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O presidente Nicolás Maduro, da República Bolivariana da Venezuela, anunciou na semana passada o corte de três zeros na moeda nacional, como parte da chamada reconversão monetária.

A moeda atual, que se chama bolívar, dará lugar ao bolívar soberano, a partir de 4 de junho, informou o mandatário, enfatizando que “Não vamos dolarizar nossa economia, vamos defender nosso Bolívar”. A dolarização da economia venezuelana é defendida por Henri Falcon, principal concorrente de Maduro nas eleições presidenciais marcadas para 20 de maio próximo.

A reforma monetária com corte de zeros não é uma novidade no mundo, Brasil e Argentina já lançaram mão da medida nos anos 90 e o Governo da Colômbia está cogitando fazer o mesmo para 2019. Na Venezuela, em 2007, Hugo Chávez implantou reforma similar e, na ocasião, o bolívar foi substituído pelo bolívar fuerte.

Maduro apresenta o bolívar soberano

O governo venezuelano justifica que a mudança tem cinco objetivos: simplificar cálculos para facilitar as transações econômicas e comerciais; aumentar a disponibilidade de moeda em espécie na economia; facilitar os sistemas contábeis de empresas públicas e privadas; evitar o contrabando de moeda nacional, garantindo o desenvolvimento da economia doméstica; permitir a solvência da economia no Plano da Pátria 2025.

Correntes contrárias à reconversão argumentam que se trata de uma “maquiagem” que não ataca as causas da hiperinflação, a qual atingiu mais de 6.000%, segundo estimativas do Congresso Nacional venezuelano, de maioria oposicionista. Colocam em dúvida a capacidade de logística do governo para emissão e distribuição da nova moeda no prazo estabelecido. Alegam ainda que a pura e simples conversão dos salários não otimizará o poder de compra e apontam um problema bastante peculiar à realidade do país: como os preços de  passagens de metrô e gasolina são muito baixos, a  menor  unidade do bolívar soberano, que é a moeda de 50 centavos, compraria 1.250  bilhetes e não haveria troco para quem enchesse um tanque de 50 litros, que custaria 30 centavos.

Críticos moderados acreditam na validade da reconversão, mas alertam para a necessidade de uma política fiscal, uma política monetária e de uma boa estratégia de comunicação junto à população.

A cédula de maior valor atualmente, a de 100.000 bolívares, suficiente apenas para comprar um cafezinho, será substituída pela de 100 bolívares soberanos. O novo cone monetário – conjunto de notas e moedas de um país – mantém o padrão de estampa com faces de personagens ilustres e animais ameaçados de extinção. O bolívar soberano  entrará em vigor logo depois das eleições e o Presidente do Banco Central da Venezuela informou que  haverá amplo debate e campanhas de esclarecimento informativas, inclusive já existe um site denominado bolivarsoberano.com.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Maduro apresenta o bolívar soberano” (Fonte):

http://www.presidencia.gob.ve/Site/Web/Principal/imagenes/adjuntos/Web/2018/03/2018-03-22_billetes_/Aimg-9483_3.png

Imagem 2 Site bolivarsoberano.com” (Fonte):

http://bolivarsoberano.com/billete-de-2-bss/

A.C. Ferreira - Colaborador Voluntário

Mestre e especialista em relações internacionais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), especialista em Política e Estratégia pelo programa da ESG (UNEB, ADESG/BA), bacharel em Administração pela Universidade Católica do Salvador (UCSal). Consultor e palestrante de Comércio Exterior.

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