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Venezuela aumenta preços de alimentos em até 147%

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Segundo Hugo Chávez, numa tentativa de encorajar a produção local de alimento e reduzir as importações, seu governo adota o procedimento do aumento de preços tabelados de vários alimentos. Esse salto elevará ainda mais a inflação venezuelana que já é a mais alta da América Latina. Nos cinco primeiros meses deste ano, a inflação teve um acúmulo de 8,9%.

O governo venezuelano impõe controles de preços em muitos alimentos da cesta básica desde 2003 para combater a inflação, por conseqüência os produtores perderam margens de lucro e provocou desabastecimentos esporádicos de alimentos.

Ao longo do período em que Hugo Chávez esteve no poder, a Venezuela teve o maior crescimento da América Latina, mas o crescimento foi impulsionado pelo constante aumento do preço do petróleo no mercado internacional. O acúmulo de divisas foi usado na política externa, nas estatais, especialmente na PDVSA (Petróleo de Venezuela S.A – empresa estatal venezuelana que não apenas explora, refina e comercializa o petróleo do país, mas também investe em outros setores como a construção) e nas políticas públicas de inclusão social.

 

 

Ao adotar esse planejamento estratégico diminuiu o apoio aos setores da iniciativa privada, resultando na fuga do capital investidor e reduzindo a atração de investimentos, apesar das propostas de parceira com o governo, por intermédio das estatais venezuelanas. Isso gerou gastos públicos que saltaram da ordem dos U$ 12 bilhões, anuais, para U$ 140 bilhões.

 

A forma como solucionou a escassez de alimentos ao longo desse tempo foi negociando e importando dos países que tinham possibilidade de sanar o problema em curto prazo, mesmo porque o crescimento das divisas geradas pelo petróleo fornecia fôlego para jogar para o futuro os investimentos no setor primário.

 

Dentre os países com os quais tem negociado ao longo do período está a principal opositora na região: a Colômbia.  É a maior exportadora de alimentos para a Venezuela, apesar das constantes declarações e trocas de acusações de ambas as partes. Até o estouro da crise internacional, em setembro de 2008, o negócio de alimentos entre os dois países girava em torno de U$ 7 bilhões. Como ocorreu a queda do preço do barril de petróleo, a conseqüência imediata foi o aumento do desabastecimento e para remediar a situação, anunciou-se que o comércio de gêneros alimentícios entre os dois países seria aumentado em mais U$ 3 bilhões, aproximadamente.

 

A dinâmica das relações internacionais contemporâneas exige que observe os passos da política internacional de forma mais ampla, senão acaba-se por ignorar fatos como esse e não entender as razões de certas decisões que são tomadas pelos políticos e estadistas.
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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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