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Tammam Salam: um independente ante o desafio da governabilidade no Líbano

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Após dois anos no governo, o primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, demitiu-se no passado dia 22 de março ante a intensificação da pressão entre os campos pró-Bashar al-Assad e anti-Bashar al-Assad[1], que o impediu de cumprir integralmente o mandato. Desde o final da “Guerra Civil” no Líbano, em 1990, o poder político tem sido dividido entre as facções religiosas preponderantes, a muçulmana xiita, a muçulmana sunita e a cristã maronita o que, não facilitando o equilíbrio de poderes, gera um grau de insegurança tanto mais elevado quando se sabe que dois grandes blocos, a “Aliança 8 de Março” e a “Aliança 14 de Março”, se digladiam respectivamente no apoio e na rejeição à Síria.

Tammam Salam[2], 68 anos, o Primeiro-Ministro indicado em 6 de abril, é um político experiente. Oriundo de uma família que se dedica à vida pública desde há gerações[3], Salam dirigiu a poderosa fundação “Al Makassed[4] entre 1982 e 2000 e serviu como ministro da Cultura entre julho de 2008 e novembro de 2009. Conhecido por se opor à presença síria no Líbano (simpatizante, portanto, dos ideais da “Aliança 14 de Março”), Salam foi proposto para primeiro-ministro pela “Aliança 8 de Março” e reuniu, na “Assembleia Nacional”, o apoio de um amplo leque de 124 votos favoráveis à sua indicação (o Parlamento libanês tem 128 assentos). O consenso do passado dia 6 de abril em torno do veterano político independente[5] visa a construção das plataformas necessárias para a nomeação de um governo de unidade nacional.

Salam terá que demonstrar possuir habilidades diplomáticas, além de capacidade política, para conseguir superar o “stand off” em que Mikati deixou o país. Se a onipresença síria na vida libanesa continuará a ser ora um obstáculo, ora uma virtude, a “Guerra Civil” no país vizinho, a chegada de aluviões de refugiados sírios ao Líbano e a difícil vizinhança com Israel por certo suscitarão a Tammam Salam e ao seu governo, por estes dias na antessala da estreia, o exercício do rigor e o enorme talento para superar a canibalização endêmica da vida política no “País dos Cedros”*.

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* Forma como é referido o Líbano. A árvore do Cedro, tida como majestosa e indestrutível, adorna a sua bandeira.

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Imagem (Fonte):

http://jornal.ceiri.com.br/wp-content/uploads/2013/04/599036-01-02.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.carnegie-mec.org/2013/03/23/lebanon-imperiled-as-prime-minister-resigns-under-duress/fsq9

[2] Ver:

https://twitter.com/SalamTammam

[3] Ver:

http://www.nytimes.com/2013/04/07/world/middleeast/tamam-salam-asked-to-form-a-government-in-lebanon.html?_r=1&

[4] Ver:

http://www.almakassed.edu.lb/index_ar.html

[5] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-22051776

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Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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