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Wikileaks: EUA já consultaram Michel Temer sobre a política e economia brasileiras

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Seguindo a posse do presidente interino Michel Temer, o site Wikileaks republicou, no dia 13 de maio, documentos previamente publicados em 2011, que mostram dois telegramas, um datando de 11 de janeiro de 2006, e outro de 21 de junho de 2006, em que o então Deputado Federal pelo Estado de São Paulo dava um panorama político e econômico do Brasil e opinava sobre a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

Os documentos disponibilizados pelo Wikileaks são classificados como “sensíveis” e “somente para uso oficial”. Foram marcados como originários de São Paulo, com destino ao Conselho de Segurança Nacional, ao United States Southern Command, (escritório norte americano para assuntos sul-americanos), além de outras Embaixadas norte-americanas na América do Sul.

Nos telegramas, Temer opina e analisa a conjuntura política do Brasil, as diferenças entre Lula e Fernando Henrique Cardoso, critica o Governo Lula, alegando que o então Presidente “foca demais em programas de assistencialismo social, que não promovem o crescimento ou desenvolvimento econômico”, e que, dependendo dos números das pesquisas de intenção de votos, o seu partido, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), iria ou não lançar um candidato próprio às eleições.

Em relação à economia, os telegramas mostram que Temer indica que as políticas econômicas do PMDB favorecem o crescimento econômico e que um possível governo do PMDB “não possui objeções contra o Free Trade Area of the Americas (FTAA)*. Embora preferissem ver o Mercosul se fortalecendo para negociar o FTAA como um bloco. Mas que a tendência era seguir o caminho oposto”.

Houve, portanto, o diálogo de uma Embaixada com um funcionário público de referência de outro país a respeito de uma conjuntura política e econômica. É uma prática comum e de forma alguma ilegal. O caráter dado a Temer como “informante” pelo Wikileaks ou outros sites/mídias é, de certa maneira, exagerado, tendo em vista que os documentos vazados mostram uma análise de conjuntura e não oferecem tipo de dados ou informação privilegiada, que poderiam ter sido obtidas estudando e analisando outros veículos de mídia, ou entrevistando outros funcionários e personalidades influentes sobre a política e a economia brasileira.

No entanto, deixa evidente o interesse norte-americano no Brasil e nos demais países da América Latina, mas que, neste caso específico, respeitou normas e leis dentro das relações internacionais, diferente de outras ocorrências, quando o Governo norte-americano desafiou a soberania brasileira ao grampear o telefone da presidente Dilma Rousseff e de membros do alto escalão do Governo, ou casos de espionagem industrial, quando monitorou as pesquisas da Petrobrás para perfuração em altas profundidades.

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* Tratado ainda em negociação que objetiva expandir o NAFTA para mais países ocidentais, incluindo a América do Sul.

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Imagem (Fonte):

https://twitter.com/wikileaks/status/731130181541302272/photo/1

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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