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[:pt]Suécia reintroduz o serviço militar obrigatório[:]

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No início deste mês (março de 2017), o Governo sueco resolveu reintroduzir o serviço militar obrigatório no país, que havia sido suspenso desde 2010 como parte de um planejamento de renovação de suas Forças Armadas, as quais vem apresentando um déficit no contingente de servidores, por causa da introdução do sistema de voluntariado. Todavia, o motivo político para a ação envolve o que os suecos chamam de “defesa contra a suposta ameaça russa”, devido ao histórico recente de declínio das relações entre ambos os atores e os receios de ataques de Moscou contra os Estados Bálticos.

O processo de alistamento visa atingir cerca de 180.000 jovens, nascidos entre 1999 e 2000, dos quais 13.000 serão convocados para efetivação de inscrições. Porém, apenas 4.000 pessoas serão chamadas anualmente para cumprir o treinamento que começa a partir de 1o de janeiro de 2018. As grandes novidades são a inclusão de mulheres na seleção e o caráter progressivo do recrutamento, a partir de 2020, cuja tendência técnica aponta um acréscimo anual de 5.000 a 6.000 cidadãos.

A decisão do Governo não é arbitraria, sob a perspectiva jurídica, em decorrência da anterior flexibilização. Logo, ela é válida, mesmo sem o apoio parlamentar. Entretanto, tal deliberação já divide opiniões, em especial a dos próprios jovens, conforme se pode ver nas declarações de Sebastian Englund, de 17 anos, para o qual “…é bom que nós reintroduzamos o serviço militar na Suécia, para preencher a lacuna e para obter disciplina”, e de Malva Wärnsberg, também de 17 anos, para quem, pelo contrário, não deve haver obrigatoriedade, conforme se pode ver em sua declaração: “Eu não estou interessada em fazer o serviço militar. Eu acho que aqueles que se opõem podem ter outros planos na vida e podem não se sentirem prontos para ir embora por um ano.

No que tange ao reforço na quantidade de soldados, a situação parece ser confortável para a sensação de proteção do país e complementação do quadro negativo das instituições militares, mas isto não significa que a Suécia teria uma política de defesa forte, visto que a questão não é resolvida apenas com o ingresso de mais pessoas, mas, também, por meio do enxerto de maiores recursos financeiros e bélicos, conforme se pode observar na afirmação do capitão Michael Bydén: “Se estamos a aumentar o volume de soldados e marinheiros para 4.000, ele vem com um custo econômico, provavelmente com um custo em termos de infraestrutura. Em seguida, deve, naturalmente, ter mais edifícios, quartéis e instalações para a prática. E também precisamos de mais oficiais. Ou seja, quanto se trata do aperfeiçoamento do setor militar, existe um ônus maior que apenas o investimento no aumento do contingente, pois um país forte no aspecto bélico se constrói com investimento em tecnologia e treinamento, levando a uma percepção de que a força se constitui a partir de uma relação em que grande qualidade exista numa menor quantidade e, no caso do aumento do efetivo, este aumento deve preservar tal condição.

Conforme apontam os analistas, o principal fator de ação do atual Governo sueco foi mais político que estrutural, mediante uma específica percepção acerca da Federação Russa, percepção essa que se aprofundou pelo distanciamento unilateral de Estocolmo em relação a Moscou. Todavia, emerge a questão de que, em se admitindo que a Rússia tem feito uso de uma política externa agressiva, qual a razão de alarme para a Suécia, um Estado neutro, visto que nenhuma ação bélica ocorreu contra ela e no âmbito da sua região? Como apontam especialistas, medidas contra a guerra de informações podem ser tomadas sem a necessidade de atrapalhar o futuro dos cidadãos; da mesma maneira se pode pensar a questão das reformas na estrutura militar.

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Imagens 1 Brasão de Armas do Reino da Suécia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8d/Greater_coat_of_arms_of_Sweden.svg/1000px-Greater_coat_of_arms_of_Sweden.svg.png

Imagem 2 Ministro da Defesa da Suécia, Peter Hultqvist” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/eb/Peter_Hultqvist.jpg

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Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestre em Sociologia Política (2018) e Bacharel em Relações Internacionais (2014) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ vinculado a Universidade Cândido Mendes. Atualmente incorpora o quadro do CEIRI Newspaper, onde atua na qualidade de colaborador voluntário na produção de notas analíticas e conjunturais na área de política internacional europeia com ênfase nos Estados Nórdico-Bálticos e Rússia.

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