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No dia 23 de outubro, Viktor Orbán, Primeiro-Ministro da Hungria, frequentou novamente o noticiário internacional após o seu polêmico discurso à nação, por ocasião da celebração do sexagésimo aniversário da Revolução Húngara de 1956, evento símbolo da histórica resistência da Hungria à ocupação soviética que inspirou, inclusive, movimentos de resistência em outros países então ocupados pela União Soviética.

Orbán, tendo como mote subliminar a sua insatisfação com o sistema de cotas de imigrantes que a União Europeia deseja alocar em cada Estado membro, declarou: “Nós (os húngaros) não devemos aceitar a transformação da União Europeia em um império moderno. Não queremos que ele substitua a aliança de Estados Europeus livres pela União dos Estados da Europa. Hoje, a missão dos europeus que apoiam a liberdade é salvar Bruxelas da sovietização e da sua ambição por decidir, ao invés de nós, quem deve viver em nossa pátria” (tradução livre).

Este é o mais recente episódio que opõe o Primeiro-Ministro húngaro e a cúpula executiva da União Europeia, sediada em Bruxelas. A escolha da ocasião, uma festividade nacional muito significativa para a Hungria, e a comparação entre Bruxelas e a União Soviética sugerem que o líder húngaro está optando por consolidar uma posição de confrontação política que assume contornos de difícil reconciliação.

Ao longo do último ano (2015), os desencontros entre Orbán e a cúpula executiva da União Europeia se desenvolveram principalmente em torno do forte impacto com que a Hungria foi atingida pela onda migratória de refugiados. Fato que, na sua visão, resulta em ameaças às raízes identitárias da Europa e à liberdade de cada Estado membro.

Contudo, ambos já vem acumulando desentendimentos desde 2013, quando ele iniciou movimentações para alterar a Constituição húngara. Esta iniciativa foi vista com preocupação pelo Bloco, uma vez que potencialmente atenta contra o Estado de Direito e os direitos humanos na Hungria.

A evolução recente deste atrito político conta ainda com especulações controversas acerca da proximidade entre Orbán e Putin, bem como de supostas intenções ditatoriais do mandatário húngaro. A despeito das especulações, o fato é que a guinada conduzida por Orbán nos últimos anos para uma postura nacional-populista conservadora, tentando usar a questão dos refugiados como elemento de mobilização nacional, tende a ser vista internacionalmente como uma atitude com maior propensão a eventuais radicalizações que ameacem a ordem democrática e a estabilidade política regional do leste europeu.

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ImagemViktor Orbán, PrimeiroMinistro húngaro, discursa na cerimônia oficial em homenagem ao sexagésimo aniversário da Revolução Húngara de 1956, realizada em 23/10/2016” (Fonte):

http://www.kormany.hu/en/the-prime-minister/photo-galleries/official-state-celebration-to-mark-the-sixtieth-anniversary-of-the-1956-revolution-and-freedom-fight

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Marcos Françozo - Colaborador Voluntário

Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e mestre em Política Internacional e Comparada pela Universidade de Brasília (UnB). Possui experiência acadêmica nas áreas de governança internacional, estudos europeus e regimes internacionais. Atualmente é Analista de Relações Internacional na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com atuação nas áreas de articulação, desenvolvimento e cooperação internacional. Principais ramos de atuação: Relações Internacionais, Políticas Globais, Europa, Cooperação Técnica e Cooperação Científica.

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