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A Paradiplomacia se transformou em uma importante ferramenta para a promoção comercial e para atração de investimentos de diversas regiões do mundo. Atualmente, órgãos subnacionais de diversos países atuam no cenário internacional ampliando a competitividade, tanto da região que representam, como também do país em conjunto, graças ao aumento do fluxo comercial e da competitividade. 

As negociações na área da Paradiplomacia são mais objetivas, ágeis e fluídas que as centralizadas pela diplomacia oficial, seja pelo fato de que grande parte delas são focadas em um único objetivo, ou por seu aspecto comercial e técnico, capaz de evadir os complexos processos decisórios e políticos da diplomacia oficial.  

Países de grandes proporções ou características heterogêneas, utilizam a Paradiplomacia como ferramenta estratégica e de negócios – normalmente alinhada a diplomacia oficial – para obter maior competitividade no mercado internacional e maior visibilidade.

A área de turismo tem sido um dos setores que se beneficiou da expansão da Paradiplomacia, promovendo uma crescente descentralização do setor. Grandes potências turísticas, tais como Estados Unidos, Espanha, França e Itália utilizam a Paradiplomacia para ampliar sua visibilidade e competitividade no mercado. Cada um desses países possui não somente um órgão central responsável pela promoção turística do país (Ministério e Agência Nacional de Promoção Turística) como também existem diversas agências regionais que representam cidades, províncias ou estados específicos no exterior[1].

No Brasil, existem mais de 20 escritórios regionais de representação e fomento do turismo dos Estados Unidos. Regiões como: Califórnia, Nevada, Texas e cidades como Miami, Las Vegas, Nova York, Orlando, possuem escritório no Brasil e atuam em atração e promoção turística, eventos, feiras e acordos para aumentar o fluxo de visitantes brasileiros nos Estados Unidos, país que já figura como principal destino no exterior. Outros países também começam a abrir agências regionais no Brasil, tais como a Alemanha e as agências de Munique e Berlim; ou a Espanha, com a Agência de Turismo da Catalunha.

O setor turístico representa uma importante fonte de recursos para diversos países. Na Espanha, o setor representa mais de 15% do PIB; na Croácia, chega a superar 27% do PIB; já no caso do Brasil, representa entre 3% e 4% PIB, dos quais, 80% se devem ao mercado doméstico e ao consumo interno sensível as crises econômicas, inflação ou redução do poder de compra. Noutros países da América Latina, tais como México e Peru, o setor possui maior participação[2].

O turismo fomentado de forma regional aumenta a visibilidade do país e a competitividade do mesmo, já que cada região oferece o que tem de melhor sem haver uma centralização do fluxo de passageiros para pontos geográficos determinados.

O setor não deve ser confundido ou resumido somente pelo lado lúdico, pois a devida promoção turística de uma região pode atrair turismo de negócios e eventos, investimentos em segmentos e áreas correlatas, estimular o mercado local e o desenvolvimento de comunidades locais, entre outros benefícios.

O Brasil, atualmente, recebe 6 milhões de turistas, nada comparado com os 32 milhões de visitantes que recebe a cidade de Paris e região (sem incluir o resto da França), de modo que o país deveria começar a fomentar a promoção do turismo, alinhada a incipiente atividade paradiplomática que existe em alguns Estados e que pouco a pouco se expande pelo resto do país.

Atualmente, a EMBRATUR é o órgão responsável pela divulgação e promoção turística do Brasil no exterior[3] e, mesmo havendo na maioria dos Estados agências próprias para as respectivas promoções turísticas, tais como a RioTur[4], ou a SPturis[5], as atuações são limitadas ao âmbito nacional. Essa centralização acaba sendo perniciosa e concentrando o fluxo de turistas para polos já consagrados e regiões com maior infraestrutura.

A descentralização das políticas de promoção turística seria uma forma de ajudar as pequenas regiões e aproveitar todo o potencial da nação, estimulando o desenvolvimento regional através do turismo e gerando um maior fluxo de turistas estrangeiros e maior visibilidade para todas as regiões do Brasil.

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Imagem (Fonte):

http://www.coobrastur.com.br/imagens/guia/mapao.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.panrotas.com.br/

[2] Ver:

http://www.wttc.org/research/

[3] Ver:

http://www.embratur.gov.br/

[4] Ver:

http://www.rio.rj.gov.br/riotur

[5] Ver:

http://www.spturis.com/v7/index.php

Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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