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[:pt]Término de usina hidrelétrica reitera projeto desenvolvimentista do Governo etíope[:]

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A Etiópia avança em seu projeto desenvolvimentista após o término da tão aguardada usina hidrelétrica GIB III. Com potência estimada de produção anual de 1.870 MW, a obra soma-se a uma série de outras estruturas projetadas pelo Estado etíope para a sustentação do crescimento econômico do país e da intentada transição de uma economia agrária para manufatureira. Tudo com vistas a que, em 2025, o país atinja a condição de economia de nível de renda média no âmbito global.

A usina teve sua construção iniciada ainda no ano de 2006, sendo interrompida em uma série de ocasiões por causa de restrições de financiamento. Estima-se que o investimento total para construção foi de, aproximadamente, 1,6 bilhão de dólares. Pouco menos da metade (40%) desta quantia foi desembolsada pelo Governo etíope, sendo o restante financiado pelo Banco Comercial e Industrial da China. A presença chinesa no planejamento e desenvolvimento da obra sinaliza o protagonismo do país asiático no projeto desenvolvimentista etíope, despontando como, talvez, o parceiro comercial e diplomático mais próximo da Etiópia para os próximos anos.

Com a finalização da usina, o Governo etíope espera incrementar o comércio de energia elétrica com os países vizinhos. Atualmente, a Etiópia vende energia elétrica a países como o Quênia, o Sudão e Djibuti. Neste sentido, a usina Grand Renaissance, de 4,1 bilhões de dólares e de potência estimada de 6.000 MW, ainda em construção, reitera o compromisso dos governantes em posicionarem o país como importante mercador de energia na África Oriental.

Entretanto, a conclusão de GIB III não se deu sem conflitos e contradições, as quais tampouco cessarão. Localizada na região sul do país, a usina está incrustrada no Vale do Rio Omo, Patrimônio Mundial da Humanidade, segundo a UNESCO, lar de comunidades tradicionais como os Kwegu, Bodi e Mutsi, os quais tiveram de ser deslocados para outras regiões para a construção da obra. Fontes locais relatam inumeráveis conflitos entre a população local e forças policiais de despejo, ocasionando inclusive a morte de alguns dos manifestantes.

Além disso, o Rio Omo, represado para a construção da usina, abastece o Lago Turkana, um dos maiores lagos desérticos do mundo. Localizado no Vale Inferior do Omo e em sua boa parte no território queniano, o lago é fonte de água para as populações e os animais que vivem ao seu redor. A organização não governamental Survival International acompanha o caso nos últimos anos e afirma que o nível do lago poderá cair em 70% com o término da GIB III.

O discurso do desenvolvimento, que se faz presente em todos os países do mundo e em especial no Hemisfério Sul, demonstra sua face mais intrépida na Etiópia. A demanda por sacrifícios, sejam eles humanos ou da natureza, se tornou algo comum no discurso e nas práticas conduzidas pelo Estado etíope, em prol de um futuro onde supostamente os padrões de renda e de vida serão mais elevados. No entanto, no afã pelo desenvolvimento, medido pelo Produto Interno Bruto (PIB) enquanto indicador utilitário inexorável de orientação das políticas públicas, outros aspectos da vida social, como a participação civil, os direitos de expressão e a cidadania deterioram-se, à medida que avançam obras como a GIB III.

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ImagemÁrea Afetada de Gibe III” (Fonte):

https://www.internationalrivers.org/resources/ethiopia-s-gibe-iii-dam-endangers-kenya%E2%80%99s-lake-turkana-1796

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Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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