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UE decide ajudar Curdos a lutar contra o avanço do Estado Islâmico no Iraque

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Em uma reunião de emergência em Bruxelas para discutir a situação do Iraque e da Ucrânia na última sexta-feira, dia 15 de agosto, ministros europeus decidiram que os países do Bloco podem enviar armas aos curdos que lutam contra os avanços dos militantes do Estado Islâmico (ISIS, na sigla em inglês) no norte iraquiano[1]. A resolução foi discutida em resposta a um apelo do presidente curdo Masoud Barzani, mas a entrega das armas deve ser aprovada pelo governo central do Iraque.

A decisão, no entanto, é mais um endosso regional às ações de países individuais, como a França e o Reino Unido, que já enviaram equipamentos aos curdos, do que um esforço comum, já que o Bloco não tem um Exército conjunto, e, mais ainda, significa que a Europa não subestima a ameaça representada pelo ISIS[2].

Até mesmo a Alemanha, que tem uma política clara de não envio de armas a zonas de conflito está considerando se envolver. De acordo com o Ministro do Exterior do país, Frank-Walter Steinmeier, “as ações assassinas  e o avanço militar do ISIS precisam ser parados[2], “o Iraque está à beira de uma verdadeira catástrofe. Um milhão de pessoas estão fugindo de suas casas. No norte do país, na parte Curda, Yazidis e Cristãos estão sendo perseguidos e massacrados[3].

A declaração oficial da reunião também pede “investigações urgentes das atrocidades e abusos dos direitos humanos básicos que podem ser considerados crimes contra a humanidade[4].

A situação de tais minorias no Iraque chegou a tal ponto que há apenas alguns dias a Organização das Nações Unidas classificou a crise como nível três, o mesmo número que receberam as crises na Síria, Republica Centro-Africana e Sudão do Sul. A situação é especialmente alarmante no Monte Sinjar, onde milhares de Yazidis, uma minoria étnico-religiosa, foram perseguidos e cercados por militantes do ISIS.

Muitos conseguiram fugir com a ajuda das forças curdas e de ataques aéreos americanos ao redor do monte. Turquia, França, Austrália e Reino Unido também ajudaram enviando água e alimentos à região. No entanto, muitas pessoas continuam isoladas e ainda correm risco[5].

No total, diz-se que cerca de 1,2 milhão de refugiados foram para território curdo desde o início do conflito e, segundo relatórios, cerca de 50.000 Yazidisainda não encontraram abrigo, duas semanas após terem deixado suas casas. Se contarmos que a infra-estrutura do Iraque já foi debilitada por mais de 210.000 sírios vivendo em campos de refugiados ao norte do país, observa-se que a situação é claramente difícil[6].

O que a reunião de emergência europeia mostra, além de empatia com tal situação dos refugiados, é uma preocupação com o futuro do conflito. O problema é se a guerra no Iraque, bem como aconteceu na Síria, começar a atrair militantes e radicais europeus que representariam um perigo para o Bloco ao voltar da luta[7].

Mesmo assim, a Europa demonstrou certa resistência em se envolver, demorando a tomar decisões. A sua nova política de ajudar os Curdos a lutar contra o ISIS sem, no entanto, estar in locu, é reflexo do aprendizado das últimas guerras no Afeganistão e no próprio Iraque e uma certa oposição da população a se envolver em novas guerras.

Já que o Exército oficial iraquiano, patrocinado pelos Estados Unidos, foi derrotado pelo ISIS, que inclusive se apropriou de todo o equipamento e das armas providos pelos americanos, o Ocidente decidiu fazer do Curdistão e seus combatentes seu novo bastião contra os jihadistas[8]. Os Curdos, ao contrário do que vemos na Síria, representam para a Europa um grupo confiável em quem se apoiar na luta contra o terrorismo e o radicalismo[9].

O que deve ser considerado, no entanto, é que se pode estar de fato ajudando a desmantelar o Iraque e a concretizar as ambições curdas de independência. Se isso será um problema ou não para o Ocidente não é possível dizer agora, mas o fato é que analistas afirmam que o que estamos vendo no Iraque e na Síria é uma total reescrita das fronteiras desenhadas pelo Acordo Sykes-Picot, de 1916, em novas regiões ditadas por afinidades religiosas e não mais segundo o que era conveniente para os colonizadores (no caso, França e Reino Unido)[8].

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Imagem (Fonte):

http://news.sky.com/story/1319364/foreign-ministers-agree-to-arm-kurds-in-iraq

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/08/15/iraq-security-arms-idUSL6N0QL2UI20140815

[2] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/08/16/world/europe/european-union-iraq.html?_r=1

[3] Ver:

http://news.sky.com/story/1319364/foreign-ministers-agree-to-arm-kurds-in-iraq

[4] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2014/aug/15/eu-backs-arms-kurdish-fighters-iraq

[5] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2014/aug/14/thousands-iraqi-refugees-still-risk-siege-mount-sinjar

[6] Ver:

http://data.unhcr.org/syrianrefugees/country.php?id=103

[7] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/08/16/world/europe/european-union-iraq.html?_r=1

[8] Ver:

http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/aug/14/western-intervention-isis-iraq-muslim

[9] Ver:

http://www.ecfr.eu/content/entry/commentary_europe_desperately_seeking_answers_on_iraq

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Ver também:

http://www.theguardian.com/world/middle-east-live/live/2014/aug/15/iraq-crisis-britain-ready-to-arm-kurds-as-eu-meets-live-updates

Ver também:

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2725654/Arm-Kurds-prepare-religious-war-Cameron-urged-join-dots-convulsion-tearing-apart-Middle-East.html

Ver também:

http://english.alarabiya.net/en/News/middle-east/2014/08/16/Iraqi-Kurdish-leader-appeals-to-Germany-for-weapons.html

Taise Moreira - Colaboradora Voluntária

Mestranda em Segurança Internacional com especialização no Oriente Médio e em Inteligência pela Sciences Po Paris. Graduada em Jornalismo pela PUC-Rio. Foi bolsista CNPQ para estudo do uso da mídia nas eleições municipais de 2012 no Rio de Janeiro.

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