança Internacional, Península Balcânica e etnias nas Relações Internacionais.'

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