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[:pt]Unicef alerta número crescente de crianças apreendidas na fronteira dos EUA[:]

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Na última segunda-feira, 22 de agosto, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) denunciou que, nos últimos seis meses, mais de 26 mil crianças desacompanhadas provenientes dos países da América Central foram detidas na região da fronteira sul dos Estados Unidos da América (EUA). Segundo o comunicado do organismo das Nações Unidas, o fluxo de refugiados e migrantes crianças que fogem de seus países em função da violência de gangues, milícias e da pobreza não demostra nenhum indício de que irá diminuir num futuro próximo.

De acordo com o relatório divulgado pelo Unicef, intitulado “Broken Dreams: Central American Children’s Dangerous Journey to the United States”, entre janeiro e junho de 2016, quase 26 mil crianças desacompanhadas e aproximadamente 29.700 pessoas que viajam com suas famílias, particularmente mães e crianças pequenas, foram detidas na fronteira com os Estados Unidos. O relatório aponta que essas crianças são provenientes sumariamente de países da América Central, sobretudo de Guatemala, El Salvador e Honduras. Justamente países que possuem alguns dos piores indicadores de violência e pobreza no mundo.

Em comunicado à imprensa, Justin Forsyth, vice-diretor executivo do Unicef, afirmou que “é de cortar o coração pensar que essas crianças fazem uma viagem tão cansativa e extremamente perigosa, em busca de segurança e melhores condições de vida”. Nesse sentido, segundo dados da Anistia Internacional, apontados no relatório do Unicef, 6 em cada 10 meninas e mulheres acabam sendo vítimas de violência sexual durante a viagem, muitas delas acabam sendo forçadas a trabalhar em bordéis e bares na Guatemala e no México. Para Forsyth esse fluxo intenso de crianças ressalta ainda mais a necessidade de se combater a violência e melhorar as condições socioeconômicas em seus países de origem. Assim, apesar de correrem grandes riscos, essas crianças veem nos Estados Unidos uma alternativa para escapar da realidade de seus países. Nesse aspecto, segundo Christoph Boulierac, Porta-Voz da Unicef, existe um risco enorme desses menores não acompanhados sejam sequestrados, vítimas de tráfico humano, violência sexual e assassinados durante o trajeto, e o maior problema é que o número não para de crescer.

Conforme o relatório, nos primeiros seis meses desse ano foram detidas 26 mil crianças, 40% a menos que em 2014, quando 44.500 crianças foram apreendidas na fronteira com os Estados Unidos. Naquele ano, o Governo norte-americano pediu ao México que intensificasse as detenções, o que reduziu o número de crianças apreendidas em 2015 para 18.500, enquanto que as autoridades mexicanas detiveram aproximadamente 36 mil, sendo que mais da metade delas estavam desacompanhadas. Já entre janeiro e junho de 2016, conforme relatório do Unicef, cerca de 16 mil crianças desacompanhadas foram detidas no México.

Além do risco que essas crianças correm durante o percurso de viagem, o relatório feito pelo Unicef também chama atenção para o tratamento que recebem quando são detidas. O Documento aponta que a maioria dos homens adultos detidos são deportados quase que imediatamente, já as mães e as crianças podem permanecer até meses detidas e as crianças desacompanhadas podem vir a permanecer detidas por anos, isso porque seus casos são analisados pelo tribunal de Justiça. Segundo a Unicef, em parte, o problema é que cerca de 40% deles não tem advogados e o sistema estadunidense não prevê um advogado para deportação de civis. E, segundo o próprio relatório, são justamente esses, que não possuem um advogado, que acabam tendo mais possibilidades de serem deportados. Em 2015, apenas 3% dos que tinham advogados foram deportados, enquanto que 40% dos que não tinham o foram. Nesse aspecto, Boulierac ressaltou que o Fundo das Nações Unidas para a Infância é contrário à detenção de menores de idade, e que os países deveriam procurar vias alternativas à detenção de crianças e não apreendê-las, tendo como base o status migratório.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância alerta ainda para o tratamento diferente que essas crianças recebem em razão de sua nacionalidade, uma vez que os mexicanos são expulsos dos Estados Unidos imediatamente, enquanto que as crianças de outros países tem direito a uma audiência judicial. Por fim, o relatório foi divulgado antes da reunião da ONU, que ocorrerá em 19 de setembro, na sede da Organização em Nova York, quando se abordará justamente as questões em torno dos grandes movimentos de refugiados e migrantes e haverá a discussão sobre a atual situação dos refugiados, descrita como a maior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial.

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Imagem (Fonte):

https://www.un.org/News/dh/photos/large/2016/August/08-23-unicef-migrant-map.jpg

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Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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