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O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, apresentou um relatório resumindo a economia chinesa no período de dez anos. Em seu documento, foi destacada a forma com a qual os processos de industrialização, urbanização, informatização e modernização da agricultura impulsionaram o crescimento do país.

 

A apresentação da autoridade chinesa foi nesta segunda-feira, dia 10 de setembro, na cidade de Tianjin, durante a abertura da “Reunião Anual dos Novos Campeões”, conhecida como “Fórum Davos de Verão”. Seu Relatório proporcionou informações que são claras, com aspectos positivos da economia chinesa.

Nos últimos cinco anos, o maior país do leste asiático tem apresentado dados positivos de setores econômicos que compõem seu “Produto Interno Bruto” (PIB). Neste período, a economia chinesa sempre apresentou cifras iguais ou superiores a 7% em seu crescimento, mesmo após o ano de 2008, quando houve a “Crise Financeira” mundial.

Todos estes índices são resultados de investimentos expressivos na modernização dos processos de produção agrícola e industrial chinesa, em infra-estrutura portuária e aeroviária e no escoamento e estocagem de sua produção. Nos últimos dez anos, Beijing utilizou de todos os seus recursos disponíveis  preparando suas bases para suprir a sua demanda interna e estes investimentos se fizeram necessários, pois, hoje, a política econômica do governo está voltada para o aumento do consumo interno.

Para efeito ilustrativo dos resultados positivos destes investimentos, na última década, o setor de agronegócios do país cresceu 25% ao ano. Segundo informações oficiais divulgadas pela agência de noticias estatal chinesa, Xinhua, citada pela “Agência Estado”, nestes passados dez anos a safra de grãos cresceu de 114 milhões de toneladas para 571 milhões.

Desde o ano de 2002, o país investiu na modernização e escoamento da produção agrícola para não haver desperdícios, evitando assim prejuízo para a sua economia e também para os produtores. O Governo chinês adotou diversas medidas para manter seus produtores ativos e incentivados, criando programas para gerar fonte de renda às famílias de zonas rurais chinesas, principalmente em época onde não existe a colheita, investiu na educação e profissionalização da população rural para evitar o êxodo para as cidades, mantendo um controle populacional e garantindo as necessidades básicas para todos.

Em 2002, a produção total havia sido de 114,15 milhões de toneladas e a rede de rodovias ainda era insuficiente para atender as exigências de Beijing. Por isso, até o ano de 2011, foi apresentado um crescimento de 170% da rede de estradas rurais, sendo elas responsáveis pela conexão de 99,97% dos municípios e 99,98% dos pequenos vilarejos chineses.

Os números, embora aparentem ser suficientes para manter um bom desempenho interno, ainda tem espaço para crescimento. Segundo Xu Lin, diretor do “Departamento de Assuntos Fiscais e Financeiros da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China”, o país ainda tem mais fundos para gastos com projetos de infra-estrutura. Seu departamento já apresentou Projetos para elevar os gastos e impulsionar o crescimento econômico.

Sendo assim, 25 novos Projetos são voltados para a rede de Metrô, para 13 novas estradas, para Portos e para a Navegação, porém ainda não foram definidos quais setores serão priorizados e beneficiados com os planos de Lin.

O desenvolvimento da infra-estrutura interna chinesa vai se moldando de acordo com os planos de Beijing para o aumento do consumo interno chinês, paralelamente com o comércio internacional do país. Neste último final de semana, durante a segunda “China-Eurásia Expo”, Wen Jiabao se pronunciou a respeito da disposição de aumentar a cooperação e impulsionar o comércio entre a China e a Eurásia.

Segundo declarou, esta é “uma das regiões mais promissoras do mundo em termos de consumo e de investimento (…). Devemos, em um espírito de apoio mútuo e solidariedade, fornecer a assistência necessária aos países com dificuldades na região para ajudar a aumentar a sua capacidade de auto-desenvolvimento”*.

Suas declarações demonstram que o país pretende aprofundar a cooperação entre a China e outros países para movimentar seu capital, embora não esteja explícito, também mantendo as boas relações com países do continente americano, africano e europeu e já adentrando no mercado promissor da região da Eurásia.

Os países que estão se desenvolvendo e tem boas expectativas de crescimento no médio e longo prazo são os alvos da política de desenvolvimento chinês, podendo atuar como financiador, aumentar gastos internos para manter a população empregada e continuar com o comércio que lhe garante receber matéria-prima e alimentos, com o objetivo de satisfazer as necessidades de sua indústria e de sua população.

Conforme muitos analistas apontam, nestes últimos dez anos, a China já se projetou para ocupar um espaço maior dentro do cenário internacional, seja ele econômico ou político, agora resta ao país manter sua economia interna em equilíbrio e assumir maior responsabilidade em assuntos internacionais.  

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Imagens:

[1] Bandeira da República Popular China (Wikipédia)

[2] Beijing (Wikpédia)

[3] Vista do Distrito Financeiro de Pudong, em Xangai (Wikpédia)

[4] Edifício da Bolsa de Valores de Xangai (Wikipédia)

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Fontes:

* Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/730683.shtml

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Ver também:

http://www.souagro.com.br/agricultura-chinesa-cresceu-25-ao-ano-na-ultima-decada

Ver também:

http://portuguese.cri.cn/561/2012/09/11/1s156017.htm

Ver também:

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/95751_CHINA+TEM+FUNDOS+PARA+GASTOS+COM+INFRAESTRUTURA

Tags:
Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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