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Violência e criminalidade não são novos temas para o México. Batalhas entre grupos criminais têm levado a um aumento expressivo em homicídios e outros crimes. Extorsões e violência sistematizada afetam diretamente a população civil desprotegida. Neste sentido, muitos frustrados e desesperados líderes comunitários, fazendeiros e empresários se armaram literalmente para criar os denominados Grupos de Autodefesa[1].

Reconhecidos pela Constituição como legítimos, tais Grupos expressamuma das respostas mais extremas da sociedade até então a procura de segurança[2]. Este tipo de polícia voluntária local varia em tamanho e função, dependendo da comunidade onde trabalham. Salienta-se que estão sob controle de anciões comunitários e sua principal função, quando surgiram, era manter a ordem interna, atacando ladrões e estupradores[3]

No entanto, a violência tomou novos rumos na última década e os Grupos de Autodefesa se viram frente a outros desafios vindos de fora das comunidades. Em 2010, um fazendeiro e empresário morreu ao tentar defender a sua fazenda de criminosos do chamado Grupo Zeta. No confronto, faleceram também quatro Zetas e a fazenda foi salva. Outros grupos armados de defesa na mesma região se formaram nos anos seguintes protegendo os bens das comunidades e confrontando a violência criminal. Um Grupo chegou a se denominar Mata Zetas já que assassinaram um número considerável de criminosos membros deste conjunto[3]. Desde estes primeiros casos, muitas outras pequenas cidades começaram a se armar de milícias para autodefesa.

De início, os Grupos obtiveram uma boa aceitação comunitária, mas no momento em que estes apareceram com armamento mais pesados, começou o questionamento sobre suas reais razões de ação. Ou seja, se estes não seriam e estariam atuando como meros rivais das organizações criminosas. Com o aumento do número de Grupos voltados à autodefesa das comunidades, um controle eficiente de seus membros também é questionável. Mesmo assim, líderes de milícias de autodefesa asseguram que não estão envolvidos com atividades ilícitas como, por exemplo, o tráfico de drogas[3].

O envolvimento do Governo tem sido bastante irregular. No momento em que as milícias estavam se fortificando e apresentando resultados positivos este decidiu criar uma atividade associada e unir forças policiais junto a elas. Entretanto, após o assassinato de um grande líder de grupo criminoso, as costas foram dadas às milícias de autodefesa, deixando-as sem nenhum suporte. Observadores apontam que, muito provavelmente, a ausência do Estado em áreas de risco irá fazer com que novos Grupos de Autodefesa apareçam[1].

À medida que a história se desenvolve, vários problemas começam a surgir. Especialistas no tema analisam que o essencial é definir como os Grupos de Autodefesa se encaixam na luta contra grandes organizações criminosas, sabendo-se que estes grupos parecem agir em umaárea cinzaonde não se consegue definir se a ação é ilegal ou não.  No entanto, os exemplos que se tem de experimentos de autodefesa no México demonstram que eles podem de alguma maneira desestruturar rapidamente organizações ilegais através de uma cooperação entre comunidade e governo[1].

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ImagemGrupos de autodefesa surgiram com a falta de presença do Estado em áreas afetadas por organizações criminais no México” (Fonte):

http://mexico.cnn.com/nacional/2013/04/29/la-tuta-envia-un-mensaje-al-gobierno-sobre-grupos-de-autodefensa

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://insightcrime.org/mexico-michoacan-vigilantes/MichSelfDefense_Althaus_Dudley.pdf

[2] Ver:

http://insightcrime.org/investigations/mexico-security-dilemma-battle-michoacan

[3] Ver:

http://insightcrime.org/investigations/mexico-security-rise-militias-michoacan 

Laura Elise Messinger - Colaboradora Voluntária Júnior 1

Mestre em Relações Internacionais- IHEID (Genebra, Suíça) e Mestre em Estudos Avançados de Organizações Internacionais- UZH (Zurique, Suíça). Bacharel em Relações Internacionais -Unilasalle (Canoas, RS), intercâmbio na UNICAH (Tegucigalpa, Honduras). Especialidades: direitos humanos, direito internacional humanitário, segurança e paz, democratização e América Central. Experiências profissionais: ONU (DPA- MSU), BID (segurança cidadã) e ONG Geneva Call – Suíça.

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