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Xi Jinping: considerações sobre o novo líder da China

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Xi JinpingO atual presidente da China, Xi Xinping, nasceu em Beijing, em junho de 1953. É filho de Xi Zhongxun, um dos fundadores da guerrilha comunista no norte do país e chefe na época do departamento de propaganda do “Partido Comunista”. O atual Presidente chinês tem em sua família grandes nomes da história do país e, assim como seu pai, ingressou na política traçando uma carreira de sucesso.

O Mandatário, de etnia “Jian”, tem dois doutorados (um em “Engenheira Química” e outro em “Ciência Política”). Segundo o artigo da Bloomberg (2012), intitulado “Xi Jinping Millionaire Relations Reveal Fortunes of Elite”*, ele é atualmente uma das personalidades do “Partido Comunista” mais ricas em toda a China. Neste artigo é informado que ele usufrui dos luxos que não teve durante sua juventude.  A imprensa internacional divulgou diversos artigos descrevendo sua personalidade e carreira, destacando sempre que ele é considerado uma pessoa pragmática, séria, cautelosa, trabalhadora e discreta. Isso, talvez, por reflexo dos desafios que superou ao longo de sua vida.

Em seu passado, pode-se destacar o período pós-expurgo de seu pai, em 1968. Nessa época, Xi Jinping tinha 10 anos de idade e foi trabalhar em Yanchuan (Shanxi) durante a Campanha de Envio ao Campo** de Mao Tsé Tung. Em 1969 com apenas 11 anos de idade o Jinping já iniciava alguns trabalhos para o partido comunista e por ser filho de um “herói” local, se destacava em pequenos cargos que lhe era atribuído o que serviu para sua preparação para ingressar como membro da Liga da Juventude Comunista (1971) e ser oficializado como membro do PCCh em 1974.

 

Após se formar em “Engenharia Química” pela “Universidade de Tsinghua”, em 1979, ele se tornou Secretário na “Secretaria Geral do Conselho de Estado e do Gabinete Geral da Comissão Militar Central”. Daí por diante fez carreira dentro de Secretarias e outras entidades ligadas ao “Partido Comunista Chinês” (PCCh).

A partir do ano de 2008, os cargos mais importantes da burocracia política estatal, partidária e governamental foram alcançados por Xi. Nesse ano, tornou-se membro do “Comitê Permanente do Birô Político do Comitê Central do PCC”, membro do “Secretariado do Comitê Central do PCC” e presidente do “Partido Escola do Comitê Central do PCC”. No final de 2008, tornou-se vice-presidente da “República Popular da China” e presidente da “Escola do Partido do Comitê Central do PCC”. No ano de 2010, ocupou o cargo de vice-presidente da “Comissão Militar Central do PCC”.

Os chineses não conheciam tão bem seu atual líder antes de ele assumir o cargo de Presidente. O fato de ter poucas aparições públicas o fez pouco conhecido, principalmente nas regiões não urbanas.  Muitos cidadãos o conhecem como o marido de Peng Liyuan (彭丽媛). Sua esposa é uma cantora muito famosa em toda a China e este casamento, que dura 25 anos, contribui significativamente para uma melhor relação de Xi Jinping com o seu povo. A fama de Peng Liyuan, acrescida do seu sucesso na política ocorrido nos últimos 5 anos, acabaram tornando seu rosto mais conhecido na “China Continental” e nas regiões de “Hong Kong”, Macau, Taiwan e Tibet.

Em termos de cenários prospectivos sobre como irá se comportar neste futuro imediato, deve-se levar em conta a história pessoal e os seus comportamentos cotidianos para analisar seu perfil e entender suas atitudes, permitindo, assim, isolar elementos capazes de articular panoramas sobre como atuará no comando da economia chinesa. Seu estilo de vida pessoal e seus gostos por elementos da cultura ocidental, agregados a sua maneira de conduzir negócios e de atuar na política, possibilitarão fazer prospecções sobre uma maior ou menor proximidade da China com as nações ocidentais.

Da mesma forma, como muitos analistas apontam, a ligação profunda com a historia chinesa e os ideais do PCCh, associados ao perfil de seriedade e cautela, com características expressivas de pragmatismo, são elementos que influenciarão na maneira como trabalhará nas negociações diplomáticas e econômicas com seus vizinhos asiáticos, algo essencial, já que uma ação mais firme por parte de Beijing tem força para mudar todo um contexto regional, desestabilizando ou estabilizando as relações diplomáticas e a economia da região.

Muitos especialistas orientais tendem a avaliar positivamente a maneira como Jinping trabalha e sua forma de pensar. A Ásia passa por um momento delicado, com vários atritos diplomáticos devido às disputas territoriais e há vários países que ainda não se reergueram após as últimas crises econômicas globais. Por isso, se prevalecer uma atitude mais unilateral, voltada para os interesses nacionais por parte da China, sem maior esforço para negociar as disputas regionais, certamente a estabilidade local poderá ser abalada. Como os observadores destacam, a posição e as atitudes da China neste contexto regional podem traçar um roteiro de estabilização. Um exemplo expressivo é que a busca de estabilização diplomática entre a China e as demais potências regionais certamente levará a um processo de encerramento das constantes ameaças vindas da “Coreia do Norte”. Ressalte-se ainda que o atual cenário econômico internacional leva Beijing a considerar os meios de manter sua economia aquecida, o que reaquecerá também o comércio mundial. Por isso, não será surpresa se o Presidente chinês diminuir a atenção que seu Estado deu a Pyongyang nos últimos anos, deixando o Kim Jong-un sem muitas opções perante as pressões internacionais que vem sofrendo acerca do“Programa Nuclear Norte-Coreano”. Esta é uma situação favorável à Paz e ao equilíbrio do sistema internacional, algo que pode ser geradas pelas prioridades que o novo líder eleger.

No entanto, avaliando Xi Jinping pelos relatos disseminados na mídia chinesa, há também elementos que levam a uma alta probabilidade de que para ele os princípios da “Razão de Estado”*** estarão na linha de frente. Assim como o cardeal Richelieu (Armand Jean Du Plessis, “Duque de Richelieu e de Fronsac”) fez no passado, quando usou a política externa francesa para unir e consolidar o Estado francês, bem como expandir o seu poderio na Europa,  pode-se arriscar que a mentalidade do novo líder tenderá a raciocinar a política externa mais direcionada para expandir o poderio político e diplomático da China, pensando em alianças baseadas nas necessidades de seu Estado, independente dos laços anteriores, ou seja, priorizará a sua estabilidade interna e contribuirá com as nações cujas economias estejam atreladas e sejam dependentes de seu país  para depois considerar as demais regiões do globo com as quais ainda não tem relações comerciais e diplomáticas desenvolvidas, ou lucrativas. É um cenário possível e com alta probabilidade.

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Fonte consultadas:

http://portuguese.cri.cn/chinaabc/chapter2/chapter20311n.htm

 

* Ver Bloomberg:

http://www.bloomberg.com/news/2012-06-29/xi-jinping-millionaire-relations-reveal-fortunes-of-elite.html

Ver também:

http://www.biografiasyvidas.com/biografia/x/xi_jinping.htm

 

***um programa que enviava os jovens privilegiados que viviam nas cidades para trabalharem no campo

 

*** Ver conceito deRazão de Estadoem Maquiavel – “O Príncipe”, várias edições.

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Ver ainda Gernab Institute of Global and Area Studies” (GIGA):

(1) http://hup.sub.uni-hamburg.de/giga/jcca-cds

(2) http://jornal.ceiri.com.br/wp-content/uploads/2013/01/cds_0905.pdf

 

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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