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[:pt]União de Geofísica Americana alerta para fim dos recursos hídricos[:]

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Na semana passada, a União de Geofísica Americana apresentou relatório sobre recursos hídricos durante a conferência anual que ocorreu em San Francisco, nos Estados Unidos da América (EUA). De acordo com pesquisadores, o uso crescente de água doce na agricultura, na indústria e para consumo humano pode vir a esgotar os recursos hídricos subterrâneos em diversas partes do mundo, nas próximas décadas.

Em vista desse consumo desregrado dos reservatórios naturais, o estudo aponta que, nos próximos 34 anos, cerca de 1,8 bilhão de pessoas em todo o mundo poderão viver em áreas onde os níveis de água subterrânea estarão quase esgotados ou totalmente esgotados. No dia 22 de março deste ano (2016), Dia Mundial da Água, a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, Água e Emprego, apontando que três em cada quatro empregos do mundo são dependentes de água.

Segundo o relatório, embora a taxa de exploração mundial de reservatórios naturais cresça 1% desde a década de 1980, a população mundial deverá crescer 33%, saltando de 7 bilhões para 9 bilhões de pessoas entre 2011 e 2050. Com esse aumento populacional, a demanda por alimentos deverá aumentar em 60% e, consequentemente, aumentará o consumo de água. A exploração massiva dos recursos hídricos tem sido fonte de preocupação da organização há anos. Na década de 1980, por exemplo, a ONU instituiu a década da água potável, investindo juntamente com outras organizações e governos cerca de 300 bilhões de dólares na proteção da água. Segundo nota da ONU, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estima que para cada grau de aquecimento global, aproximadamente 7% da população mundial enfrentará a diminuição em quase 20% dos recursos hídricos renováveis. Vale destacar que apenas 5,5% dos recursos hídricos do mundo são de água potável, os 94,5% restante são águas salgadas concentradas nos mares e oceanos.

O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, Água e Emprego revela ainda que metade dos trabalhadores do mundo, aproximadamente 1,5 bilhão de pessoas, está empregada em indústrias dependentes de recursos hídricos e naturais, tais como agricultura, construção, energia, manufatura intensiva de recursos, pesca, reciclagem, silvicultura e transporte. Conforme Irina Bokova, diretora-geral da Unesco, também destacado em nota pela ONU, “a água e o emprego estão indissociavelmente ligados em vários níveis, quer seja na perspectiva econômica, na ambiental ou na social”.

Para os pesquisadores da União de Geofísica Americana as regiões que mais sofreriam com a escassez seriam aquelas onde ocorre a prática intensa de irrigação. Os países que compõem as áreas de risco, segundo os especialistas seriam a Argentina, Austrália, Índia, alguns países do sul da Europa e em alguns Estados dos EUA, como a Califórnia, Texas, Novo México e Oklahoma.  O estudo indica que as bacias do Ganges na Índia e no sul da Espanha e da Itália poderiam esgotar seus recursos entre 2040 e 2060. Já nos Estados Unidos, o Estado da Califórnia tem o pior cenário apontado pelo relatório, onde os aquíferos poderiam se esgotar até 2030, já outros citados anteriormente seus limites poderiam se esgotar entre 2050 e 2070.

No entanto, a América Latina e o Caribe, que possuem suas economias fortemente ligadas a exploração de recursos naturais, como agricultura e mineração, também são dependentes da disponibilidade de água, apesar de deter aproximadamente 1/3 da provisão de água mundial. No Brasil, assim como em outros países latinos, como Chile, México e Peru, a irrigação é responsável por grande parte da produção agrícola, particularmente aquela que tem como destino a exportação. A atividade pecuária é outra responsável pelo grande consumo de água, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), ressalta que 37% do território latino e caribenho são utilizados para atividades agropecuárias e que a exploração de campos e florestas de forma irresponsável já corresponde a 14% da degradação mundial do solo, e também gera impactos sobre a disponibilidade dos recursos hídricos.

O Relatório da Nações Unidas assinala que a escassez e as secas já se fazem presentes e tem prejudicado as economias locais, para tanto aponta o caso da crise da água ocorrida na cidade de São Paulo em 2015. Contudo, nesse âmbito, Jackson Roehring, professor de gestão de recursos hídricos da Universidade de Ciências Aplicadas de Colônia, Alemanha, pontua que a questão daquela crise é de ordem político-administrativa, ou seja, a questão está na gestão dos recursos.

Segundo nota da União de Geofísica Americana, os pesquisadores valeram-se para o estudo de novos modelos computacionais para medir a estrutura dos aquíferos, o volume de bombeamento e as interações entre as águas subterrâneas e as águas circundantes, como rios e lagos. Embora análises anteriores baseadas em observação de satélites já sinalizassem que os principais aquíferos do nosso planeta estavam perto dos seus limites, elas não mediam o nível de reservas menores em escala regional, por isso os pesquisadores ressaltam a importância desses novos resultados. No entanto, esse novo estudo não revela dados mais completos acerca da estrutura geológica ou sobre a capacidade de armazenamento dos aquíferos, o que, por sua vez, permitiria examinar com maior precisão o volume de água que está contido nesses reservatórios. Nesse aspecto, Inge de Graaf, pesquisador da Escola da Minas do Colorado, ressalta que não se sabe ao certo quanto de água há disponível, nem quão rápido esse recurso está se esgotando, ou ainda, por quanto tempo as sociedades poderão utilizar esse recurso antes que ocorram efeitos devastadores, como a seca de poços e rios.

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ImagemPara mais de 750 milhões de pessoas, a falta de água potável ainda é uma realidade, como no Distrito de Meatu, no norte da Tanzânia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81gua#/media/File:Mwamongu_water_source.jpg

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Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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