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Um total de 92,7% pessoas disseram sim no Referendo curdo realizado no norte do Iraque, em 25 de setembro de 2017, que prevê a constituição de um Estado independente para os 8,4 milhões de habitantes da região conhecida como Curdistão iraquiano.

O anúncio oficial da vitória da secessão ocorreu dois dias após o pleito, em Erbil, capital do Governo Regional do Curdistão (KRG, na sigla em inglês), pelo Ministro das Relações Exteriores deste governo, Falah Mustafa Bakir, e pelo presidente do governo regional curdo Masoud Barzani.

Cédula de votação do referendo

Sob protestos, Irã e Turquia adotaram posições duras durante a votação. Conforme disseminado na imprensa, dentre elas aqui no CEIRI NEWSPAPER pelo especialista João Gallegos, Teerã cancelou voos para Erbil, a pedido de Bagdá, e o presidente turco Recep Tayyip Erdorgan ameaçou cortar as exportações de petróleo curdo, assim como deixar em alerta as tropas localizadas na fronteira iraquiana. Em resposta aos vizinhos, o ministro Bakir afirmou à Foreign Policy “não estar blefando e que o intuito era garantir uma vida melhor às futuras gerações“.

Em Washington, o posicionamento inicial veio através de nota oficial emitida pelo Departamento de Estado às vésperas do Referendo, advertindo Erbil de que “é altamente improvável que haja negociações com Bagdá, e a oferta internacional de apoio às negociações será encerrada”.

Para as autoridades dos EUA há o temor de que o Referendo prejudique o primeiro-ministro iraquiano Haider al Abadi, bastante impopular no país, e inviabilize o combate aos terroristas do Estado Islâmico.

Outro motivo analisado por especialistas e membros do governo em Washington está atrelado à possibilidade de o voto de independência constituir uma divisão mais profunda, não apenas do Iraque, mas do Curdistão iraquiano, onde ocorrem tensões políticas entre facções. Nesse sentido, para uma parcela de curdos, a consulta popular defendida pelo presidente do Governo Regional do Curdistão, Masoud Barzani, seria uma forma de consolidar o domínio de seu partido político.

Com o posicionamento contrário de Washington ao Referendo é possível que, além da dissolução da coalizão contra o Estado Islâmico, haja aumento da fricção entre curdos e Bagdá que, segundo diplomatas consultados, poderia beneficiar a insurgência terrorista sunita e aumentar influência iraniana, algo que fortaleceria os extremos da política iraquiana, especialmente as milícias xiitas leais a Teerã, minando Abadi e outras lideranças moderadas antes das próximas eleições nacionais, em abril de 2018.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira do Curdistão tremulando na cidade de Kirkuk” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iraqi_Kurdistan_independence_referendum,_2017#/media/File:Sulaymaniyah-Kirkuk_Road.jpeg

Imagem 2 Cédula de votação do referendo” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iraqi_Kurdistan_independence_referendum,_2017#/media/File:Kur2017rrr.jpg 

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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