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[:pt]Suécia estuda reintroduzir o serviço militar no país[:]

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Há algumas semanas, o Governo sueco enviou às pressas um grupo de 150 militares para a Ilha de Gotland, na região do Mar Báltico, com o objetivo de efetivar permanência. A decisão teve por base o noticiário de um jornal local, o qual fez declarações incisivas sobre a possibilidade de uma invasão russa ao país, mediante acesso a supostos documentos secretos da Rússia que apontariam referências à exploração de fontes no território sueco.

Esta questão ampliou o debate sobre a reintrodução do serviço militar para a população, o qual foi suspenso em 2010. Para tanto, o Governo iniciou a confecção de um inquérito, a fim de obter métodos de trabalho viáveis entre o dever e o voluntariado. A proposta atual visa obter um equilíbrio entre ambas as perspectivas e possui ênfase no caráter voluntário do serviço, que iniciaria em 2017, com o convite aos jovens; passando para a seleção, em 2018; e, finalmente, o ingresso, em 2019, na hipótese de aptidão e desejo pela profissão.

Annika Nordgren Christensen, a parlamentar pelo Partido Verde que atuava na política da área de defesa, e é uma das investigadoras do inquérito, expressou o objetivo do Governo: “A missão é descobrir como podemos fazer um sistema com ênfase no livre arbítrio e como combiná-lo com o dever de serviço, sob a lei atual, como eles fazem na Noruega e na Dinamarca”. Na mesma temática, o Ministro da Defesa da Suécia, Peter Hultqvist, mencionou: “O atual sistema não se sustenta”. Fez tal declaração, ao frisar sobre a necessidade de complemento às Forças Armadas e explicitar o que significa o recrutamento voluntário.

Segundo uma pesquisa nacional feita pela empresa Metrologia Novus, 68% dos suecos consideram uma boa ideia a reintrodução do serviço militar obrigatório no país, enquanto 16% optaram pela negativa. No plano partidário, os maiores otimistas são: os adeptos do Partido Social Democrata da Suécia (SD – Sverigedemokraterna), os quais contam com 86% de aprovação; as alianças simpatizantes, que obtiveram 74% de aprovação; e a junção entre o Partido Social Democrata (S – Socialdemokraterna), o Partido Verde (MP – Miljörpartiet de Gröna) e o Partido da Esquerda (V – Vänsterpartiet), que possuem 59% de aprovação. Porém, é preciso salientar que o índice nos Partidos MP e V declinam em mais de 50%.

Conforme a opinião dos analistas, é importante ressaltar dois fatores no âmbito da política de defesa sueca: o plano doméstico e o plano internacional. No primeiro plano é relevante o Estado incentivar o recrutamento com a intenção de reforçar sua capacidade militar, sobretudo quando esta pretende ser feita em respeito à liberdade de escolha do cidadão. No segundo plano, é preciso manter a cautela, frente as visões midiáticas, cujas informações imprecisas podem resultar no favorecimento do pânico social. Sendo assim, os suecos precisam estar pautados em sólidas políticas de defesa, mas também considerarem o fator do pragmatismo, sem o qual as relações externas poderiam tornar-se ineficazes.

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ImagemPalácio de Rosenbad Sede do Governo sueco” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/38/Rosenbad_2006.jpg

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Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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