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Suíça rejeita proposta de limitar salários de empresários

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No dia 24 de novembro, a população suíça foi às ruas para votar um ambicioso e controverso projeto: limitar o salário dos executivos das empresas atuantes no país de maneira que recebam no máximo doze vezes o salário do empregado com o salário mais baixo da empresa.

Especialistas calculam que o salário mais alto possível com a nova medida seria em torno de 500.000 dólares mensais. A iniciativa, que ficou conhecida como Iniciativa 1:12 para Pagamento Justo foi proposta pela ala dos Jovens Social-Democratas” (JUSO) do “Partido Social-Democrata da Suíça”.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, o líder do JUSO, David Roth, justificou o projeto ao declarar: “Depois da Segunda Guerra Mundial o aumento de salários e  de riqueza andou paralelamente. Nos últimos dez anos, uma pequena parte da sociedade se apoderou dos lucros e a maioria acabou com menos dinheiro no bolso[1].

A medida foi proposta após sucessivas revelações de salários e gratificações pagos aos executivos de empresas sediadas no país. Um dos estopins foi quando jornais suíços divulgaram que a empresa farmacêutica Novartis iria pagar o equivalente à 79,4 milhões de dólares ao diretor Daniel Vasella que deixava o cargo. O pagamento, segundo a empresa, era para garantir que o diretor não fosse atraído por firmas rivais.

Uma campanha em redes sociais logo passou a denunciar o “gato gordo da semana”, ou seja, os executivos com salários vultuosos. Nomes como Peter Brabeck, diretor da Nestlé, e de Urs Rohner, diretor doBanco Credit Suisse”, figuraram na campanha. Segundo as denúncias, Rohner teria um salário maior que a soma dos  salários dos diretores dos bancos Barclays, BNP, “Deutsche Bank” e do “Banco Real da Escócia”. Já Brabeck teria um salário pelo menos treze vezes maior que o diretor da Unilever e duzentos e dezesseis vezes maior que o do empregado com menor salário da firma[2].

Ainda que a campanha para aprovar a medida tenha sido intensa, o resultado final foi de 65,3% dos votantes contra e apenas 34,7% a favor. David Roth disse estar “desapontado” com o resultado. Entre os comentaristas políticos, o consenso é de que a derrota da proposta já era óbvia. Políticos de tendência centrista e da direita argumentaram que mesmo que fosse compreensível que o povo estivesse incomodado com os altos salários, não faria sentido limitá-los, pois seria um “tiro no pé” da economia suíça.

O “Ministro para Assuntos Econômicos”, Johann Schneider-Ammann, declarou estar satisfeito com o resultado pois, segundo entende, elegarante a contínua competitividade do país, mas que os grandes empresários deveriam ficar atentos à indignação do povo [3], frisando ainda que por opinião pessoal não concorda com os salários altíssimos pagos aos empresários[3].

A situação não se restringe à Suíça. A França, ainda no início do Governo de François Hollande, prometeu aumentar os impostos para uma alíquota de 75% para indivíduos com renda acima de 1 milhão de euros. A medida foi fortemente criticada pois poderia criar um ambiente de evasão de divisas, no qual os taxados poderiam transferir seus ativos para países com impostos mais baixos[4].

Apesar da derrota e das críticas ao projeto na Suíça, o mentor, David Roth, afirmou: Nossa luta vai continuar contra os salários gordos e o sistema injusto de remunerações. Esse sistema não tem futuro. Nós conseguimos mobilizar muitas pessoas e inauguramos um debate amplo[4].

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ImagemFaixas de apoio à medida 1:12 em residências suíças” (Fonte):

http://s1.reutersmedia.net/resources/r/?m=02&d=20131119&t=2&i=813185852&w=&fh=&fw=&ll=580&pl=378&r=CBRE9AI13AA00

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[1] Ver:

http://www.businessinsider.com/switzerland-to-vote-on-executive-pay-law-sunday-2013-11;

Ver também:

http://reason.com/blog/2013/11/24/swiss-reject-cap-on-executive-pay-in-re

[2] Ver:

http://www.ft.com/intl/cms/s/0/e1307ff2-5073-11e3-9f0d-00144feabdc0.html#axzz2lbQDK07Z

[3] Ver:

http://guardianlv.com/2013/11/switzerland-votes-to-reject-bid-to-cap-executive-salaries/

[4] Ver:

http://www.economist.com/news/europe/21575818-latest-wheeze-75-tax-rate-even-worse-one-it-replaced-another-absurdity

[5] Ver:

http://guardianlv.com/2013/11/switzerland-votes-to-reject-bid-to-cap-executive-salaries/

Leonel Victor Soares Caraciki - Colaborador Voluntário

Mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação em História Social - UFRJ. Realiza Especialização em Relações Internacionais pela PUC-RJ.

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