LOADING

Type to search

Tensões nas relações entre Rússia e Ucrânia: talvez uma nova “Guerra do Gás”

Share

Na última terça-feira, dia 29 de outubro, o presidente da empresa estatal russa Gazprom, Alexey Miller, acusou a Ucrânia de possuir uma dívida com sua empresa no valor aproximado de 880 milhões de dólares, fruto de inúmeras violações de obrigações contratuais. Para muitos observadores, este é o mais novo episódio de tensão nas relações entre os dois países, estremecidas pela recente aproximação ucraniana com a “União Europeia” (UE), estando próximos de assinar um acordo de associação*.

No passado, os conflitos entre Moscou e Kiev culminaram no corte do fornecimento do gás russo, deixando inúmeros países europeus parcialmente sem energia durante o inverno, uma vez que a Ucrânia caracteriza-se, na geografia da energia europeia, como um Estado de transição, possuindo dutos em seu território que ligam à Rússia aos países da “Europa Central”, principalmente a Alemanha. Foi o que aconteceu em duas ocasiões, em 2006 e em 2009, as quais foram usualmente chamadas de Guerra do Gás”.

É de conhecimento que a aproximação constante entre a UE e a Ucrânia incomodou o Governo russo, que tem como projeto de política externa a criação de uma União Euroasiática[1] entre os países que faziam parte do antigo bloco Soviético. Contudo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que o problema da dívida ucraniana era um fato anterior à decisão do país em assinar um acordo com a UE e a cobrança da mesma foi apenas uma coincidência com as discussões sobre as possíveis consequências para as relações Moscou-Kiev.

Nas palavras de Peskov, “o tema das dívidas de gás não está, certamente, entre questões políticas e, de nenhuma maneira, se relaciona com a adesão [da Ucrânia] ao acordo de associação com a União Europeia[2].

Para o cientista político Vladimir Zharikhin, membro do “Instituto CIS”, think-tank pró-Rússia, o Governo da Ucrânia deixou de cumprir suas obrigações para com a Gazprom com a intenção clara de fabricar um conflito entre os dois países[3]. O atual primeiro-ministro ucraniano, Mykola Azarov, afirmou que tem pago valores exuberantes pelo gás russo, fruto de um contrato realizado pela sua antecessora, a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko – cuja prisão fora decretada após uma acusação de abuso de poder envolvendo um acordo de gás que ela intermediou com os russos, em 2009.

O objetivo da Ucrânia, de acordo com Zharikhin, seria usar o poder político da UE para pressionar por uma renegociação do valor do gás russo.

——————————

* Que deverá ocorrer na próxima cúpula europeia, programada para o dia 29 de novembro, na cidade de Vilnius, capital da Lituânia. Para maiores informações sobre os acordos de associação da “União Europeia”, ver: http://eeas.europa.eu/association/

——————————

Imagem (Fonte):

http://en.ria.ru/images/17080/04/170800436.jpg

——————————

Fontes:

[1] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/armenia-georgia-e-a-uniao-euroasiatica/

[2] Ver:

http://voiceofrussia.com/news/2013_10_29/Ukraines-gas-debt-has-nothing-to-do-with-EU-agreement-Peskov-9188/

[3] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2013/oct/29/russia-ukraine-gazprom-gas-war

——————————

Ver também:

http://www.eubusiness.com/news-eu/russia-ukraine-gas.r5m

Ver também:

http://www.reuters.com/article/2013/10/29/russia-ukraine-gas-idUSL5N0IJ0AE20131029

Thiago Babo - Colaborador Voluntário

Mestrando em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (Usp); Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Puc-SP). Colaborador do Núcleo de Análise da Conjuntura Internacional (NACI) e do Núcleo de Estudos de Política, História e Cultura (Polithicult). Experiência profissional como consultor de negócios internacionais. Atua nas áreas de Política Internacional, Integração Europeia, Negócios Internacionais e Segurança Internacional. No CEIRI NEWSPAPER é o Coordenador do Grupo Europa.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.