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Venezuela começa a deslocar suas reservas de ouro do exterior

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O governo da Venezuela iniciou a retirada do estoque de outro que estava depositado em Bancos do exterior, em especial da Inglaterra, EUA e outros países europeus. Segundo o presidente do “Banco Central” venezuelano, Nelson Merentes, “Já entramos em comunicação com o Banco da Inglaterra e iniciamos os devidos protocolos para concluir esta operação”*.

 

Segundo informações de funcionários do Governo, a ideia é enviar o ouro de volta à Venezuela (99 toneladas) para depois alocá-lo para países aliados dos venezuelanos, como Brasil, Rússia e China, onde as economias estão em crescimento e apresentam maior estabilidade. Nas palavras das autoridades, estes Estados são identificados como países amigos.

Ainda de acordo com o divulgado, a Venezuela tem aproximadamente 29 bilhões de dólares em ativos no exterior, sendo que, destes, 18 bilhões em ouro, dos quais quase 11 bilhões estão depositados nos EUA e em Estados europeus, ou seja, países desenvolvidos, mas que passam por problemas econômicos e estão negociando suas dívidas, razão pela qual estão sendo vistos como áreas de risco.

O ministro da Fazenda da Venezuela, Jorge Giordani, afirmou que o seu Governo deseja aumentar o portfólio do país para se prevenir de um futuro abalo econômico internacional. Em suas palavras: “Há uma grande crise que pode desencadear um efeito dominó, colocando esses ativos em risco. É preferível evitar esse risco e trazer de volta o ouro para o país”*. Tal crise, independente das afirmações do Ministro, é algo que está sendo previsto por vários analistas econômicos e analistas de política internacional, muitos anunciando que terá dimensão maior que aquela ocorrida em 2008.

As críticas contra a medida do governo venezuelano são várias, pois os observadores acreditam que o “Risco Venezuela” irá crescer muito internacionalmente, já que se perderá a transparência acerca do que poderá ser feito com essas reservas, ressaltando-se que já há muitos alertas sobre a transparência do governo venezuelano em vários outros casos e setores, especialmente no que se refere aos investimentos feitos em política externa e nas relações da Venezuela com os Estados problemáticos do sistema internacional, declaradamente antagonistas das grandes potências mundiais, como o Irã, Coréia do Norte, Síria e Líbia, Cuba, Bolívia e Equador.

No limite, os críticos afirmam que esta é uma manobra mais política que econômica, confluindo eles para a conclusão de que será muito prejudicial aos venezuelanos. Contudo, também há observadores que consideram prudente a retirada do dinheiro dos países que poderão ser os desencadeadores da crise econômica internacional que vem sendo alardeada pelos especialistas neste momento.

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*Fonte: http://online.wsj.com/article/SB10001424053111903461304576524304114457820.html

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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