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Cresce o temor de uma possível guerra civil no Burundi. Desde julho deste ano (2015), aproximadamente, 200 mortes foram registradas e é relativamente alta a probabilidade de que a situação piore a partir deste último final de semana.

Segundo órgãos internacionais de direitos humanos, após suspeitas manobras políticas, o Governo do presidente Pierre Nkurunziza conseguiu, em julho, o apoio do Congresso para a legitimação de um terceiro mandato político, fato não permitido pela Constituição do país. Desde então, assistiu-se à emergência de um conflito civil entre opositores e apoiadores de Nkurunziza[1], motivando a imigração de diversos cidadãos do Burundi para as nações adjacentes.

Nkurunziza concedeu um prazo aos grupos opositores para que largassem as armas até o sábado passado (7 de novembro). Após esta data, qualquer grupo armado opositor será tratado pelo Governo como um grupo terrorista.

Organizações internacionais e autoridades políticas temem que este ultimato seja o estopim para uma verdadeira guerra civil no país. Tendo em vista esta situação, líderes dos países ao redor, como o Presidente de Ruanda, Paul Kagame, se manifestaram publicamente sobre o assunto.

Em um discurso em Kigali, na sexta-feira passada (6 de novembro), Kagame criticou a posição adotada por Nkurunziza, afirmando que o ultimato para o desarmamento pode intensificar o conflito entre os grupos. “Eles deveriam aprender com a nossa história[2], afirmou Kagame, em referência clara ao genocídio de Ruanda, em 1994, quando aproximadamente 800 mil pessoas foram mortas em um dos conflitos étnicos mais sangrentos da história.

Por outro lado, críticos ao Governo Nkurunziza o culpam pela atual instabilidade, não somente pela tentativa forçada de um terceiro mandato, mas também pelo pouco reconhecimento a direitos humanos universais. A suspeita morte de Welly Mbonimpa, na última sexta (6 de novembro), filho de Pierre Mbonimpa, um dos principais ativistas dos direitos humanos do país, recai sobre os ombros do Governo e aumenta os temores de que piores confrontos ainda estão porvir. “Esta morte reforça o medo de que há uma política sistemática de violência a membros dos grupos de oposição, jornalistas, defensores dos direitos humanos e cidadãos como um todo[1], afirmou Zeid Raad alHussein, Comissário dos Direitos Humanos para a Organização das Nações Unidas.

O conflito marca mais um de tantos casos de democracias frágeis na África Subsaariana, ou seja, países com sistemas políticos que, em teoria, são democráticos, mas, na prática, erguem verdadeiras barreiras à liberdade individual e apresentam baixa prestação de contas aos eleitores e à Constituição nacional.

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ImagemHuffington Post”:

http://www.huffingtonpost.com/2015/05/04/burundi-anti-government-protest-photos_n_7205044.html

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Fontes Consultadas:

[1] VerThe New York Times”:

http://www.nytimes.com/2015/11/07/world/africa/west-fears-burundi-is-on-brink-of-conflict.html?ref=africa

[2] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2015/nov/08/rwandan-president-urges-burundi-not-to-repeat-genocide

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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