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A utilização da tecnologia Blockchain para evitar desperdício de vacinas

“Com o surto de Febre Amarela no Brasil, o tema das vacinas passou a ter relevância nacional. As enormes filas na cidade de São Paulo para tentar obter a vacinação evidencia que o país necessita repensar sua cadeia de abastecimento, especialmente para casos de surtos. Nestas ocasiões em que há necessidade de ações rápidas, o rastreamento de forma segura, transparente e imune a erros humanos passa a ser indispensável, sendo esta uma das propostas de utilização do blockchain.”

Daniela Alves
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O blockchain foi originalmente concebido para a moeda digital Bitcoin, possibilitando registrar todas as transações envolvendo bitcoins em uma espécie de livro-razão eletrônico imutável e criptografado.

Por fornecer registros transparentes e instantâneos de transações, a comunidade tecnológica está encontrando outros usos potenciais para a tecnologia blockchain. Acredita-se, por exemplo, que há um grande potencial de aplicação para impedir corrupção ou atividades fraudulentas, bem como incorporar soluções como o devido controle da cadeia de vacinas.

Logo da Organização Mundial da Saúde

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as vacinas previnem uma estimativa de 2 a 3 milhões de mortes por ano, porém 1,5 milhão de óbitos a mais poderiam ser evitados se a cobertura de imunização global melhorasse. Em 2015, cerca de 19,4 milhões de crianças em todo o mundo não receberam vacinas de rotina.

Em uma revisão da literatura de 45 estudos que avaliam o monitoramento de temperatura de vacinas em várias regiões do mundo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, sigla em inglês) descobriu que 33,3% das unidades de armazenamento em países mais ricos e 37,1% em países de baixa renda continham vacinas expostas a temperaturas abaixo dos intervalos recomendados, prejudicando, dessa forma, a eficácia da vacina.

O Dr. Robin Nandy, assessor principal e chefe de imunização da UNICEF, declarou que “expandir o uso de alarmes de congelamento e um rigoroso monitoramento de temperatura é fundamental para garantir que todas as crianças tenham acesso a potentes vacinas que salvam vidas”.

Com a tecnologia blockchain seria possível rastrear automaticamente a localização da vacina e sua temperatura até chegar no consumidor, permitindo manter a qualidade da imunização e até mesmo o barateamento do custo da vacina.

Imagem – Tecnologia Blockchain

Efetivamente, já existe uma startup na Índia que está começando a atuar com a tecnologia blockchain para rastrear vacinas em toda a cadeia de abastecimento. O objetivo é garantir que a temperatura esteja adequada e todo o caminho seja devidamente acompanhado com segurança e sem possibilidade de “burlar” o sistema.

Com o surto de Febre Amarela no Brasil, o tema das vacinas passou a ter relevância nacional. As enormes filas na cidade de São Paulo para tentar obter a vacinação evidencia que o país necessita repensar sua cadeia de abastecimento, especialmente para casos de surtos. Nestas ocasiões em que há necessidade de ações rápidas, o rastreamento de forma segura, transparente e imune a erros humanos passa a ser indispensável, sendo esta uma das propostas de utilização do blockchain.

No Manual de Rede Frio, o Ministério da Saúde descreve o procedimento de controle que atualmente é utilizado até a vacina chegar ao consumidor, passando também por como o material deve ser manuseado, a temperatura e diversas recomendações aos profissionais responsáveis por toda a cadeia, expondo a segurança de todo o processo.

Por outro lado, em 2017, o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, revelou para a imprensa quenão há risco de faltar a vacina, o problema é que ela tem que ser acondicionada em baixas temperaturas. Cada unidade de vacinação tem uma capacidade pequena de estocar a vacina em condições adequadas. Então, às vezes, o que acontece é que a vacina termina naquele posto e tem que esperar vir uma nova carga para guardá-la da maneira correta, senão ela perde o efeito”.

Fila para vacinação contra febre amarela na Unidade Básica de Saúde no Jardim Peri

O desafio exposto pelo Ministro da Saúde revela que há grande possibilidade em todo este processo logístico de tornar vacinas inviáveis para imunização. Por falta de transparência e de um sistema de rastreamento blockchain não temos dados exatos se há perdas, quantas vacinas foram inutilizadas e quantas foram aproveitadas. Estes dados não são abertos e também não há informações se eles existem para uso interno do Ministério da Saúde.

Como aponta o estudo “Avaliação da qualidade de conservação de vacinas na Atenção Primária à Saúde”, o Programa Nacional de Imunização (PNI) do Brasil é considerado um dos mais completos dentre os países em desenvolvimento, tendo sido pioneiro na introdução de algumas vacinas e demonstrado alta capacidade técnica nas questões de logística para imunização. Contudo, apesar dos bons resultados do PNI, estudos apontam deficiências em salas de vacina no Brasil, principalmente relacionadas à sua conservação. Ainda de acordo com o estudo mencionado, essas deficiências podem provocar aumento considerável nos custos do PNI, devido a perdas desnecessárias por erros de manutenção da cadeia, além de comprometer a efetividade do programa.

A pesquisa conclui que o cuidado com a conservação do material de imunização aponta para a necessidade de capacitação dos recursos humanos, de monitoramento e avaliação do processo de trabalho e de novos estudos na área.

Como inicialmente apontado, este é um problema de diversas regiões do mundo e o acompanhamento das novas tecnologias se torna essencial para que todos esses países consigam garantir um processo de imunização cada vez mais seguro e com menos desperdícios aos cofres públicos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vacinação” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/agecombahia/5657633481

Imagem 2 Logo da Organização Mundial da Saúde” (Fonte):

https://www.who.int/about/Logo-WHO.jpg

Imagem 3 Imagem – Tecnologia Blockchain” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/cadeia-de-bloco-dados-registro-dedo-3055701

Imagem 4 Fila para vacinação contra febre amarela na Unidade Básica de Saúde no Jardim Peri” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/[email protected]/26151469559

                                                                     

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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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