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[:pt]Theresa May e o desafio do Brexit[:]

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No último dia 13, enquanto a classe política britânica ainda tentava entender o que havia levado à vitória dos partidários da saída do Reino Unido da União Europeia (conhecido pelo termo Brexit), Theresa May assumiu o posto de Primeira-Ministra britânica. De perfil discreto, mas tida nos bastidores como detentora de posições firmes, ela comandava, desde 2010, o Ministério do Interior, com passagens também pelo Ministério para a Mulher e Igualdade.

Sua ascensão ao poder foi fruto, principalmente, da rápida articulação interna do Partido Conservador para substituir o então primeiro-ministro demissionário David Cameron, somado às turbulências internas que atingem o Partido Trabalhista, principal Partido de oposição, dificultando que este contestasse de maneira mais incisiva a indicação da nova Chefe de Governo sem eleições gerais.

Nas duas primeiras semanas à frente do Governo Britânico, a agenda do novo Gabinete de Ministros liderado por May foi pautada pela questão do Brexit e seus impactos para o Reino Unido. Assuntos de política interna e de política externa, de maneira geral, tem orbitado o resultado do Referendo realizado no dia 23 de junho, sobre a permanência na União Europeia (UE).

Neste contexto, May tem enfrentado fortes pressões de líderes europeus para que o Reino Unido acione com a maior brevidade possível os mecanismos do Tratado de Lisboa que regem o desligamento de membros da União Europeia. Por outro lado, o novo Gabinete também sofre internamente com pressões de Escócia e Irlanda do Norte, que, no cômpito total do Referendo britânico, se viram obrigadas a sair da UE, sendo que os resultados locais indicaram forte preferência por continuar no Bloco. De maneira geral, nota-se que as negociações político-diplomáticas para estabelecer um novo modus operandi para a relação estão só começando.

Em sua primeira viagem oficial, no último dia 15, May encontrou-se em Edimburgo com Nicola Sturgeon, Primeira-Ministra escocesa e líder do terceiro maior Partido no Parlamento Britânico, com quem tentou apaziguar os ânimos políticos, afirmando que não iniciará o processo de saída da União Europeia sem um amplo acordo interno com os integrantes do Reino Unido. Com esse movimento, ela tenta debelar uma possível retomada da retórica independentista escocesa, adormecida desde que, após o Referendo de 2014, a Escócia optou por continuar no Reino Unido.

Após visitar Edimburgo, May encontrou-se com Angela Merkel em Berlim e com François Hollande em Paris, respectivamente nos dias 20 e 21 de julho. Nessas duas visitas, a principal pauta em discussão foi a operacionalização do Brexit. Em ambas as estadas, os líderes demonstraram um esforço para alinhar suas posições, ainda que o tom do discurso de cada um se manifeste de maneira distinta. Tanto Merkel, de modo mais conciliador e aberto, quanto Hollande, de modo mais reticente e apreensivo, já admitem publicamente que o Reino Unido possa desfrutar de mais tempo para se preparar para a negociação do seu desligamento da União Europeia.

May, por sua vez, afirma reiteradamente que vai sair do Bloco e que é necessário mais tempo de preparação para que o processo de negociação seja iniciado, tanto do ponto vista político, como do econômico. Contudo, a Primeira-Ministra britânica destaca que a saída não significa um afastamento entre seu país e os tradicionais parceiros europeus. Ela sustenta que o relacionamento terá continuidade, mas com base em outros acordos e padrões.

A intensa agenda internacional, na qual se destacam os três encontros mencionados acima, e os resultados iniciais do processo de apaziguamento da relação com seus principais parceiros em relação ao Brexit denotam que o Governo May está orquestrando uma resposta satisfatória para o momento atual.

O caminho delineado até o momento, apesar de sinuoso e nebuloso, certamente passa pela construção de uma posição conjunta dos países integrantes do Reino Unido para, posteriormente, buscar a negociação com Bruxelas, fato que só deve ocorrer em 2017. Nesse interim, a diplomacia britânica está atenta para demonstrar a importância da manutenção de relações estratégicas com seus principais parceiros da Europa, como Alemanha e França, além de reforçar seus laços históricos com os Estados Unidos.

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Imagem (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Theresa_May#/media/File:Theresa_May_2015.jpg

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Marcos Françozo - Colaborador Voluntário

Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e mestre em Política Internacional e Comparada pela Universidade de Brasília (UnB). Possui experiência acadêmica nas áreas de governança internacional, estudos europeus e regimes internacionais. Atualmente é Analista de Relações Internacional na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com atuação nas áreas de articulação, desenvolvimento e cooperação internacional. Principais ramos de atuação: Relações Internacionais, Políticas Globais, Europa, Cooperação Técnica e Cooperação Científica.

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