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A visita histórica do Primeiro-Ministro palestino, Rami Hamdallah, à Gaza

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Após dez anos de divisão entre a Autoridade Palestina e o governo do Hamas na Faixa de Gaza, o Primeiro-Ministro palestino, Rami Hamdallah, aterrissou no território ocupado na segunda-feira (2 de outubro de 2017). A visita representa um marco nas tratativas entre os dois governos da Palestina que estão se encaminhando para uma aproximação e uma possível unificação, após eleições gerais.

Rami Hamdallah – Primeiro-Ministro da Palestina

De acordo com as palavras do Primeiro-Ministro, sua visita foi ordenada pelo presidente Mahmmoud Abbas, de modo a anunciar para o mundo que o Estado da Palestina não pode existir sem unidade política e geográfica entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. O anúncio foi feito durante uma conferência de imprensa, depois de sua chegada ao território de Gaza.

O representante da Autoridade Palestina ainda afirmou saber que o único caminho para atingir os objetivos é através da unidade para proteger o seu sistema político. A ênfase na unidade do Governo demonstra a presunção por parte da Autoridade Palestina de que o possível governo de unidade nacional assumirá os deveres administrativos na Faixa de Gaza.

Uma das medidas tomadas, anunciada durante a visita, foi a criação de diversos comitês para gerenciar as questões que são empecilhos à unidade entre as duas administrações governamentais, a saber, a travessia de fronteiras e os funcionários da Autoridade Palestina que atuam na Faixa de Gaza. Além disso, a visita de Hamdallah também percorrerá o palco de um dos piores acontecimentos do conflito de 2014 entre Israel e Gaza: a vizinhança de Shujayea.

A supervisão do projeto de reconciliação entre os governos da Palestina está sendo feita por uma delegação egípcia, liderada pelo Embaixador do país em Israel, Hazem Khairat. A liderança egípcia se deve às conversas entre seus diplomatas e o Hamas, no Cairo, que levaram à dissolução dos comitês administrativos do partido, como demonstração da vontade em cooperar com sua contraparte, o Fatah.

Apesar da movimentação positiva em relação à aproximação que está ocorrendo, um fator chave se apresenta como o maior desafio à consolidação da unidade governamental da Palestina: o Hamas continua a deter a autoridade e responsabilidade pela segurança do território de Gaza, buscando garantir a legitimidade do seu direito à resistência armada que definiu o movimento, principalmente após os acordos de Oslo, na década de 90.

Espera-se que a aproximação consiga trazer resultados benéficos à Palestina em curto prazo, porém, quando o assunto de Oslo surgir o possível Governo unificado terá que encontrar maneiras de mitigar a perspectiva do Hamas de resistência à ocupação de Israel.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira do Estado da Palestina” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Portal:Palestina#/media/File:Flag_of_Palestine.svg

Imagem 2 “Rami Hamdallah PrimeiroMinistro da Palestina” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Rami_Hamdallah

Gabriel Mota - Colaborador Voluntário

Gabriel Mota Silveira é formado em Relações Internacionais. É mestrando do programa de pós-graduação em Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PPGRI/PUC-MG), com linha de pesquisa em Insituições, Conflitos e Negociações Internacionais. É pós-graduado em Relações Governamentais e Políticas Públicas pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), e discente associado ao Centro Brasileiro de Estudos Constitucionais do Instituto CEUB de Pesquisa e Desenvolvimento (CBEC-ICPD). Entusiasta do estudo do Terrorismo Transnacional e Insituições Internacionais. Já prestou serviço ao Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, trabalhou na Embaixada do Reino Unido em Brasília e no Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Atua hoje junto à Assessoria de Relações Internacionais da Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais.

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