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Em plena Copa do Mundo, vários países se reuniram no último dia 22 de junho em Viena, capital da Áustria, não para discutir sobre o andamento dos jogos de suas seleções, mas para dar continuidade ao plano de balanceamento mundial na produção de petróleo, em detrimento aos altos preços do barril dessa commodity demonstrados no mercado mundial nos últimos meses.

Símbolo da OPEP

A reunião elencou os países pertencentes a OPEP* (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), onde se decidiu, baseados no plano original, pelo aumento de produção diária em 1 milhão de barris a partir de julho de 2018, o que equivale a 1% da produção mundial.

A validação desse acordo se concretizou um dia depois, 23 de junho, com a reunião complementar da OPEP+ (membros da OPEP e os 10 principais países exportadores não pertencentes ao cartel, liderados pela Rússia), onde foram delineados os montantes de produção individual aos 24 membros participantes, mas não informados aos órgãos de comunicação internacional, impossibilitando uma visão clara dos desígnios desse acordo aos olhos de analistas internacionais. Segundo estudos de especialistas na área de energia e combustíveis, a produção real deverá ser elevada apenas entre 600 e 700 mil barris diários, graças à falta de capacidade operacional de alguns países, aliado a questões político-econômicas que afetam Venezuela e Irã.

Gráfico preço do barril Brent

Devido ao petróleo ser uma commodity que possui alto nível de especulação de seus preços no mercado mundial, aliado ao fato do resultado dessa reunião não ter atendido aos anseios dos investidores internacionais que esperavam uma inundação do mercado futuro com a oferta elevada de petróleo, os preços do barril dispararam logo após o encontro, quando, na Bolsa Mercantil de Nova York, o contrato futuro do WTI (West Texas Intermediate – principal região petrolífera dos EUA) para entrega em agosto subiu 4,6%, indo para US$ 68,58 por barril, enquanto, em Londres, o Brent** subiu 3,4%, para encerrar a sessão negociado a US$ 75,55 por barril.

Os grandes beneficiados desse conclave foram Arábia Saudita e Rússia, que são os maiores produtores desse bloco e assumiram a responsabilidade pela estabilidade do mercado global de petróleo, elaborando um acordo que pode abrir caminho para um novo mercado mundial e a elaboração de mecanismos de regulação de preços, de acordo com o analista russo, Dmitry Lekuh. No momento, com o resultado da reunião, poderão ter a possibilidade de preencher a lacuna produtiva dos países com dificuldades e ainda lucrar com os atuais preços praticados.

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Notas:

* Criada em 14 de setembro de 1960, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) é uma organização intergovernamental, que tem como objetivo a centralização da elaboração das políticas sobre produção e venda do petróleo dos países integrantes (Angola, Argélia, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Equador, Gabão, Indonésia, Iraque, Irã, Kuwait, Líbia, Nigéria e Venezuela).

** O petróleo Brent foi batizado assim porque era extraído de uma base da Shell com o mesmo nome. Atualmente, a palavra Brent designa todo o petróleo extraído no Mar do Norte e comercializado na Bolsa de Londres. A cotação Brent é referência para os mercados europeu e asiático.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Putin e Mohammed bin Salman” (Fonte):

https://pbs.twimg.com/media/DfsjIpeXkAALmrz.jpg

Imagem 2 Símbolo da OPEP” (Fonte):

http://p0.ipstatp.com/large/005926ff9fc600959675

Imagem 3 Gráfico preço do barril Brent” (Fonte):

https://br.investing.com/commodities/brent-oil

Edson José de Araujo - Colaborador Voluntário

Bacharel em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA) e pós-graduado em Economia de Empresas pela FEA-USP. Especialista em finanças (FP&A) com mais de 20 anos de experiência em empresas multinacionais na área de Planejamento Financeiro e Controladoria com certificação 6Sigma Green Belt. Atuou durante 7 anos como educador no Projeto Formare da Fundação Iochpe ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Atualmente é pós-graduando em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tem grande interesse nas áreas de Geopolítica, Relações Internacionais e Economia Política Internacional.

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