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Washington pressiona multinacionais estadunidenses a não participarem do St. Petersburg International Economic Forum 2014

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Na primeira semana de maio de 2014, o presidente norte-americano Barack Obama pressionou diversos Chief Executive Officers(CEOs) de algumas das maiores empresas multinacionais estadunidenses a não participarem do “St. Petersburg International Economic Forum”,que ocorrerá dos dias 22 a 24 de maio de 2014. O Fórum reúne anualmente mais de cinco mil líderes empresariais e políticos, figuras públicas e cientistas proeminentes, assim como membros da mídia com o propósito de discutir as questões econômicas e políticas mais prementes enfrentadas pela Rússia e pelo mundo[1].

O intenso lobbying feito por parte de assessores de campanha do presidente Obama a empresas como Boeing, PepsiCo, IBM, Nike, ConocoPhillips, ExxonMobil, Morgan Stanley, JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Citigroup, Citibank, Merrill Lynch, MasterCard, Visa, Cargill, dentre outras, tem como objetivo isolar Moscou, como uma forma de retaliação a sua intervenção na crise da Ucrânia. Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram mais sanções à Rússia na semana passada, como parte do esforço conjunto para colocar pressão sobre Moscou quanto à anexação da Criméia, o que enxergam como apoio direto aos separatistas pró-russos[2]. De acordo com Peter Baker, do “The New York Times”, o Fórum tornou-se o mais novo campo de batalha geopolítico entre as vontades do presidente Obama e do presidente russo Vladimir Putin, que abre e preside o evento todos os anos[3]. A porta-voz do National Security Councilda Casa Branca, Cailtin Hayden, comunicou que a decisão de participar ou não do Fórum cabe às empresas, no entanto advertiu que a ida de executivos seniores à Rússia e sua aparição com oficiais do Governo russo em um evento desse porte poderia enviar uma “mensagem inapropriada” ao resto do mundo em relação aos Estados Unidos[4].

Ligações telefônicas de Oficiais de Governo diretamente de Washington[5] constrangeram os CEOs, que por um lado não querem entrar em conflito com o Presidente estadunidense, mas, por outro, temem que sua ausência no Fórum possa afetar negativamente seus negócios na Rússia e com a Rússia, visto que o Kremlin irá observar atentamente quais empresas escolheram boicotar o evento do Presidente russo.

O secretário de imprensa de Putin, Dmitry Peskov, comentou na quarta-feira dia 7 de maio à estação de rádio Ekho Moskvy: “Essa não foi uma decisão que as empresas fizeram por conta própria. Essa foi uma medida forçada, eles escolheram não comparecer por conta de uma pressão súbita[6]. Alguns oficiais de indústria nos Estados Unidos expressaram sua frustração pelo fato de estarem no “meio” dessa situação e afirmaram que cortar relações econômicas e comerciais com a Rússia apenas aumentará as tensões entre os dois países em vez de apaziguá-las.

Para achar um middle groundem meio a esse “campo minado” algumas empresas multinacionais optaram por enviar outros representantes de cargos inferiores a presidentes ou CEOs. A Cargill, o gigante agrícola, que investiu mais de um bilhão de dólares na Rússia e possui mais de três mil funcionários nesse país ainda não decidiu se cancelará ou não sua participação no Fórum. A PepsiCo, por sua vez, que obteve investimentos lucrativos de 4,9 bilhões de dólares na Rússia em 2013, fazendo desse país o seu segundo maior mercado, cancelou a presença de sua CEO, Indra Nooyi, por motivos de “conflito de agendamento[7].

Apesar de um decréscimo em 40% no número total de participantes estrangeiros no Fórum, em comparação com o encontro de 2013, Vladimir Putin não pretende mudar a programação do evento, confirmou Peskov, acrescentando que “Atividades de investimentos não deixam lacunas. Se alguém sai e o espaço é deixado vazio, esse espaço é imediatamente ocupado do outro lado[8] referindo-se a empresas europeias e do Oriente Médio que confirmaram a presença no Fórum[8].

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Imagem (Fonte):

http://www.nytimes.com/2014/05/06/world/europe/us-urges-executives-to-skip-russian-forum.html?ref=europe&_r=1

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.forumspb.com/en/2014/sections/28/materials/219

[2] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/05/06/world/europe/us-urges-executives-to-skip-russian-forum.html?ref=europe&_r=1

[3] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/05/01/alcoa-forum-idUSL2N0NN19720140501

[4] Ver:

http://rt.com/business/157408-us-saint-petersburg-forum/

[5] Dentre eles, a assessora-sênior do presidente Barack Obama e a liaisonde negócios, Valerie Jarrett; o secretário do Tesouro, Jacob J. Lew; a secretária de comércio Penny Pritzker e o assessor nacional de assuntos econômicos, Jeffrey D. Zients. Ver:

http://www.nytimes.com/2014/05/06/world/europe/us-urges-executives-to-skip-russian-forum.html?ref=europe&_r=1

[6] Ver (Tradução livre):

http://www.themoscowtimes.com/business/article/us-ceos-shun-st-petersburg-forum-but-send-their-deputies/499760.html

[7] Ver:

Idem 2

[8] Ver (Tradução livre):

Idem 6

Sophia Zaia - Colaboradora Voluntária Júnior 2

Graduanda em Relações Internacionais pelo Centro Universitário Curitiba-UNICURITIBA. Realizou, no ano de 2011, intercâmbio institucional na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, no curso de Relações Internacionais. Foi bolsista pelo Canadian Bureau for International Education (CBIE), no programa Emerging Leaders in the Americas Program (ELAP), no período de janeiro a maio de 2012, na Universidade de Winnipeg, nos cursos de International Development Studies e Conflict Resolution Studies. É atualmente bolsista da FUNADESP na área de estudos em Hegemonia Econômica dos Estados Unidos.

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