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Triplicam as exportações da Turquia para o Catar após o início da crise no Golfo

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Em 22 de junho, o Ministro do Comércio turco, Bulent Tufenkci, anunciou que as exportações da Turquia para o Catar triplicaram em valores absolutos desde que a crise entre os países do Golfo Pérsico teve início, no começo de junho. Dos 32,5 milhões de dólares importados pelo país árabe nesse período, 12,5 milhões foram destinados a compra de alimentos. Doha é uma das principais parceiras comerciais de Ancara no Oriente Médio e vê na cooperação com os turcos uma forma de driblar o isolamento imposto pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Bahrein. Os quatro países acusam o Catar de financiamento do terrorismo, conluio com a teocracia iraniana e fomento da instabilidade regional, todas as afirmativas prontamente rechaçadas pelo governo do catariano.

Encontro entre o presidente turco Recep Erdoğan com o presidente iraniano Hassan Rouhani

Em 23 de junho, sexta-feira passada, a Arábia Saudita, em conjunto com seus aliados, impôs um prazo de 10 dias para que o Catar acate os termos de uma lista com 13 exigências que deverão ser atendidas para que as relações diplomáticas entre eles sejam restabelecidas. Dentre as condições estão: o encerramento das atividades da rede de notícias al-Jazeera, baseada em Doha; a redução drástica da cooperação com o Irã e o fechamento da base militar turca localizada no país. Não foram especificadas as consequências que o Catar enfrentaria caso não atenda ao ultimato dentro do prazo estipulado.

O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, considerou desrespeitosas essas exigências e disse que a imposição de precondições como forma de restabelecer as relações diplomáticas vai “contra a lei internacional”. Em declaração à emissora NTV, o Ministro da Defesa turco, Fikri Isik, disse que “o fortalecimento da base turca seria um passo positivo na direção da segurança do Golfo”, e acrescentou que “reavaliar o acordo de base com o Qatar não está em nossa agenda”.

Panorama da baía de Doha

Existe uma tendência entre os analistas em acreditar que por trás das alegações sauditas de que Doha colabora com organizações terroristas está a tentativa de desestruturar a política externa independente que vem sendo conduzida pelo Catar. O maior alvo é a cooperação catariana com o Irã, com o qual compartilham a exploração do maior campo de gás natural do mundo.

A crise é um teste de fogo para os catarianos, que se encontram em uma encruzilhada entre abdicar de sua soberania ou sofrer com o isolamento regional, e, possivelmente, outras consequências ainda incertas. Por outro lado, a tensão entre os países do Golfo se apresenta como uma oportunidade para a Turquia reforçar seu papel de protagonista no cenário político do Oriente Médio, função que fora abalada após a tentativa de golpe frustrada contra Erdogan, em julho de 2016, e a aposta na queda do presidente sírio Bashar al-Assad.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Silhueta das mesquitas de Istambul” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Istambul#/media/File:Smog_Istanbul.jpg

Imagem 2 Encontro entre o presidente turco Recep Erdoğan com o presidente iraniano Hassan Rouhani” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Recep_Tayyip_Erdo%C4%9Fan#/media/File:President_Rouhani_meeting_with_Turkish_President_Recep_Tayyip_Erdo%C4%9Fan_in_UN_headquarters_03.jpg

Imagem 3 Panorama da baía de Doha” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e0/Doha_banner.jpg/2000px-Doha_banner.jpg

Rodrigo Monteiro de Carvalho - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e graduado em História também pela UFRJ. Atua na área de Política Internacional, formação de alianças e segurança regional. Desenvolve pesquisas com enfoque específico no estudo dos países do Cáucaso do Sul, Eurásia e espaço pós-soviético. É membro do Grupo de Pesquisas de Política Internacional (GPPI/UFRJ) e do Laboratório de Estudos dos Países do Cáucaso (LEPCáucaso).

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