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Ucrânia ratifica Acordo histórico com a União Europeia

Wladimír Tzinguílev - Bulgária 19 de setembro de 2014
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O Parlamento da Ucrânia ratificou um acordo histórico de associação política e comercial com a União Europeia (UE), cuja rejeição ocorrida em novembro de 2013 pelo então presidente Víktor Yanukóvych levou à sua saída do poder.  O voto pela ratificação, foi sincronizado por vídeo-chat com o Parlamento Europeu em Estrasburgo e contou com o apoio unânime dos 355 deputados. Ele desenha uma nova linha sob a questão, que no ano passado provocou a Crise Ucraniana e resultou na derrubada do Presidente, a anexação da Crimeia pela Rússia e uma guerra com os separatistas pró-Rússia que já deixou mais de 3 mil mortos[1].

A votação de Kíev foi ovacionada pelo Parlamento, que celebrou a data com o hino nacional. Em um discurso para os legisladores, o presidente Petró Poroshénko considerou a votação “um primeiro passo, mas muito decisivo[2] para levar a Ucrânia para mais perto da União Europeia. Poroshénko também disse que aqueles que morreram durante os protestos e durante os combates no leste “deram suas vidas para que pudéssemos ter um lugar digno entre a família europeia. Desde a Segunda Guerra Mundial não houve uma única nação que pagou um preço tão alto pelo seu direito de ser europeu[2].

Em contraste com a comemoração, no início do dia, a portas fechadas, o Parlamento decidiu aprovar dois Projetos de Lei que concedem maior autonomia às regiões rebeldes no leste, bem como anistia para muitos dos envolvidos nos combates. A decisão faz parte de um processo de paz tênue que vê o acordo de cessar-fogo, fixado no dia 5 de setembro, ser repetidamente violado e criticado por muitos na Ucrânia. Na terça-feira, dia 16 de setembro, o Conselho da Cidade de Donétsk disse que houve três mortos e cinco feridos em bombardeios durante a noite[2].

O Acordo com a UE foi muito procurado por ucranianos que querem ver seu país a caminho do oeste e fora da esfera de influência da Rússia. Depois de o então presidente Víktor Yanukóvych аrquivar o processo no ano passado, protestos eclodiram e, eventualmente, culminaram em violência e levaram o líder a fugir do país. Na sequência, a Rússia anexou a Península da Criméia da Ucrânia e uma rebelião pró-Rússia eclodiu no leste ucraniano. Forças ucranianas em abril lançaram uma operação militar para acabar com a rebelião, que afirmam ter o apoio substancial da Rússia, incluindo tropas e equipamentos militares.

A Rússia se opôs fortemente a inclinação da Ucrânia para a UE, na esperança de levar o país a fazer parte de um bloco comercial liderado por Moscou que equilibraria ou competiria com a UE. Ucranianos que buscam uma maior aproximação com o bloco ocidental denunciaram o bloco comercial liderado pela Rússia como uma tentativa de reconstituir a União Soviética.

Moscou também temia que a aproximação com a UE e a redução das tarifas sobre bens ocidentais minariam a demanda da Ucrânia sobre os produtos russos e permitiria a reexportação para a Rússia de produtos da UE a preços mais baixos. Em uma concessão significativa para a Rússia, a Ucrânia e a UE concordaram na semana passada em reduzir a tarifa como parte do Acordo até pelo menos 2016[3].

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Imagem 1 (Fonte):

http://www.bgonair.bg/world/2014-09-16/ukrayna-i-ep-ratifitsiraha-sporazumenieto-za-asotsiirane-kam-es      

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Fontes Consultadas:

[1]Ver:
http://www.europarl.europa.eu/news/en/newsroom/content/20140915IPR62504/html/European-Parliament-ratifies-EU-Ukraine-Association-Agreement
[2]Ver:
http://www.bbc.com/news/blogs-eu-29226570

[3] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/ukraine/11100419/Ukraine-approves-historic-EU-deal-breaking-ties-with-Moscow.html

Wladimír Tzinguílev - Bulgária

De nacionalidade Búlgara, é Mestre em Segurança Corporativa (2012) pela Universidade de Economia Nacional e Mundial (UNSS, Sófia). Atua na área de Segurança Pública, Segurança Corporativa e Diplomacia Corporativa com foco nos países do Leste Europeu, sendo referência em questões relacionadas a Península Balcânica, Turquia e Rússia. Atualmente é jornalista e editor de notícias internacionais da Televisão Nacional da Bulgária (BNT).

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