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Ucrânia e Rússia: o conflito dos mapas

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O conflito entre a Ucrânia e a Rússia vai além das relações estatais no cenário internacional. Atualmente, acompanhamos que esse conflito também tem a web como campo de batalha.

Uma verdadeira “Batalha dos Mapas” está sendo travada no seio da Wikipedia, no site em inglês. Inúmeros contribuidores têm colocado e retirado a Crimeia do mapa russo. No momento, o mais recente mapa da Rússia na Wikipedia inclui a Crimeia com uma cor em destaque, em respeito ao litígio, mas as versões anteriores colocadas no site já davam como certa a incorporação da “República da Crimeia” à “Federação Russa”. Conforme publicado pela BBC[1], só em março, o texto sobre a Crimeia em inglês foi editado mais de 500 vezes.

Os “Estados Unidos” e outros governos ocidentais se recusam a reconhecer a anexação da Crimeia pela “Federação Russa”, mas, de acordo com o que foi amplamente disseminado pela mídia internacional[1], isso não impediu que a maior e mais famosa empresa de cartografia do mundo, a norte-americana “National Geographic”, incluísse a antiga península ucraniana como território russo.

Em nota, o geógrafo e diretor editorial da “National Geographic Maps”, Juan José Valdés, afirmou que “mapeamos de fato o mundo como ele é, não como as pessoas gostariam que fosse. Como vocês podem perceber, às vezes nossos mapas não são recebidos de forma positiva por alguns indivíduos que querem ver o mundo de uma forma diferente[1].

Efetivamente, o que ocorreu foi um erro interpretativo, pois a “National Geographic Maps” não[2] definiu nenhuma decisão formal sobre a Crimeia, apesar dos relatórios divulgados alegando que a organização havia refeito seus mapas para descrever a Crimeia como parte da Rússia. “Quando uma região é contestada, é nossa política refletir esse estado em nossos mapas. Este não sugere o reconhecimento da legitimidade da situação[2], ressaltou a NatGeo. Em comunicado, a organização anunciou que a Crimeia será sombreada com cinza para mostrar que agora é um “Espaço de Status Especial[3].

Já a Rand McNally[1], editora líder na produção de atlas e mapas educativos nos “Estados Unidos” pronunciou que os materiais didáticos que são usados nas salas de aula do país não serão atualizados, pois o Governo norte-americano considera o Referendo ilegal. “Nos guiamos pelo Departamento de Estado[1], complementou a porta-voz da empresa. Os mapas usados pelos aplicativos da Google, Bing e Apple também continuam mostrando a Crimeia como parte da Ucrânia.

A situação atual certamente é um enigma para os cartógrafos. A Rússia incorporou legalmente a Crimeia para a “Federação Russa” e, agora, afirmam que é território russo. Ainda assim, poucos países no mundo irão reconhecê-lo em curto prazo. Quando se trata de ilustrar a realidade atual em um mapa, certamente não ficam todos felizes, mas a realidade, como ela é, acabará sendo refletida na cartografia, cedo ou tarde.

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/03/140319_mapas_wikipedia_crimeia_lk.shtml

[2] Ver:

http://news.nationalgeographic.com/news/2014/03/140319-national-geographic-maps-crimea-annexation-russia/

[3] Ver:

http://press.nationalgeographic.com/2014/03/19/statement-regarding-the-mapping-of-crimea/

Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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