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Visita ao “Templo de Yakusuni” agudiza a crise Sino-Japonesa

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Tal como aconteceu em abril[1] e agosto[2] desde ano (2013)*, quando membros doParlamento Japonês” (Diet) e do Governo visitaram Yakusuni, a China voltou a protestar contra a repetição da visita que se deu na última semana, no contexto da celebração das festividades japonesas de outono*.

Este ato simbólico por parte de membros de autoridades do Executivo e do Legislativo do Japão contribui em grande medida para o esfriamento das relações entre os dois países, as quais, desde setembro de 2012** têm registrado uma das maiores crises das últimas quatro décadas.

A China havia ameaçado que se primeiro-ministro Shinzo Abe visitasse Yakusuni nas celebrações de outubro haveria consequências, que, no entanto, não foram especificadas[3]. Por isso, Abe absteve-se de fazer a visita pessoalmente, porém, tal como agira anteriormente, delegou outras pessoas para em seu nome ofertarem o galho de uma árvore sagrada, avaliado em 500 dólares[4]

Mesmo depois de um porta-voz do governo japonês justificar que o Primeiro-Ministro fez aquela oferta a título privado, o gesto de Abe foi prontamente condenado não só na China como também naCoreia do Sul”. Esses dois países entendem que ações como essas levadas a cabo por autoridades japonesas servem para vangloriar o passado militarista daquele do Japão[5].

O governo chinês expressou os seus protestos junto ao embaixador do Japão em Pequim.  Para a China, a insistência dos políticos japoneses em venerar “os 14 criminosos da classe A da 2ª Guerra Mundial” é testemunho de que Tóquio ainda não se redimiu da sua história de invasão e colonização dos países asiáticos, incluindo a China[6]

A China ainda entende que a ida de políticos japoneses ao “Templo de Yakusuni” significa que o Japão pretende apagar a sua história de invasão, bem como contestar os resultados da “2ª Guerra Mundial” e a ordem internacional do pós-guerra. Por isso, o Governo chinês quer que o Japão olhe para o passado com sinceridade, pois só assim pode conseguir caminhar para o futuro de mãos dadas com os vizinhos asiáticos. Ainda acrescenta que a questão de Yakusuni faz parte da base política das relações sino-japonesas atuais[6].

Entretanto, especialistas dizem que o assunto do “Templo de Yakusuni” é apoiado por cerca da metade da população japonesa, por isso a ida àquele Santuário favorece políticos em épocas eleitorais, principalmente junto aos votantes da direita. Esse grupo entende que os protestos da China e de outros Estados são injustificáveis, pois a homenagem que se faz ao mortos de guerra é uma questão interna[7].    

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* Quando 168 e 89 legisladores, respectivamente em abril e agosto. Neste mês de outubro, foram 159 e alguns membros do Governo, incluindo um Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros, para prestar homenagem aos cerca de 2,5 milhões de mortos que repousam naquele Templo[8].

** Quando o anterior governo do “Partido Democrático do Japão”, liderado por Yoshihiko Noda, comprou de proprietários privados japoneses parte das disputadas Ilhas Diaoyu/Senkaku, o que levou a uma onda de protestos em muitas cidades chinesas.

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Imagem (Fonte):

http://edition.cnn.com/2013/10/21/world/asia/yasukuni-japan/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/a-china-e-a-recente-visita-ao-santuario-yakusuni/

[2] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/visita-ao-santuario-yakusuni-agudiza-tensao-entre-a-china-e-o-japao/

[3] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2013-10/09/content_17018788.htm

[4] Ver:

http://blogs.wsj.com/japanrealtime/2013/10/17/abe-stays-away-from-yasukuni/

[5] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/10/18/us-japan-shrine-lawmakers-idUSBRE99H0KZ20131018

[6] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2013-10/18/content_17044464.htm

[7] Ver:

http://edition.cnn.com/2013/10/21/world/asia/yasukuni-japan/

[8] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/818684.shtml#.UmkEqvnEd9E

Jorge Nijal (Moçambique) - Colaborador Voluntário

De Nacionalidade Moçambicana, é mestrando em História do Mundo no Instituto de Estudos Africanos da Universidade Normal de Zhejiang, na China. Graduado em História pela Universidade Eduardo Mondlane em Maputo (2007). Possui experiência na docência de disciplinas de História Geral e da África Austral. Interesses: História de Moçambique, relações China-Moçambique, política externa chinesa no nordeste e sudeste da Ásia, relações China-África, cultura cibernética popular na China. Fala Português, Inglês, Francês e conhecimento razoável de chinês.

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