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Trabalhadores no Canadá protestam contra realocação de empregos para o México

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De acordo com o Jornal The New York Times, trabalhadores de uma montadora da General Motors (G.M.) em Ingersoll (uma cidade da província de Ontário, no Canadá), entraram em greve no último domingo (dia 17 de setembro), quando os dirigentes sindicais relataram um impasse nas negociações que podem realocar os empregos canadenses para o México.

Autoworkers e seus apoiadores se reúnem fora das instalações de montagem da Oshawa da GM em 12 de junho de 2008 em Oshawa, no Canadá

É a primeira greve em uma fábrica automobilística no Canadá em 21 anos. Cerca de 2.750 trabalhadores sindicalizados foram encorajados a paralisar suas atividades para protestar contra a possível transferência da montadora, pois a fábrica é responsável por produzir o modelo Chevrolet Equinox, um pequeno veículo utilitário esportivo considerado um sucesso de vendas para a G.M.

De acordo com o sindicato, as negociações sobre as demandas da montadora de Ingersoll acabaram sinalizando que ela não seria mais o principal sítio de montagem do Equinox, gerando desconfiança, já que este modelo de carro também é feito no México. Em julho, a produção do GMC Terrain (um veículo similar) já havia sido transferida para o território mexicano, ocasionando na perda de 600 empregos na fábrica canadense.

Segundo Jerry Dias, presidente da Unifor (sindicato que representa os trabalhadores), é um direito dos empregados defender seus bons empregos, não apenas para si, mas para toda a comunidade. Em uma breve declaração, a General Motors do Canadá disse ter feito um progresso muito positivo em várias questões com o sindicato, nas últimas semanas, e pediu à Unifor para retornar às negociações.

O Equinox está em um segmento de mercado cada vez mais popular, onde compete com dois veículos também construídos em Ontário: Toyota RAV4 e Honda CRV. As vendas ano-a-ano do modelo, até o mês passado (agosto), aumentaram 17% nos Estados Unidos e 40% no Canadá. Além disso, a multinacional já gastou cerca de 660 milhões de dólares em novas instalações e ferramentas na planta de Ingersoll para produzir a versão atual do veículo.

Fábrica de montagem General Motors Co. (GM) em San Luis Potosi, México, em 23 de janeiro de 2017

A fábrica é de propriedade da General Motors, mas foi usada originalmente em uma joint venture com a Suzuki. Isso significa que seus trabalhadores não estão cobertos pelo acordo sindical fechado pela Unifor e a G.M. durante o ano passado (2016) que envolveu outras plantas canadenses.

Tensões sobre diferentes regras de trabalho nesta montadora deram à fábrica uma reputação de militância trabalhista durante os anos de joint venture. Em meio às diversas negociações, as reuniões sindicais buscaram continuar expandindo a produção automobilística no Canadá.

Em julho deste ano (2017), a Unifor, considerado o maior sindicato do setor privado do Canadá, realizou o que chamou de reunião da prefeitura em Ingersoll, exigindo que a atual renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês) criasse mecanismos para expandir a proteção dos empregos nas fábricas canadenses. A produção industrial que se concentrava no Canadá, especialmente em Ontário, acabou se mudando ao longo dos anos. Algumas foram para os Estados Unidos e México após a criação do NAFTA, outras transladaram para à China.

Para Dias, concordando com o Presidente norte-americano, Donald Trump, até certo ponto, a culpa é dos salários e dos padrões de emprego mexicanos. “Olhe, o Canadá e os EUA concordam que o problema não é nós – especialmente no setor automobilístico – o problema é o México. O argumento de que abrir mercados é de alguma forma benéfico às pessoas da classe trabalhadora, não é verdadeiro”, disse Dias, se referindo ao NAFTA.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Veículos são exibidos fora do Centro Técnico Canadense General Motors Co. em Markham, Ontário, Canadá, 22 de junho de 2017” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/699812334

Imagem 2Autoworkers e seus apoiadores se reúnem fora das instalações de montagem da Oshawa da GM em 12 de junho de 2008 em Oshawa, no Canadá” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/81542331

Imagem 3Fábrica de montagem General Motors Co. (GM) em San Luis Potosi, México, em 23 de janeiro de 2017” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/633307678

Tainan Henrique Siqueira - Colaborador Voluntário

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.

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