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XI Conferência dos Ministros de Defesa das Américas

Monah Marins Pereira Carneiro 14 de outubro de 2014
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Essa semana (de 12 a 14 de outubro) acontece em Arequipa (Peru) a XI Conferência dos Ministros de Defesa das Américas. A Conferência, que em seus primeiros dias surge com discursos de aprofundamento da cooperação e coordenação em matéria de Defesa, aponta que problemas como narcotráfico, crime organizado, recursos não-renováveis e a manutenção da região como área livre de armas nucleares são interesses de todos e desafio comum entre os Estados[1].

Ela conta com a presença de trinta e quatro (34) Estados do continente americano, inclusive dos Estados Unidos (EUA)[2], e se fortaleceu em 1996, após o primeiro encontro de 1995, na Virgínia, EUA[3]. Nessa primeira Reunião foram moldados os princípios de Williamsburg. Nestes estão questões sobre a preservação da democracia,  a promoção da cooperação, o apoio militar às Operações de Paz, a necessidade de subordinar o poder militar à autoridade constituída democraticamente, o aumento da transparência, o diálogo entre civis e militares, a resolução de disputas por meio de negociação e medidas de confiança, que são temas debatidos entre os Ministros a cada dois anos, quando, em cada Reunião, a Conferência torna-se um espaço para reduzir desconfianças e estimular ideias no âmbito da Defesa[4].

Ollanta Humala, Presidente do Peru, apontou a necessidade de mudar a forma como os Estados objetivam a Defesa. Para ele, a Defesa regional está baseada em sobre quien compra el avión más nuevo y más caro o el tanque más nuevo y más caro[5]. Embora essa percepção não seja errônea quando são observados os dados de compras militares realizados pelos Estados sul-americanos, não se pode deixar de pôr na balança que grande parte desses gastos foram para reequipar às Forças, as quais, após a crise econômica de 1980, as mudanças políticas na região e o afastamento dos assuntos militares, sofreram desgastes e sucateamento.

Observadores apontam que embora os temas e problemas apresentados sejam comuns aos Estados do continente americano, pensar em uma coordenação em nível continental é algo difícil de ser construído por razões individuais de cada Estado, graças as suas necessidades específicas, a fatores geopolíticos, às diferenças de perspectivas políticas, além da presença do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) e dos Estados Unidos, que se vê obrigado a pensar em função dos seus interesses particulares.

Analistas destacam que pensar na possibilidade de as “Américas” construírem regionalmente políticas e meios que aproximem identidades e interesses comuns, como é o caso da criação do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), no âmbito da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), parece mais próximo da realidade dos Estados emergentes, onde segurança e defesa não podem se afastar de políticas públicas integradas. Porém, sem projetos estratégicos e sem implementação tais iniciativas serão apenas outros de tantos Fóruns que servem apenas de subsídio acadêmico para análise do discurso.

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Imagem (Fonte):

http://iadb-pt.jid.org/_/rsrc/1412086108849/jid-anuncios/xicdmaocorreraemarequipa-peruentreosdias12e14deoutubrode2014/np_2014_03_05_03.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.mindef.gob.pe/vernoticias.php?id_note=423&sw4_dc=dt013022

[2] Ver:

http://www.andina.com.pe/agencia/noticia-secretario-defensa-eeuu-llega-a-arequipa-para-conferencia-ministerial-527177.aspx

[3] Ver:

http://www.cdmamericas.org/conferences

[4] Ver:

https://docs.google.com/file/d/0B1jVSNef1-r-c2ktNDRBTTh1STA/edit?pli=1

[5] Ver:

http://elcomercio.pe/politica/gobierno/ollanta-humala-pide-cambio-politica-defensa-america-latina-noticia-1763606?ref=nota_politica&ft=mod_interesa&e=titulo

Monah Marins Pereira Carneiro

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos (PPGEM) da Escola de Guerra Naval (EGN-CEPE*).É pesquisadora do Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da mesma Instituição onde desenvolve pesquisa em Cenários para a Defesa, na área de Biossegurança. Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ-UCAM), onde atua como membro executivo do Grupo de Análise de Prevenção de Conflitos Internacionais (GAPCon), desde 2010. É bolsista pela Fundação EZUTE.

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