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Visita do Primeiro-Ministro Indiano à Israel sugere mudança de política externa

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A visita do Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi, à Israel, ocorrida entre os dias 4 e 5 de julho (2017), foi um marco na política externa indiana, pois é a primeira vez na história do país que seu Chefe de Governo visita Tel Aviv. A Índia, que abriga uma população de 172 milhões de muçulmanos, historicamente se colocou ao lado da causa Palestina e reconhece o seu Estado. Esse comportamento estava relacionado com uma política externa terceiro-mundista*, que historicamente apoiou a criação do Estado da Palestina e condenou os atos de Israel. Entretanto, sinais de uma inclinação da política externa indiana à nação judia começaram a ser perceptíveis desde o estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, em 1992, e tais sinais se mostraram inegáveis durante a visita de Modi à Netanyahu.

Visita do Presidente palestino, Mahmoud Abbas, ao Primeiro Ministro da Índia, Narendra Modi, em maio de 2017

Atualmente, a principal área de cooperação é a de segurança. A Índia é o maior mercado dos produtos da indústria bélica israelense e ambos agora planejam aumentar sua cooperação para a construção conjunta de um sistema antimíssil indiano, a partir de um acordo assinado em abril, de quase 2 bilhões de dólares (aproximadamente 6,5 bilhões de reais, na conversão de 11 de julho de 2017). Além da realização de acordos relacionados à Defesa, os dois Estados expandiram a cooperação nas áreas de comércio, desenvolvimento tecnológico e questões energéticas.

Benjamin Netanyahu, Primeiro-Ministro de Israel

O prolongamento da viagem para a Palestina, que normalmente é realizada por todos Chefes de Estado e de Governo que visitam Israel, não ocorreu. O Presidente palestino, Mahmoud Abbas, já havia se reunido com Modi em Nova Delhi, em maio deste ano (2017), o que poderia justificar a resolução indiana. A decisão de Modi de não visitar a Palestina, porém, foi contestada tanto internamente, com o Partido Comunista Indiano enfatizando o desrespeito à causa árabe e palestina, como pelo Governo e sociedade civil da Palestina. O Governo indiano, por sua vez, afirmou para o jornal The Independent que os laços entre a Índia e a Palestina ainda são fortes e a aproximação com Israel não deve ser compreendida como um estremecimento deles.

Por um lado, a tentativa de se aproximar de Israel e manter suas relações com os palestinos pode ser interpretada como uma perpetuação da ideologia terceiro-mundista, visto que ela pregava que a defesa dos interesses nacionais estaria acima de conflitos políticos e ideológicos. A atual aproximação com o Estado israelense, porém, ao ser alinhada internamente com o aumento na violência contra os muçulmanos na Caxemira e as atuais políticas contra a indústria da carne, demonstra uma consonância entre as políticas internas e externas da atual gestão de Modi que, ao se aproximarem da ideologia de nacionalismo hindu, o afasta do ideal não-alinhado. 

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Notas:

* O Terceiro-Mundismo é uma corrente do pensamento político originada na divisão ideológica criada pela Guerra Fria, que separou o Primeiro-Mundo, ocidental e capiteneado pelos Estados Unidos, do Segundo-Mundo, países socialistas aliados à antiga União-Soviética. Dezenas de países da América Latina, África e Ásia preferiram, em vez de se aliar a um dos lados dessa divisão, criar um grupo próprio, o Terceiro-Mundo. Entre seus ideais estão o não-alinhamento, o respeito à soberania interna dos países e a luta contra o subdesenvolvimento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeiras da Índia e Israel” (Fonte):

http://www.mapsofindia.com/my-india/government/the-friendship-of-india-and-israel

Imagem 2Visita de Abbas à Modi, em maio de 2017” (Fonte):

http://www.india.com/news/india/narendra-modi-meets-palestinian-president-mahmoud-abbas-seeks-help-to-rescue-indian-hostages-in-iraq-and-libya-585783/

Imagem 2Benjamin Netanyahu, PrimeiroMinistro de Israel” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Netanyahu#/media/File:Benjamin_Netanyahu_2012.jpg

Livi Gerbase - Colaboradora Voluntária

Mestranda em Economia Política Internacional pela UFRJ e Bacharel em Relações Internacionais pela UFRGS. Ex-pesquisadora do Núcleo Brasileiro de Estratégia e Relações Internacionais e do Centro Brasileiro de Estudos Africanos. Atualmente é estagiária do the South-South Exchange Programme for the Research on the History of Development (SEPHIS). Se interessa por assuntos relacionados aos países em desenvolvimento e recentemente tem focado no sistema financeiro internacional.

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