LOADING

Type to search

Tentativas de recuperação das Relações China-Noruega após Prêmio Nobel da Paz de 2010

Share

O relacionamento da China com a Noruega experimenta um esfriamento desde 2010 quando o Comitê Nobel Norueguês atribuiu o Prêmio Nobel da Paz (PNP) ao dissidente chinês, Liu Xiaobo, ora condenado a 11 anos de prisão na China, por acusação de subversão. Para melhorar a aproximação com Pequim, o Governo norueguês recusou-se encontrar-se com o líder espiritual tibetano no exílio, o Dalai Lama, que, entre 7 e 9 de maio de 2014, visitou a Noruega para comemorar 25 anos da atribuição do PNP a si, em 1989.

Borge Brende, Ministro dos Negócios Estrangeiros norueguês, justificou que, se contatasse o Dalai Lama, ele dificultaria ainda mais o melhoramento das relações com a China, politicamente quase inexistentes desde 2010[1]. Negando honrar oficialmente o líder tibetano, a Primeira-Ministra da Noruega, Erna Solberg, afirmou ainda que é mais importante manter a porta aberta para o diálogo com a China. Lembrou que, antes de 2010, os dois países mantinham um diálogo sobre a questão dos Direitos Humanos e os especialistas noruegueses ajudavam os chineses a desenvolverem um sistema melhor de justiça[2].

Defendendo a posição do Governo, o Presidente do Parlamento local, Olemic Thommessen, acrescentou que se a Noruega quiser continuar a defender os Direitos Humanos e a manutenção da paz internacionalmente não pode ser o país com as piores relações com a toda poderosa China[1]. Os homens de negócios noruegueses também apoiam esta decisão governamental[3].

Em realidade, o comércio entre os dois países decresceu bastante, principalmente depois de as autoridades chinesas seletivamente banirem produtos noruegueses, principalmente o salmão. Antes da escolha de Liu Xiaobo em 2010 para o PNP, a Noruega garantia cerca de 92% das importações chinesas do salmão, o que rendia GB£ 45 milhões, anualmente[2]. As consequências não demoraram a se fazerem sentir. Só no primeiro semestre de 2011 a venda do salmão norueguês caiu em 62% em relação ao ano anterior[4]. Esta tendência decrescente se manteve nos três seguintes anos[2].

O outro “castigo” é a exclusão da Noruega da lista dos primeiros 45 países cujos cidadãos passavam, a partir de janeiro de 2013, a se beneficiar da isenção de visto de entrada a Pequim por 72 horas. Na altura, embora não mencionasse diretamente a Noruega, um oficial do Governo chinês disse que alguns países foram excluídos da lista porque os seus cidadãos ou governos eram de “baixa qualidade” ou “comportavam-se mal[4].

No entanto, apesar de estar a favor do melhoramento das relações com Pequim, a oposição, por meio do líder do Partido Socialista da Esquerda, Audun Lysbakken, expressou o seu descontentamento, pois entende que aquele país escandinavo esteja a ser ditado pela China. Lysbakken defende que os dois países devem orientar o seu relacionamento na base do respeito mútuo[2].

O Governo chinês advertira Oslo, em dezembro de 2013, sobre a planejada visita do Dalai Lama, a quem acusa de fazer campanha mundial para dividir a China. Na altura, uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que aChina resolutamente se opõe a seja qual for o país que receba o Dalai Lama. A China se opõe a qualquer forma de encontros oficiais entre o Dalai Lama e os oficiais de governos de outros países[5]. Ajuntou ainda que os chineses “esperam que as partes visadas efetivamente respeitarão as preocupações vitais da China, tomarão os esforços práticos e ações práticas para melhorarem as relações[5].  

Na imprensa internacional fala-se que interesses econômicos, principalmente o vasto mercado chinês para o salmão e os produtos industriais, justificam este posicionamento da Noruega. Mas a mídia chinesa destaca que a importância do seu país para a Noruega vai para além da economia, pois a influência política e militar da China no mundo atual é inegável[6].

Outras tentativas de Oslo para atenuar as relações com a China incluem presumivelmente a nomeação de Borge Brende para chefe da diplomacia norueguesa, antigo “Vice-Presidente do Conselho da China para a Cooperação Internacional para o Meio-Ambiente e Desenvolvimento”, um Órgão de alto nível de assessoria ao Governo chinês em assuntos do meio-ambiente, e o voto em 2013 da Noruega para que a China passasse a fazer parte do Conselho do Ártico como observadora permanente[3].

—————————–

Imagem (Fonte):

https://www.crossed-flag-pins.com/Friendship-Pins/China/Flag-Pins-China-Norway.jpg

—————————–

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://news.yahoo.com/china-warns-again-ahead-dalai-lamas-norway-trip-094232120.html

[2] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2014/may/06/norway-snub-dalai-lama-nobel-visit

[3] Ver:

http://thediplomat.com/2014/05/soul-or-salmon-norways-chinese-dilemma/

[4] Ver:

http://www.ibtimes.com/china-holds-grudge-chinas-new-visa-reforms-snub-norway-927703?fs=6f1cd

[5] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/12/20/us-china-norway-dalailama-idUSBRE9BJ0DO20131220

[6] Ver:

http://www.foreignpolicy.com/articles/2014/05/06/why_wont_norwegian_prime_minister_meet_with_dalai_lama_china

Jorge Nijal (Moçambique) - Colaborador Voluntário

De Nacionalidade Moçambicana, é mestrando em História do Mundo no Instituto de Estudos Africanos da Universidade Normal de Zhejiang, na China. Graduado em História pela Universidade Eduardo Mondlane em Maputo (2007). Possui experiência na docência de disciplinas de História Geral e da África Austral. Interesses: História de Moçambique, relações China-Moçambique, política externa chinesa no nordeste e sudeste da Ásia, relações China-África, cultura cibernética popular na China. Fala Português, Inglês, Francês e conhecimento razoável de chinês.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!