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[:pt]Três cidades sauditas são alvo de atentados suicidas [:]

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Uma série de ataques terroristas perpetrados por homens-bomba abalaram três cidades sauditas na última segunda-feira, 4 de julho de 2016. Explosões foram registradas nas proximidades do Consulado dos Estados Unidos, em Jeddah; na cidade de Qatif, de maioria xiita; e em Medina, próximo à Mesquita do profeta. Os atentados, aparentemente coordenados e ocorridos a três dias do fim do Ramadan, não tiveram sua autoria assumida até o momento. As explosões ocorrem em meio a significativas ações violentas do Estado Islâmico (EI, ou, ISIS) em vários países da região, nas últimas semanas.

Três ataques suicidas foram perpetrados em menos de 24 horas no país, conforme reportado pelo jornal britânico The Independent. O primeiro foi registrado em Jeddah, na costa oeste do país, nas primeiras horas de segunda-feira, com uma explosão detonada perto do Consulado norte-americano. Dois oficiais de segurança foram feridos ao deterem o homem no chão, que acionou o colete-bomba quando os agentes o abordaram. Conforme reportou o jornal O Estado de São Paulo, os funcionários do corpo diplomático estadunidense na cidade foram transferidos do local. 

No segundo ataque, um suicida explodiu-se em um estacionamento da Mesquita de Faraj al-Omran, na cidade de Qatif, à leste da Arábia Saudita, onde vive o maior contingente da minoria xiita do país.

O terceiro e mais mortífero atentado ocorreu perto da Mesquita do Profeta, em Medina, a segunda mais importante cidade sagrada no Islã, matando ao menos cinco pessoas. Quatro eram membros das forças de segurança sauditas, mortos na explosão próxima à sede de segurança da Mesquita Nabawi, onde o profeta Mohammed está enterrado. A explosão ocorreu no início do pôr do sol, ao fim das preces, e quando os habitantes iniciavam a quebra do jejum. O ataque teria sido causado por um jovem suicida que teria se aproximado da segurança se passando por um doador de comida para o iftar, quebra do jejum durante o mês do Ramadan.

Os muçulmanos acreditam que a Mesquita de Medina foi construída pelo próprio Profeta no século VII, logo após sua fuga de Mecca, a chamada Hégira, sendo reverenciada por sunitas e xiitas. Milhares de muçulmanos visitam a tumba de Mohammed todos os anos durante os últimos dez dias do mês do Ramadan, antes de continuar sua peregrinação menor à Mecca, a chamada Umrah. A mesquita, além do túmulo do Profeta, também contém a tumba dos dois primeiros califas, Abu Bakr e Omar.

A explosão em Jeddah foi a primeira tentativa de ataque contra estrangeiros no reino, que há anos tem sido um aliado crucial do Governo dos Estados Unidos. No que concerne ao ataque em Qatif, tradicionalmente, o alvo dos ataques do Estado Islâmico na Arábia Saudita tem a minoria xiita. Em maio de 2015, o Estado Islâmico promoveu um atentado suicida contra um templo xiita em Qatif, deixando mais de 20 mortos e centenas de feridos; e em outubro do mesmo ano, em Najram, com a morte de pelo menos uma pessoa. Em janeiro de 2016, ao menos quatro pessoas foram mortas em um ataque suicida em uma mesquita xiita na região de al-Ahsa, à leste.

Historicamente, as cidades de Qatif e Al-Ahsa têm sido o ponto focal de manifestações contra o Governo saudita. A Província foi palco de protestos por parte dos xiitas, assim como de atos violentos – como ataques contra delegacias e membros das forças de segurança. As áreas de maioria xiita no reino queixam-se de marginalização pelo Governo teocrático sunita, de ramificação wahhabita. A comunidade xiita do reino é estimada entre 10% a 15% da população total. Eles alegam enfrentar discriminação na busca de oportunidades de educação ou emprego no Governo, além de serem referidos depreciativamente em publicações, por funcionários sunitas e por clérigos financiados pelo Estado. Os xiitas das províncias de Qatif e Al-Ahsa também alegam restrições à criação de locais de culto, marcação de feriados xiitas e menor alocação de recursos em relação às comunidades sunitas de dimensão equivalente.

A ocorrência de vários ataques possivelmente coordenados e em diferentes cidades na Arábia Saudita, em um mesmo dia, ressalta o grau de sofisticação e de planejamento dos eventos – fazendo recair as suspeitas sobre o Estado Islâmico. Os líderes do Isis haviam incitado seus seguidores a realizar ataques durante o mês sagrado do Ramadan. A Arábia Saudita é parte integrante da coalizão liderada pelos Estados Unidos no combate ao Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Contudo, nenhum grupo reivindicou responsabilidade pelos três atentados na Arábia Saudita até o momento.

As explosões ocorreram em meio a uma onda de ataques nos últimos dias em países, como Iraque e Turquia, cuja autoria foi reivindicada pelo EI. A responsabilização deste pelas significativas ações aparentemente demonstram sua atenção para além dos seus redutos no norte do Iraque e na Síria, na esteira de repetidas derrotas no campo de batalha. O grupo já pediu ofensivas contra o Governo saudita em muitas ocasiões. Mas o ataque perto de um dos locais mais sagrados do Islã é uma grande escalada na sua campanha, afirmam analistas para o jornal britânico The Guardian.

No último domingo 3 de julho, 215 pessoas morreram em Bagdá, em um dos atentados mais mortíferos na capital iraquiana em anos. Na semana passada, em 28 de junho de 2016, o Aeroporto de Istambul na Turquia foi alvo de um atentado a tiros e bombas que deixou 45 mortos e centenas de feridos. No dia 4 de julho, um ataque terrorista do grupo em um café em Dhaka, capital de Bangladesh, vitimou 20 cidadãos. Esses atentados estão ocorrendo na véspera do Eid al-Fitr, que marca o fim do mês sagrado do Ramadan.

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ImagemResultado da explosão de uma bomba que atingiu as proximidades do quartelgeneral de segurança na Mesquita do Profeta, na cidade saudita de Medina” (Fonte):

http://www.presstv.ir/Detail/2016/07/04/473617/Saudi-Arabia-Qatif-bombing

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Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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