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Xadrez geopolítico Norte-Americano na “Península Coreana”

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Durante o encontro entre o “Secretário de Defesa dos Estados Unidos”, Chuck Hagel, e seu homônimo sul-coreano Kim Kwan-jin, em 2 de outubro, foi celebrado um novo acordo estratégico-militar para combater a por eles denominada “frente insana norte-coreana” e seu desejo de produzir artefatos nucleares como forma de agressão aos países que fazem frente ao seu programa nuclear. Nesse sentido, o jogo de xadrez e paciência geopolítica aos quais os “Estados Unidos” estão submetidos com a “Península Coreana” ganha mais um capítulo.

Historicamente esta união revela resquício do período da “Guerra Fria”, mais precisamente da “Guerra na Coreia”, em que o país teve ativa participação para não perder sua zona de influência para o “Bloco Comunista” soviético e chinês e, por conseguinte, causar um desequilíbrio de forças do sistema internacional bipolar da época.

Nos dias atuais, a questão “Norte-Coreana” tem causado preocupação sazonal à mídia, mas constante para os governos de “Estados Unidos”, “Coréia do Sul”, Japão, China, Rússia e o bloco europeu (“União Europeia”) devido às declarações do líder norte-coreano, um ditador jovem e considerado inexperiente (“Kim Jong Um”), recém-empossado no poder (assumiu o controle do “Partido Comunista e da Nação após a morte de seu pai, “Kim Jong Il” em 2011) que insiste na mesma temática falida de seu avô e seu pai (Kim Il Sung e Kim Jong Il, respectivamente) quanto ao programa nuclear e o “direito” a autodefesa através da construção de um arsenal atômico alegadamente capaz de liquidar o imperialismo norte-americano.

Mediante essa linha de raciocínio das lideranças da nação norte-coreana, os “Estados Unidos” tem discorrido sobre a questão nuclear de forma precisa e constante independentemente da corrente que estiver governando em Washington, sem dar espaço ao Politburo de Pyongyang de se firmar frente a alguma possibilidade de flexibilização estadunidense ao projeto de nuclearização da nação Comunista.

Nessa conjuntura, algumas tentativas ao longo do tempo já foram testadas como a “Korean Peninsula Energy Development Organization” (KEDO, na sigla em inglês), um acordo assinado em 1994 pelos “Estados Unidos” (durante o “Governo Bill Clinton”) e pela “República Popular da Coréia do Norte” (sob o “Governo Kim Il Sung”) com o objetivo de desmantelar seu programa nuclear no que tange o encerramento total das atividades em troca de financiar a construção de dois reatores de água leve, investir em fontes alternativas de energia, principalmente na forma de óleo combustível, seguir os padrões de segurança nuclear e do meio ambiente, além de outras medidas necessárias para evitar uma catástrofe nuclear.

Todavia esse acordo além de outros tantos já assinados a partir de 1994 não tiveram o mesmo sucesso, pois volta e meia à “Coréia do Norte”, sem verba para sustentar o próprio povo, voltava à carga nas ameaças aos seus vizinhos do sul, bem como aos “Estados Unidos”, pois clandestinamente reativavam seu programa nuclear para uma vez detectado pelos serviços de inteligências dos países envolvidos nas conversações (leia-se “Estados Unidos”, Japão, “Coréia do Sul”, China, Rússia e “União Europeia”) barganhasse divisas para dar conta das necessidades governamentais.  Ou seja, na visão muitas vezes deflagrada pelos próprios norte-coreanos a ideia é angariar fundos usando o programa nuclear como ferramenta de ameaça contra seus pares no Oriente e no Ocidente que acabam cedendo financeiramente.

De certo é que o xadrez geopolítico da região não privilegia um conflito armado no curto e médio prazo, principalmente pelos atores da região estarem mais preocupados com a situação econômica de seus respectivos estados. A China não tem interesse em uma disputa armada por acreditar que pode afetar sua estabilidade econômica, que, para suprir toda a massa da sociedade cada vez mais urbana, precisa se manter em crescimento na casa dos 10% ano. O Japão procura uma retomada econômica desde sua recessão no final dos anos 90. Quanto aos “Estados Unidos”, a postura é de atenção aos movimentos, entretanto direcionando os esforços para reestruturação econômica, bem como para o interminável jogo de xadrez no “Oriente Médio” que exige muita energia político-estratégico da “Casa Branca”.

Por fim, ainda analisando a postura de Washington para com Pyongyang, o cenário está direcionado para políticas pontuais de contenção das ameaças, com rodadas de negociações, embargos econômicos, por meio de sanções impostas pela ONU e recados em linguagem prática através de exercícios militares conjuntos com forças sul-coreanas e japonesas, cujo objetivo principal é a demonstração de força para o governo militar de Kim Jong Un.

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Imagem (Fonte):

http://m.ruvr.ru/data/2013/03/26/1326867596/266649.jpg

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,eua-e-coreia-do-sul-assinam-pacto-para-deter-escalada-nuclear-norte-coreana,1081238,0.htm

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,instituto-reforca-indicios-de-atividade-em-reator-da-coreia-do-norte,1081246,0.htm

Ver:

http://www.nti.org/treaties-and-regimes/korean-peninsula-energy-development-organization-kedo/

Ver:

http://www.kedo.org/

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,exercicios-de-eua-japao-e-coreia-do-sul-sao-adiados,1083326,0.htm

Ver:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2013/10/09/kim-jong-un-muda-metade-do-alto-escalao-de-governo-para-aumentar-seu-poder.htm

Ver:

http://www.crisisgroup.org/en/regions/asia/north-east-asia/north-korea/230-north-korean-succession-and-the-risks-of-instability.aspx

Ver:

http://www.theasanforum.org/north-korea-in-japans-strategic-thinking/

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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