LOADING

Type to search

Visita inédita de Kim Jong-un à China pode impulsionar relações bilaterais

Share

O maior parceiro da Coreia do Norte é a China. O gigante asiático é importante aliado em questões internacionais, além de ser o principal parceiro comercial e investidor dos norte-coreanos. Para essa aliança especial contribuem: a existência de afinidades políticas e ideológicas, embora a China tenha desenvolvido um modelo intermediário com ação da iniciativa privada; o entendimento da participação estatal na economia e a vizinhança geográfica. Apesar disso, o histórico relacionamento bilateral atravessa um momento ruim, por causa do apoio chinês a sanções adotadas pelo Conselho de Segurança[1] da Organização das Nações Unidas (ONU) no âmbito do desenvolvimento do programa nuclear norte-coreano[2]

Conselho de Segurança da ONU

A visita inédita do dirigente da Coreia do Norte a Pequim, no dia 25 de março de 2017, demonstra intenção de reestabelecer boas relações. Após dias de especulação, depois de o trem que costumava transportar Kim Jong-il[3] haver saído da Coreia do Norte em direção ao território chinês, a mídia estatal chinesa confirmou que Kim Jong-un estava a bordo e visitou Pequim a convite do presidente Xi Jinping. Trata-se da primeira viagem do mandatário norte-coreano ao exterior. Kim Jong-un afirmou que “o fato de que ele escolheu a China como sua primeira destinação no exterior mostrou sua vontade de continuar a tradição da amizade entre a China e a Coreia do Norte e como ele valorizava a amizade entre os dois países”.

A retomada das relações e a reafirmação da parceria ocorrem no momento em que a Coreia do Norte começa a aproximar-se da Coreia do Sul e a aceitar discussões com os Estados Unidos acerca de seu programa nuclear. As recentes sanções impostas, em 22 de dezembro de 2017, na Resolução 2397 do Conselho de Segurança da ONU, que incluem restrições a importações de bens fundamentais, como petróleo refinado, pela Coreia do Norte, além de banimento de exportações norte-coreanas de produtos alimentícios, motivaram o país a abrir-se ao diálogo com o vizinho do Sul e com os americanos.

A aproximação com os sul-coreanos, no âmbito das Olimpíadas de Inverno de PyeongChang[4], e a disposição de dialogar com o presidente Donald Trump no fim de maio de 2018 sobre a desnuclearização pareciam excluir os chineses das negociações. Essa impressão precisava ser desfeita. Durante a visita, Kim afirmou que “a Coreia do Norte deseja aumentar as comunicações estratégicas com a China durante o processo, salvaguardando conjuntamente a tendência de consultas e diálogo, bem como a paz e a estabilidade na península (coreana)”.

O Presidente chinês, Xi Jinping, destacou quatro diretrizes para as relações bilaterais: promover visitas de alto nível; utilizar toda a capacidade das comunicações estratégicas; incentivar ativamente o desenvolvimento pacífico; consolidar o pilar da vontade popular na amizade entre os dois países.

A visita de Kim retoma as relações próximas entre as duas nações asiáticas e traz vantagens recíprocas. Para a China, a manutenção da aliança, o que evita a formação de laços mais fortes com os sul-coreanos e assegura a participação chinesa nos diálogos sobre a desnuclearização da península coreana. Para a Coreia do Norte, assegura a proteção de um aliado poderoso, além de garantir que o comércio não seja severamente prejudicado.

———————————————————————————————–

Notas:

[1] Principal órgão de discussão de temas relacionados à paz e à segurança internacionais no âmbito da ONU. Suas resoluções são obrigatórias para todos os membros da organização.

[2] A Coreia do Norte tem arsenal atômico, faz teste com armas nucleares e ameaça utilizá-las contra os Estados Unidos.

[3] Kim Jong-il é o pai do atual mandatário, Kim Jong-un. Ele foi o Líder Supremo da República Popular Democrática da Coreia, foi o Presidente da Comissão de Defesa Nacional da Coreia do Norte e Secretário-Geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia. Herdou de seu pai, Kim Il-Sung, o poder sobre a Coreia do Norte, tendo governado entre 1994 e 2011.

[4] A Coreia do Norte enviou delegação ao evento, que ocorreu em fevereiro de 2018, e desfilou juntamente com a Coreia do Sul. Kim yo-jong, a irmã de Kim Jong-un, também compareceu, indicando que os norte-coreanos estavam mais abertos à aproximação.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Xi Jinping e Kim Jongun” (Fonte):

https://vipceo.com.br/kim-jong-un-recebido-com-grande-pompa-na-china-antes-de-reuniao-com-trump-isto-e-dinheiro/ 

Imagem 2Conselho de Segurança da ONU” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/United_Nations_Security_Council

———————————————————————————————–

Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/03/what-the-arrival-of-north-koreas-special-train-in-beijing-means/

[2] Ver:

http://www.xinhuanet.com/english/2018-03/28/c_137070779_2.htm

[3] Ver:

https://thediplomat.com/2018/03/china-north-korea-extol-traditional-friendship-after-kim-jong-uns-beijing-visit/

[4] Ver:

https://www.un.org/sc/suborg/en/sanctions/1718/resolutions

[5] Ver:

https://edition.cnn.com/2018/03/21/asia/moon-us-north-korea-talks-intl/index.html

Jonas Marinho - Colaborador Voluntário

Especialista em Direito e Relações Internacionais pela Universidade de Fortaleza. Especialista em Desafios das relações internacionais, especialização oferecida pela Universidade de Leiden & pela Universidade de Genebra em parceria com o Coursera. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.